quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Open Access: LILACS completa 25 anos

Repost do Mural de recados: LILACS 25 años

A LILACS - Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde - completou 25 anos, se tornando um dos mais importantes repositórios científicos do mundo, com uma política de livre acesso a publicações.

Apoiada na iniciativa BVS/BIREME (Biblioteca Virtual em Saúde/ Biblioteca Regional em Medicina), a LILACS agrega alguns dos mais importantes periódicos da América Latina e Caribe na área da saúde.

Pode-se dizer que, juntamente ao SciELO (Scientific Eletronic Library Online) e o DOAJ (Directory of Open Access Journals), é responsável pela contra-corrente que luta pelo livre acesso a informação científica, opondo-se a revistas pagas repositadas no Medline e ISI-WOS (Web of Science).

Parabéns a LILACS e vida longa ao movimento de livre acesso a informação. Leia abaixo a mensagem trilingue comemorativa:

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LILACS - Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud - completó, en 29 de octubre del 2010, 25 años dedicados a incrementar la visibilidad, el acceso y la calidad de la literatura científica y técnica de la región en pro de la equidad en salud.

Considerando la importancia de LILACS como índice bibliográfico de la producción científica y técnica en salud de América Latina y Caribe y su notable contribución para la mejora de la salud de los pueblos de eses países, preparamos un mural de recados para que todos los involucrados con la Red LILACS dejen sus comentarios y impresiones sobre esta importante fuente de información.

En el portal LILACS [http://lilacs.bvsalud.org/es/], acceda el mural de recados haciendo un clic en la columna de la derecha en "testimonios" y vea los mensajes de la red. ¡No olvide de dejar su recado!

Confiera la materia comemorativa, publicada en la Newsletter BVS, para saber más sobre el histórico y la situación actual de LILACS [http://espacio.bvsalud.org/boletim.php?&lang=pt&style=search&articleId=11090317201003].

¡Felicitaciones a todos que hicieron y continuan a hacer parte de esa historia!

Saludos de BIREME/OPS/OMS y equipo LILACS
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Mural de recados LILACS 25 anos

A LILACS - Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde - completou, em 29 de outubro de 2010, 25 anos dedicados a incrementar a visibilidade, acesso e qualidade da literatura científica e técnica da região em prol da equidade em saúde.

Considerando a importância da LILACS como índice bibliográfico da produção científica e técnica em saúde da América Latina e Caribe e sua notável contribuição para a melhoria da saúde dos povos destes países, preparamos um mural de recados para que todos os envolvidos com a rede LILACS deixem seus comentários e impressões sobre esta importante fonte de informação.

No portal LILACS [http://lilacs.bvsalud.org/], acesse o mural de recados clicando na coluna da direita em "depoimentos" e veja as mensagens da rede. Não se esqueça de deixar seu recado!

Confira a matéria comemorativa publicada na Newsletter BVS, para saber mais sobre o histórico e a situação atual da LILACS [http://espacio.bvsalud.org/boletim.php?articleId=10162916201001].

Parabéns a todos os que fizeram e continuam a fazer parte desta história!

Saudações da BIREME/OPAS/OMS e equipe LILACS
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Wall scrap LILACS 25 years

On October 29th, 2010, LILACS - Latin American and Caribbean Health Sciences Literature - has completed 25 years dedicated to improve the visibility, access and quality of the scientific and technical literature produced in the region, towards equity in health.

Considering the importance of LILACS as a bibliographic index of scientific and technical information in health in Latin America and the Caribbean and its remarkable contribution to the improvement of health of these countries' population, we have prepared a wall scrap where people involved with the LILACS network can leave their testimonials about this relevant information source.

At LILACS portal [http://lilacs.bvsalud.org/en], access the wall scrap by clicking on "testimonials" on the right side and read the messages from the network. Don't forget to leave yours!

In order get more information about LILACS' history and current status read the article published on the Newsletter VHL on LILACS 25th anniversary. [http://espacio.bvsalud.org/boletim.php?&lang=pt&style=search&articleId=11120319201008].

Congratulations to all who were and are still part of this history!

Regards from BIREME/PAHO/WHO and LILACS team

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Créditos Pela Notícia: Biblioteca do
Centro de Pesquisas René Rachou/CPqRR
A FIOCRUZ em Minas Gerais.
www.cpqrr.fiocruz.br

Publicado Originalmente por Leonardo Cançado Monteiro Savassi

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Berços/ carrinhos/ cercadinhos e danos associados.

Lesões associadas berços, carrinhos de bebê e cercadinhos entre as crianças estadunidenses, 1990-2008

Center for Injury Research and Policy, The Research Institute at Nationwide Children's Hospital, Columbus, Ohio;
Department of Pediatrics,The Ohio State University, College of Medicine, Columbus, Ohio


Berços e cercados para crianças precisam de alterações de segurança e design, de acordo com uma revisão de dados de emergência por 19 anos publicado na revista Pediatrics.

Os autores escrevem que a taxa de acidentes - cerca de 12 por 10.000 crianças-ano, ou cerca de 25 por dia - "representa um nível inaceitável de risco, destacando a necessidade de melhorias contínuas no design de produto, especialmente para prevenir quedas de berços".

Autores apontam para alterações no design de berços e carrinhos.


Como o objetivo de descrever a epidemiologia das lesões relacionadas com berços, carrinhos, e cercadinhos entre as crianças nos Estados Unidos, foi conduzida uma análise retrospectiva com dados do National Electronic Injury Surveillance System para crianças menores de 2 anos de idade, tratadas em departamentos de emergência nos Estados Unidos de 1990 a 2008 para danos associados com berços, cercadinhos e carrinhos de bebê.

Os autores encontraram 181 654 (95% intervalo de confiança: 148 548-214 761) crianças menores de 2 anos de idade tratadas nos departamentos de emergência nos Estados Unidos por danos relacionados com berços e carrinhos no período de estudo de 19 anos. Houve uma média de 9.561 casos por ano ou uma média de 12,1 acidentes por cada 10 000 crianças menores de 2 anos por ano. A maioria dos acidentes envolveu berços (83,2%), seguido por carrinhos de bebê (12,6%) e os cercadinhos (4,2%). O mecanismo de trauma mais comum foi a queda de um berço, cercadinho ou carrinho, o que representa 66,2% das lesões. lesões tecidos moles compreendeu o diagnóstico mais comum (34,1%), ea região corporal mais lesada foi a cabeça ou no pescoço (40,3%). Pacientes com fraturas foram internados 14,0% do tempo, tornando-se 5,45 (intervalo de confiança 95%: 3,80-7,80) vezes mais chances de serem hospitalizados do que pacientes com outros tipos de lesões. Crianças menores de 6 meses foram de 2,97 (intervalo de confiança de 95%: 2,07-4,24) vezes mais chances de serem hospitalizados do que as crianças mais velhas.

Este estudo é o primeiro a utilizar uma amostra nacional representativa para examinar os ferimentos associados com berços, carrinhos e cercadinhos. Dado o número sempre elevado de lesões observadas, os autores consideram que são necessários maiores esforços para garantir a segurança na concepção e fabricação destes produtos, garantir a sua correta utilização em casa, e aumentar a consciência dos seus perigos potenciais para as crianças.

Acesso ao artigo da pediatrics:






Publicado por Leonardo C M Savassi originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Febre da dengue tratada por americanos...

Achei interessante este artigo da Skyscape sobre FHD. Se tem uma coisa que estamos à frente é em Dengue e seus derivados... :o)


Clinical Case Study: Treating Dengue Fever  
Dengue Fever can be a deadly disease but not often encountered by US physicians. The following scenario explores the topic, and shows how resources such as the Merck Manual and Johns Hopkins ABxGuide can aid in making diagnoses and treatment decisions. 
The Scenario You are a Family Physician in the Midwest. Joel Bradman, a healthy 22 year old man, well known to you has asked for an urgent add-on visit. You note that Joel grew up as a youngster in Thailand and occasionally travels there for the family business. He has apparently become ill 5 days after returning from Thailand. 
He complains are of 2 days of high fever, headaches, myalgia, arthralgia, anorexia, and severe malaise. 
On presentation to your office, his vital signs are T 39°C (102°F), HR 65, RR 20, BP 110/70, SaO2 99% on Room Air. Your Nurse comments that she noted a rash appear under the site where she applied the blood pressure cuff on taking Joel's blood pressure. Finding this somewhat peculiar, blood pressure was taken on the other arm with an identical rash occurring on that arm also and only being located under where the cuff was applied. 
Joel's worst symptoms are his retro-orbital headache, arthralgias and low energy. His physical examination otherwise is unremarkable, except for the almost petechial rash underlying where the blood pressure was taken. There is no neck rigidity or photophobia. 
Given your non-existent tropical medicine experience, this case was a bit perplexing. There was no evidence of a typical flu-like illness. There was no rhinorrhea, no injected pharynx and no cough. There was no cyclical nature to the fevers to suggest malaria. You strongly suspect Joel's issue relates to his recent travel. 
As Joel didn't appear that ill, you decide on some basic laboratory testing of a CBC (full blood count) and Comprehensive Panel (electrolytes, LFTs). While waiting for these results, you decide to review some of your Skyscape resources. 
Merck Manual was your starting point. You recall that Dengue Fever might be an illness somewhat like what Joel is experiencing; but have never seen a case. So you take a look at that topic. On searching for Dengue, you also notice a subtopic called Dengue Hemorrhagic Fever - odd considering the rash with the blood pressure cuff. 
You review the information section and note that Thailand is an endemic area and that serologic testing is available. Joel is within the incubation period. After reading the content, you have Joel back in your office and on re-examination, you now note a palpable spleen and some cervical and inguinal nodes. 
The CBC returns with a hemoglobin of 19.8, hematocrit of 65%, WBC of 2,500 with 30% neutrophils, 60% lymphocytes. Platelets are low at 62. The comprehensive panel is relatively unremarkable except for mild transaminase elevations. 
You go on to read the section on Dengue Hemorrhagic Fever and realize that Joel has likely had Dengue previously and is at serious risk given the hemoconcentration, positive tourniquet test and thrombocytopenia. 
As you also have the Johns Hopkins POC-IT Abx Guide, you take a look at this resource also. They have a topic on Dengue Hemorrhagic Fever (DHF). You note that the differential may include malaria, leptospirosis, early pulmonary anthrax, typhoid fever. You note that your patient currently has just Grade I DHF. You note indications for hospitalization include hemoconcentration>10% and thrombocytopenia. 
You arrange for Joel's admission having properly suspected Dengue and having initial laboratory results quite consistent with the diagnosis of DHF. You also realize that without properly investigating this case, you would not have appreciated how compromised Joel was and that he has substantial risk of morbidity and mortality without careful management. 


Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Revisão Sistemática condena intervenções no estresse pós-traumático

Multiple session early psychological interventions for the prevention of post-traumatic stress disorder

Revisão Sistemática Cochrane de 2011 estudou intervenções psicológicas de múltiplas sessões para a prevenção do chamado "transtorno" de estresse pós-traumático. Alguns profissionais, especialmente os da Atenção Primária, questionam o estresse pós-traumático como entidade nosológica, assim como alguns outros "transtornos". Segundo esta corrente, definir situações de vida normal como doenças ("inventar doenças" - mongering diseases) serve a interesses diversos, e é nocivo ao paciente.

Para ilustrar, o vídeo abaixo dá uma dimensão da discussão entre o que é normal, o que é diferente do normal, o que é anormal e o que realmente é doença. Em linhas gerais, para a medicina aquilo que se desvia do padrão é rotulado como doença. Nem sempre é.



Segundo a Revisão Sistemática Cochrane, os eventos traumáticos podem ter impacto significativo sobre os indivíduos, famílias e comunidades, e uma única sessão, como anamnese psicológica, anteriormente utilizada para prevenir as dificuldades persistentes, se mostraram ineficazes na prevenção de "transtorno" de estresse pós-traumático (TEPT).

Uma série de outras formas de intervenção foram desenvolvidas para tentar impedir que indivíduos expostos ao trauma desenvolver TEPT. A revisão avaliou os resultados de 11 estudos que testaram uma gama diversificada de intervenções psicológicas destinadas a prevenir TEPT .

Principais resultados: onze estudos com um total de 941 avaliados avaliaram intervenções breves psicológicas destinadas a prevenir TEPT em indivíduos expostos a um evento traumático específico, analisando uma série heterogênea de intervenções.
Oito estudos foram inclusos em uma meta-análise. Não houve diferenças significativas entre as condições de tratamento e controle de medidas primárias de desfecho para estas intervenções no resultado inicial (k = 5, n = 479; RR 0,84 IC 95% 0,60-1,17).
Houve uma tendência para o aumento de auto-relato de sintomas do TEPT em 3 a 6 meses de seguimento para aqueles que receberam uma intervenção (k n = 4, = 292; SMD 0,23 IC95% 0,00-0,46). Dois estudos compararam uma memória estruturação de intervenção contra a escuta de suporte. Não houve evidências da eficácia desta intervenção.

Conclusões dos autores: os resultados sugerem que não há intervenção psicológica recomendável para uso rotineiro na sequência de acontecimentos traumáticos e que intervenções de várias sessões, assim como as intervenções da sessão única, pode ter um efeito adverso sobre alguns indivíduos. A implicação prática claro disso é que as intervenções de várias sessões destinadas a todos os indivíduos expostos a eventos traumáticos não deve ser utilizadas. Além disso, são necessários estudos melhor concebidos para explorar novas abordagens para a intervenção precoce.

Ou seja, os resultados não apontaram evidências científicas para apoiar a utilização de uma intervenção oferecida a todos e ainda por cima há algumas evidências de que intervenções múltiplas sessões podem resultar em pior desfecho que a não intervenção em alguns indivíduos. Em outras palavras: intervenção no estresse pós-traumático, seja ele um transtorno ou doença ou normal, é iatrogenica. E esta é uma evidência científica de nível I.

Acesse o artigo da Cochrane:




Leia mais sobre "doenças inventadas" (mongering diseases). Este artigo é bem didático e traz os principais conceitos sobre a discussão. E este livro também.


Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Estamos anos atrás...

Se por um lado a Estratégia de Saúde da Família progrediu rapidamente rumo a expansão e consolidação do modelo, nossas evidências e conhecimento na área anda a passos lentos e precários. Toda vez que eu entro em alguma Força Tarefa ou em uma agência estrangeira tenho vergonha.


Observem o exemplo da Agency for Healthcare Research and Quality dos EUA. Essa agência financia a Força Tarefa Americana, que tem excelentes e anuais revisões sobre os conhecimentos direcionados para a Atenção Primária.

A questão é muito simples: Com a potencialidade que temos para sermos criativos e da forma que abraçamos a APS, por que não podemos ter uma organização das evidências disponíveis levando em conta nossa população e nossas características? Por que essas evidências não saem anualmente?

Não é falta de dinheiro. Porque dinheiro é devolvido pelo Ministério da Saúde anualmente. Precisa-se mudar essa realidade! Temos que começar a melhorar a qualidade na Saúde da Família, já! Somente cursos de especialização não serão suficientes!!

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Refrigerante diet pode aumentar o risco de AVC?

Can Diet Soda Boost Your Stroke Risk?

Compilado de Medline Plus/ HealthDay (link disponível até 10/maio/2011)

Consumidores diarios de refrigerante diet podem cortar calorias, mas também aumentar o seu risco de AVC. Investigadores encontram um risco aumentado 61% entre aqueles que bebem refrigerantes diet diariamente.

"Em nosso estudo, vimos um aumento significativo do risco entre aqueles que beberam refrigerante diet por dia e não refrigerante normal", disse Hannah Gardener, um epidemiologista da Universidade de Miami Miller School of Medicine, que foi escalado para apresentar sua pesquisa na quarta-feira Conferência Internacional Stroke 2011 em Los Angeles. "[o link] É desconhecido até o momento", disse ela.

O AVC é a terceira principal causa de morte, atrás das doenças cardíacas e câncer, nos Estados Unidos. Mais de 137 mil pessoas morrem por ano de curso, de acordo com a American Stroke Association.

Anteriormente, uma pesquisa já relacionou o consumo de mais de um refrigerante por dia, seja regular ou diet, eram mais propensos do que os não-bebedores à síndrome metabólica.

Gardener e seus colegas avaliaram os hábitos de consumo de refrigerantes de 2.564 pessoas inscritas no Northern Manhattan Study (NOMAS) para ver se havia associação com AVC. Os participantes tinham 69 anos de idade, em média, e preencheram questionários sobre o tipo de refrigerante que bebia e quantas vezes.

Durante o seguimento médio de nove anos, 559 eventos vasculares ocorreram, incluindo acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos ou isquêmicos. Os investigadores controlaram fatores como idade, gênero, etnia, atividade física, ingestão calórica, hábitos de fumo e álcool e descobriram que aqueles que bebiam refrigerante diet por dia - em comparação com aqueles que não bebiam refrigerante - foram 61 por cento mais propensos a um evento vascular.

Mesmo controlando outros fatores, como presença da síndrome metabólica, doença vascular nos membros e história de doença cardíaca, o link ainda permaneceu em 48 por cento.

Embora o estudo constate uma associação entre refrigerante dietético e risco de derrame, ele não emonstrou uma relação causa e efeito, e os especialistas apontam que as pesquisas apresentadas não foram submetidas ao mesmo tipo de análise rigorosa dada à investigação publicada em revistas médicas.

Dr. Patrick Lyden, diretor de neurologia do Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, analisou os resultados, mas não estava envolvido na pesquisa. "Meu primeiro pensamento foi: 'A relação tem de ser acidental'", disse ele. E o que fazer? "Espere por estudos repetidos para mostrar um risco e, entretanto, recomende tudo com moderação." Ele diz a seus pacientes para evitar refrigerante, diet ou regular, numa base diária. "Um refrigerante ocasional não faz mal a ninguém", disse ele. "Uma ou duas vezes por semana, para mim parece ser razoável."

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

Treinamento de residentes e estudantes em um protocolo sobre uso de antibióticos

Estudos de intervenção do modelo de abordagem do paciente sempre são complexos, pela várias dimensões presentes. Para demonstrar este tipo de abordagem, este estudo canadense mostra um trabalho para uso de antibióticos.

Para explorar maneiras de reduzir o uso excessivo de antibióticos para infecções respiratórias agudas (IRAs), é realizado um estudo piloto randomizado controlado (RCT), para avaliar DECISÃO +, um programa de treinamento em decisão compartilhada (SDM) para a médicos de família (PQ). Este projeto-piloto demonstrou a viabilidade da realização de um grande RCT e mostrou que DECISÃO + reduziu a proporção de pacientes que decidiram utilizar antibióticos imediatamente após consultar seu médico. Conseqüentemente, o objetivo deste estudo é avaliar, em pacientes de consultoria para IRA, se a exposição de médicos para uma versão modificada da DECISÃO +, DECISÃO 2, reduziria a proporção de pacientes que decidem o uso de antibióticos imediatamente após consultar seu médico
Artigo original: http://www.biomedcentral.com/content/pdf/1471-2296-12-3.pdf

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Há recomendação da OMS OPAS para leitos/habitante, médicos/habitante e tempo de consulta?

Leitos por Habitante e Médicos por Habitante


A OMS ou a OPAS faz alguma recomendação específica sobre padrão ideal de leitos, ou médicos, ou outros profissionais de saúde ou até mesmo de tempo de consulta?


Entenda:

Madrugando pelos Blogs da Saúde, me deparo com uma intrigante colocação.
Um texto da rede humaniza-SUS, do Blog de Rondinelli Salvador Silva encontro esta pérola, que jogaria por terra argumentos e proposições em cima de supostas recomendações "duras" acerca do que seria adequado para a assistência a saúde.
O documento é "Leitos por Habitantes e Médicos por Habitante a OPAS/OMS", datado de 2003, e o texto que segue-se é o seguinte:
"A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) não recomendam nem estabelecem taxas ideais de número de leitos por habitante a serem seguidas e cumpridas por seus países-membros.
Tampouco definem e recomendam o número desejável de médicos, enfermeiros e dentistas por habitante.

Não existe, ainda, orientação sobre a duração ideal das consultas médicas ou um número desejável de pacientes atendidos por hora."
Confira outros trechos do mesmo documento:
"A definição de índices, como número de leitos ou médicos por habitantes depende de fatores regionais, sócio-econômicos, culturais e epidemiológicos, entre outros, que diferem de região para região, país para país. Isso torna impossível, além de pouco válido, o estabelecimento de uma “cifra ideal” a ser aplicada de maneira generalizada por todos os países do planeta."
"A quantidade de leitos hospitalares ou de profissionais de saúde em relação ao número de habitantes também não são índices suficientes para avaliação de um sistema de saúde."
"Outro exemplo vem de países industrializados, como o Canadá. Lá, o número de leitos por habitante tem sido reduzido drasticamente nos últimos anos, como resultado da estratégia de investir em tecnologia e no aumento da capacidade resolutiva do sistema de saúde. Exames que antecedem uma cirurgia, por exemplo, são feitos a nível ambulatorial. A idéia é deixar o paciente o menor tempo possível internado."
Espero uma resposta a esta provocação do Rondinelli, aqui ecoada.

Esta proposição da OMS e OPAS já caiu por terra?
Trata-se de uma chamada falácia?
Há recomendação dura da OMS acerca de leitos/habitante, médicos/habitante?



Acesse o documento da OMS e confira:



Saiba Mais:
Veja um gráfico sobre o número de médicos por habitante em cada país

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Saude da Família = 80,7% de satisfação

Mais e mais evidências da ESF na vida dos brasileiros

Resta saber se continuaremos a luz dos “eu-achismos” e das “apostas”, ao invés de considerarmos as evidências.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) lançou nesta quarta-feira um relatório dos Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) avaliando a percepção da população sobre serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O SIPS apresenta a percepção dos entrevistados sobre cinco serviços do SUS: atendimento em centros ou postos de saúde; atendimento pela Saúde da Família; distribuição de medicamentos; atendimento por médicos especialistas; atendimento na urgência e emergência.

Isto considerando-se que a ESF sequer foi implantada plenamente no país, e chega recentemente aos 50% de cobertura, substituindo um modelo que foi majoritário há quatro décadas.

Os resultados do IPEA apontaram que:

1) Saúde da Família tem alto índice de satisfação: 80,7% dos entrevistados avaliaram o programa como “muito bom” ou “bom”, 14% como “regular” e apenas 5,4% como “ruim” ou “muito ruim"
2) Urgência e emergência é o serviço do SUS com pior avaliação: 31,4% dos usuários considera "ruim ou muito ruim, 48,1% consideraram “bom” ou “muito bom” o serviço, e 20,7% o qualificaram como “regular”.
3) Os centros e postos de saúde têm rejeição próxima a dos atendimentos de urgência e emergência com 31,1% de avaliações negativas e 44,9% de opiniões favoráveis.
4) distribuição de medicamentos foi o segundo item mais aprovado com índices de 69,6% e 11% de avaliações positivas e negativas, respectivamente.
5) médicos especialistas obtiveram aprovação de 60.6% dos usuários entrevistados, sendo reprovados por 18,8%.
6)Quem não utiliza o SUS o avalia pior que quem o utiliza. Entre os que tiveram alguma experiência com os serviços do SUS nos últimos 12 meses, a proporção de opiniões "muito bom" ou bom" foi maior (30,4%) do que entre os que não utilizam (19,2%). A proporção de opiniões de serviços “ruins ou muito ruins” foi maior entre os que não tiveram experiência com os serviços pesquisados (34,3%), em comparação com aqueles que tiveram (27,6%). Nos dois grupos predominam as avaliações dos serviços como “regulares”.
7) 42,6% dos brasileiros em geral consideram o SUS regular. Na opinião de 28,9% dos entrevistados no Brasil, os serviços públicos de saúde prestados pelo SUS são muito bons ou bons. Proporção semelhante dos entrevistados (28,5%) opinou que esses serviços são ruins ou muito ruins .
8) Saúde da Família é o serviço mais bem avaliado do SUS em quatro das cinco regiões do país. Apenas no Centro-oeste e Norte a avaliação da Estratégia fica abaixo de 80%, atingindo 85,2% na região Sul.

Esta não é a primeira evidência que aponta que Saúde da Família é uma estratégia bem avaliada. ZILS et al avaliaram a satisfação do usuário do serviço de atenção primária de Porto Alegre, utilizando escalas de avaliação do tipo Likert. O estudo foi conduzido comparando os desfechos de serviços com baixa e alta orientação para a atenção primária. A avaliação das unidades utilizou o PCA-Tool, demonstrando que pacientes atendidos por serviços com alta orientação para a APS apresentam significativamente maior satisfação com o serviço, o que favorece a adesão ao cuidado. O artigo será publicado na RBMFC número 16.

Para uma análise mais completa acesse:

Análise do relatório do IPEA (Blog Saúde com Dilma)

Savassi, LCM. Editorial: A satisfação do usuário e a auto-percepção da saúde em atenção primária. RBMFC 17, 2010. no prelo. (ainda não disponível)

Kloetzel, K; Bertoni, AM; Irazoqui, MC; Campos, VPG; dos-Santos, RN. Controle de qualidade em atenção primária à saúde. I – A satisfação do usuário. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 14(3):623-628, jul-set, 1998

Zils, AA; Castro, RCL; Oliveira, MMC; Harzheim, E; Duncan, BB. Satisfação dos usuários da rede de Atenção Primária de Porto Alegre. Rev Bras Med Fam e Com 2009; vol. 4, num 16, 270-276.


Acesse os indicadores do IPEA:
IPEA. Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS). Brasília: IPEA, 2011. 21 p.

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
Permitida a reprodução desde que citado e linkado o texto.

O contexto sociodemográfico e ambiental da vizinhança e autopercepção de saúde em adultos de um município do Sul do Brasil: um estudo multinível

Uma das formas de mensurar a saúde é a auto-percepção em saúde. Levando em consideração os aspectos da vizinhança, mostra como a auto-avaliação varia com diferentes fatores.
O objetivo foi investigar a associação entre o contexto sociodemográfico e ambiental e a autopercepção de saúde. Realizou-se um estudo transversal de base populacional com uma amostra aleatória de 38 vizinhanças (setor censitário) e 1.100 adultos de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil. A análise dos dados utilizou regressão logística multinível. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no ano 2000, as médias de renda e anos de estudo do chefe do domicílio, e o número de residentes por vizinhança eram R$955,00 (DP = 586), 8 anos (DP = 3) e 746 (DP = 358), respectivamente. Após o controle por aspectos sociodemográficos, comportamentais e relacionados ao serviço no nível individual, as chances de relatar uma autopercepção de saúde como razoável ou ruim eram cerca de duas vezes maiores em vizinhanças mais populosas (OR = 2,04; IC95%: 1,15-3,61) e nas com baixa renda (RP = 2,29; IC95%: 1,16-4,50), quando comparadas às com baixo número de residentes e com alta renda. Resultados sugerem que a autopercepção de saúde depende das características do indivíduo e do contexto sociodemográfico em que ele vive.

Fonte e artigo original: http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2010001200015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt


Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Acolhimento às crianças na atenção primária à saúde: um estudo sobre a postura dos profissionais das equipes de saúde da família

Trata-se de estudo descritivo transversal, realizado com 384 responsáveis por crianças cadastradas em seis equipes de saúde da família. Foi utilizado o Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool). Em relação às crianças, 52,9% eram do sexo feminino, 55,5% menores de 3 anos, 71,6% viviam com o pai e a mãe. O serviço de referência para o atendimento foi a unidade de saúde da família 77,6%. Em relação ao acolhimento/postura, 74,2% consideram que o profissional entende o que ele diz e pergunta, e 79,2% respondem da forma que o cuidador da criança entende. Para 77,2% dos responsáveis sempre que precisam conversar com o profissional eles conseguem, e 73,8% se sentem à vontade para falar com o profissional. A partir destes resultados pode-se inferir que o acolhimento/postura nestes serviços tem permitido uma interação usuário- profissional satisfatória, imprescindível para um atendimento à saúde com qualidade.

Fonte e artigo original: http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2010001200010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ANS e os 7 dias... não bastava o gatekeeper e remuneração digna?

Mais uma lei "que não vai pegar"? Ou o início do fim da saúde suplementar?

A imprensa divulga a nova legislação que incidirá sobre planos de saúde e determinará um prazo máximo de 7 dias entre marcação e consulta para especialidades como pediatria, gineco-obstetrícia, e medicina interna, e de 14 dias para outras especialidades.

Em linhas gerais, a ANS prevê:
1) o cumprimento de prazos máximos para atendimento aos beneficiários, com consultas básicas, exames e internações;
2) a obrigatoriedade de existência de prestadores de serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios e médicos) em todos os municípios da área de abrangência do plano;

Se não houver prestador de saúde credenciado no município, a operadora deverá:
* garantir o atendimento em prestador não credenciado no mesmo município; ou
* garantir o transporte do beneficiário até o prestador credenciado para o atendimento, assim como seu retorno à localidade de origem; ou
* reembolsar, integralmente, o custo pago pelo beneficiário pelo serviço ou procedimento realizado.

A determinação surgiu a partir do enorme número de reclamações quanto ao tempo necessário para consultas, que chegam a demorar até um mês para o pediatra e três meses ou mais para algumas especialidades. Mas porque chegamos a este ponto?

1) Porque a Medicina Suplementar tem filas de espera semelhantes ao sistema público?

Em primeiro lugar, é importante destacar que o SUS funciona com cerca de R$60,00/habitante/mês, enquanto os planos de saúde funcionam com 3 a 10 vezes mais. Se você pagasse R$60,00 pelo seu plano de saúde, certamente não teria direito a um décimo do que o SUS oferece.

É igualmente importante lembrar que o governo usa dinheiro que deveria ir para o SUS para financiar a saúde suplementar, de duas formas:
A) Paga a ela por exames e procedimentos que não existem no SUS e assume pacientes que os convênios não conseguem sustentar e
B) isenta todo e qualquer gasto com saúde, ou seja, deixa de arrecadar no imposto de renda integralmente o seu gasto com saúde.

Posto isto, o plano de saúde atualmente faz mal para o médico, ainda que este plano seja uma cooperativa. O valor de uma consulta é cada vez menor frente ao salário mínimo, o salário médico não está vinculado ao mínimo, e os custos de sua clínica, secretária, secretária doméstica, porteiro, sim.

A consulta médica se desvalorizou frente ao mínimo, frente ao dólar, frente ao próprio real, pois é reajustada abaixo do valor da inflação e ficou congelada por 10 anos. A lógica para o médico é simples: com o aviltamento do valor pago por consultas, ocorreu o progressivo abandono do convênio como fonte de renda.

Hoje um médico tem duas agendas: a do cliente particular e a do cliente de convênio. Em vários casos, o médico sequer dá o número do celular para o paciente de convênio. Isto porque a remuneração em consultórios varia de R$20,00 a R$60,00 por consulta, sendo que a maioria dos convênios paga menos de R$42,00 a consulta, valor proposto na CBHPM há cinco anos como o mínimo.

2) Mas porque os convênios pagam tão pouco?

Não, os convênios não são meros canalhas odiosos que exploram médicos. Eles também estão apertados e há várias explicações para isto, duas das quais soam mais importantes.

Em primeiro lugar, saúde é "saco sem fundo", ou seja, não há investimento em saúde suficiente para responder a todas as demandas de um paciente. Sabe-se ainda que a demanda em saúde se regula pela oferta (em outras palavras, "se há um serviço, será consumido", e um novo pronto-atendimento atingirá seu limite de atendimento em uma questão de dias).

As tecnologias em saúde, além disto, são somativas: não se deixou de fazer a consulta do paciente com o advento do Raio X, não se deixou de pedir Raio X na consulta com o advento da tomografia, e não se deixou de consultar, pedir Raio X e Tomografia com o advento da Cintilografia, ou da Ressonância. Enfim, saúde é caro, o gasto só aumenta, e a margem de lucro de todos (planos, hospitais, médicos) está caindo.

Em segundo lugar, em um sistema de saúde voltado para cuidar da doença e regulado por interesses pessoais e comerciais na doença, a necessidade do usuário nunca será o objetivo principal; no máximo o desejo do paciente será levado em conta. Lembrando que desejo é diferente de necessidade (desejo, necessidade, vontade).

Falta promover saúde de uma maneira racional, assim como falta prevenção baseada em evidências (e não em procedimentos que especialistas defendem para reduzir seu prejuízo). Falta promover o acesso ao cuidado racionalmente, utilizando para isto um gatekeeper, ("porteiro"), preferencialmente aquele que foi formado no âmbito comunitário, ou seja, na atenção primária: o Médico de Família e Comunidade (MFC, ou simplesmente médico de família).

Caberá ao médico de família orientar e tratar a maioria das dores nas costas, e compartilhar algumas poucas para o fisioterapêuta, ao invés do paciente procurar livremente o especialista (que fará exames de imagem e sangue desnecessários, ou até potencialmente nocivos, pois naturalmente deverá descartar qualquer causa de sua área para a dor). Ao estabelecer o cuidado ao longo do tempo, ele também saberá quais sintomas são novos e relevantes e quais realmente importam, ao invés de ficar brincando de classificar pacientes em blocos de doenças; e ao coordenar o cuidado, mesmo aqueles pacientes que necessitaram do especialista terão o acompanhamento e orientação do médico que já os conhece.

3) Mas essa é uma idéia brilhante! Porque vocês não tiveram ela antes?

Dizem que na política e na arte, "nada se cria, tudo se copia". Ninguém está inventando a roda.



Esta é uma solução simples que um país destruído por uma guerra e quase falido adotou na década de 40; que foi adotado em outros países ao longo das décadas seguintes; que foi proposto para o mundo todo em 1977. E que o SUS (nascido onze anos depois), só começou a trabalhar em 1994.

Este modelo de atenção começou há 17 anos no Brasil, e apenas em 2010 atingiu metade da população, infelizmente via de regra os 50% mais pobres, o que dá margem aos inimigos da saúde pública dizerem que a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o SUS são um um modelo de saúde para os pobres. A classe média ainda utiliza pouco a assistência pública, incluindo a ESF, e desconhece os verdadeiros problemas do SUS (que são bem diferentes daqueles que o Datena, o Casoy e o casal 20 dizem existir).

4) Porque quem tem plano de saúde não tem direito ao um médico de família, só no SUS?

Porque a Unimed, a Amil e os planos de saúde seguem a lógica de mercado dos Estados Unidos, de venda de seguros saúde. Isso é um pouco mais complicado que parece, e sugiro que assistam SICKO de Michael Moore para entender como funciona lá e imaginar como tentam diariamente nos rebaixar a qualidade da saúde estadunidense desconstruindo o SUS.

A conta é simples: se médicos de família resolvem de 85 a 95% dos problemas de saúde da uma população dentro do consultório, com poucos ou nenhum exame, os especialistas/ hospitais/ clínicas de exames ficam com a fatia de 5% de pacientes, mesmo assim compartilhados e coordenados pelos médicos de família.

Problemas não faltam: os MFCs começam a ser formados novamente no Brasil há menos de 10 anos, bem depois do mercado de trabalho estabelecido, e estão longe da graduação nas faculdades tradicionais e seus currículos ultrapassados. O mercado de trabalho é enorme na rede pública (32.000 equipes no Brasil) e mesmo ele não valoriza ainda o título. Para fazer partos, você precisa ser obstetra, mas para atender atenção primária, "qualquer um serve". Faltam profissionais, a grande parte da população não os conhece, e mesmo uma boa parte da classe médica os desconhece, ou faz questão de evitar.

E é claro que muitos interesses permeiam esta relação:
- o interesse coorporativo de sociedadades de especialistas que não desejam ver seus pacientes atendidos por um médico de família;
- interesse de empresas de exames que não querem ver seus lucros reduzidos pelo questionamento de diretrizes não baseadas em evidências;
- interesse da indústria farmacêutica e suas relações com sociedades de especialidades/ hospitais/ farmácias, para quem um médico baseado em evidências e centrado no paciente será menos intervencionistas, e menos lucrativo;
- medo de uma indústria da doença, para quem a prevenção não interessa;
- receio de um grande sistema suplementar que não deseja perder mercado para uma medicina humanista e pouco baseada em tecnologia.

5) Para resumir:

- Medicina é cara, e o custo aumentará sempre.
- Medicina é saco sem fundo, não há investimento que resolva 100% dos problemas de saúde.
- Medicina é arte e humanismo, mas o mercado não deixa isto se dar da melhor maneira.
- Há algumas soluções para reduzir o custo e melhorar a relação médico-paciente.
- Mas estas soluções desagradam muita gente.

6) E o que será dos planos de saúde e de seus usuários daqui por diante?

Não há respostas, e sim dúvidas. Algumas perguntas são:

1) Qual mecanismo irá obrigar um pediatra ou clínico, que já ganha um valor irrisório, com taxas de "glosas" (nome técnico para quando o convênio "dá o cano" no profissional), a abrir horários na agenda para salvar os planos de saúde de multas?

2) Os convênios pagarão o valor de uma consulta particular a estes profissionais? Ou reembolsarão os usuários de planos de saúde que pagam a consulta particular? Neste caso, não seria melhor descredenciar todo mundo e pagar a consulta particular e deixar somente exames e internações por conta dos convênios?

3) Os convênios, cooperativas e grupos tem alguma previsão de trabalhar com racionalização de recursos, ou continuarão a fazer o pêndulo, aviltando o médico e cobrando mais do usuário?

4) Os planos de saúde sobreviverão ao crescimento e consolidação do SUS?

5) Será uma lei que "não vai pegar"? Ou estamos fadados a ver o fim da saúde suplementar, que desde a década de 70 é acusada pelas coorporações de explorar a classe médica?

6) E, para os usuários de planos de saúde: porque não pagar por uma consulta particular, que custa o mesmo que uma boa ida ao cabelereiro, ou ao preço de um conserto de privada na sua casa, e deixar o plano de saúde para os gastos com exames e hospitais? Porque trocar um profissional que te conhece por um pronto-socorro lotado com uma consulta expressa, impessoal e pouco resolutiva?

(Racionalmente: Uma consulta particular em pediatra custa R$150,00, e os controles a partir do segundo ano podem ser semestrais. Você terá um profissional a sua disposição, com número de celular, e agenda tranquila, quando for necessário. Quanto você gastou com cabelereiros em 2010?)

Por fim, não podemos deixar de dizer: pobre classe média, que não tem direito a um médico de família... passará ainda uns bons anos a mercê da iatrogenia e da impessoalidade da relação médico-paciente.


Leonardo C M Savassi

Médico de Família e Comunidade e Pediatra
Professor da Universidade Federal de Ouro Preto
Presidente da Associação Médica de Betim


Artigos relacionados:
- Querem rotular a ESF antes mesmo de sua implantação
- O profissional médico da ESF
- Pediatras de Sergipe páram de atender 16 convênios
- Pediatras de Brasília deixaram de atender convênios por um ano.

Uma postagem ácida sobre a ANS foi feita pelo Prof. Ricardo Menezes.

Conflitos de interesse: Nenhum declarado. Leonardo Cançado Monteiro Savassi é professor universitário de Medicina de Família e Comunidade da UFOP, Pediatra da Unimed Betim, não tem consultório particular, atua em pronto-atendimento, e nunca foi patrocinado pela indústria farmacêutica em suas palestras e pesquisas.

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
(permitida livre distribuição, desde que citada e linkada a fonte)

Aleitamento materno e Saúde da Família

Fatores associados ao aleitamento materno exclusivo: o papel do cuidado na atenção básica

Este estudo teve o objetivo de analisar a associação entre ações de promoção, proteção e apoio à amamentação realizadas em unidades básicas de saúde (UBS) e a prevalência de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. Estudo transversal realizado em amostra representativa de 1.029 mães de crianças menores de seis meses assistidas em unidades básicas de saúde do Município do Rio de Janeiro, Brasil. As razões de prevalência (RP) foram obtidas por regressão de Poisson. A prevalência de aleitamento materno exclusivo foi de 58,1%. Estiveram associadas à maior prevalência de aleitamento materno exclusivo: a cor branca (RP = 1,20; IC95%: 1,05-1,36) e a escolaridade alta (RP = 1,19; IC95%: 1,05-1,35); ter companheiro (RP = 1,72; IC95%: 1,02-2,90); experiência prévia com amamentação (RP = 1,27; IC95%: 1,08-1,49); alta hospitalar em aleitamento materno exclusivo (RP = 2,01; IC95%: 1,20-3,36; ter recebido orientação em grupo (RP = 1,14; IC95%: 1,01-1,28); e ter sido mostrado como amamentar (RP = 1,20; IC95%: 1,08-1,33). A prevalência de aleitamento materno exclusivo diminuiu 17% a cada mês de vida do bebê. Os grupos de apoio à amamentação e a orientação sobre seu manejo contribuíram para o aleitamento materno exclusivo na atenção básica.

Fonte e artigo original: http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2010001200013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt


Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Jornal denuncia: 56,7% dos autores de diretrizes AMB têm conflitos de interesse

Médicos ligados à indústria ditam regras de conduta


Diretrizes da AMB são feitas por médicos que têm conflitos de interesse (patrocínio e até mesmo ações das companias farmacêuticas). Chega ao cúmulo da diretriz da AMB sobre disfunção erétil ter todos os autores com conflitos, segundo a Folha de São Paulo.

Isto pode até não ser ilegal, mas é imoral. E engorda (os bolsos de alguns).

MÉDICOS DE FAMÍLIA (MFCs) não são bajulados por representantes de laboratório, não tem viagens pagas pelas farmacêuticas, se ocupam de 85% de todos os problemas de saúde e a sua Sociedade Científica (SBMFC) também não tem patrocínio da indústria farmacêutica. Seriam profissionais idealmente indicados para, ao menos participarem das diretrizes que envolvam qualquer doença, problema de saúde ou motivo de consulta em ambulatório.

Se a idéia do cardiologista Jadelson de Andrade* vingar (o governo destinar uma verba para a produção de diretrizes clínicas formuladas por pessoas isentas de conflitos), seríam os MFCs os contratados.

Resta saber se as coorporações permitiriam isto e se, caso os MFCs brasileiros tivéssemos a autonomia dos GPs ingleses, não passaríamos a ser a bola da vez da indústria, recebendo os presentinhos que hoje são dados aos fazedores de protocolos? Manteríamos a nossa atual neutralidade e autonomia?

#ficaapergunta

Fonte: Site Zaroio.com.br (foto linkada diretamente do site)

* coordenador das diretrizes da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Medicamentos disponibilizados gratuitamente em "Farmácias Populares"

Confira, abaixo, os princípios ativos dos medicamentos contra hipertensão e diabetes que passarão a ser oferecidos gratuitamente nos estabelecimentos credenciados ao Aqui Tem Farmácia Popular.

A relação dos nomes (comerciais) dos medicamentos será informada nos pontos de venda.

As medidas anunciadas nesta quinta-feira (3) deverão ser implementadas pelos estabelecimentos até o próximo dia 14, período concedido para adaptação dos sistemas de vendas das farmácias e drogarias conveniadas. Mas, aquelas que se adequarem antes desse prazo já poderão oferecer gratuitamente medicamentos contra hipertensão e diabetes aos usuários do programa.

Hipertensão
Captopril 25 mg, comprimido
Maleato de enalapril 10 mg, comprimido
Cloridrato de propranolol 40 mg, comprimido
Atenolol 25 mg, comprimido
Hidroclorotiazida 25 mg, comprimido
Losartana Potássica 50 mg

Diabetes
Glibenclamida 5 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 500 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 850 mg, comprimido
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 3ml (carpule)
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 1,5ml (carpule)
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 3ml (carpules)
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 1,5ml (carpules)

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12168

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011