domingo, 20 de maio de 2018

Escala de Coelho e Savassi de Vulnerabilidade Familiar - Como Usar

Terceiro Vídeo da Série de explicações.



Neste video, são apresentadas orientações básicas àqueles que estão com dúvidas na aplicação da Escala de Vulnerabilidade Familiar (Coelho & Savassi).


Engloba também explicações gerais sobre as sentinelas e seu uso, e resposta às principais dúvidas recebidas por email nos últimos tempos.





 Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

terça-feira, 1 de maio de 2018

Escala de Vulnerabilidade Familiar de Coelho & Savassi

Primeira parte

Estamos publicando aqui neste espaço o primeiro vídeo da Escala de Vulnerabilidade Familiar (antes chamada de Escala de Risco Familiar) de Coelho e Savassi. Haverá uma série de 4 vídeos nos quais as orientações diversas acerca do uso da Escala serão dadas.

No primeiro vídeo, as informações gerais e as origens da Escala de Vulnerabilidade Familiar. Assista:



Nos próximos vídeos:

- Orientações Gerais de uso e possibilidades de aplicação
- Revisão sobre as Evidências já encontradas.
- EVF-CS e o eSUS/ SISAB

Saiba mais: 

Site de Leonardo Savassi sobre a Escala.
Medicina de Família: EVF-CS e o eSUS SIS-AB


Veja ainda:



Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Grupo de Trabalho em Atenção Domiciliar

SBMFC cria grupo de trabalho em Atenção Domiciliar


Entenda

No 14o Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade foi estabelecido um grupo de trabalho em Atenção Domiciliar (AD), fundado por sócios da SBMFC e congressistas visando o aprimoramento e qualificação da AD no país, em especial nas vertentes do exercício profissional, da pesquisa e do ensino multiprofissional na área.

A Atenção Domiciliar hoje no Brasil se organiza em 3 eixos (veja apresentação abaixo), sendo a AD1 de responsabilidade da Atenção Primária, enquanto as AD2 e AD3 se relacionam a níveis crescentes de densidades tecnológicas, e são exercidas pelas EMAD com o apoio das EMAP.

Hoje no Brasil há cerca de mil equipes específicas de Serviços de Atenção Domiciliar (SAD):


Assim, a criação do GT agrega a possibilidade de ampliar a discussão neste sentido. 

Saiba Mais:


Email do Grupo de Trabalho Atenção Domiciliar: gtadsbmfc@gmail.com 

Leia também SBMFC entrevista Leonardo Savassi: vamos falar sobre atendimento domiciliar? 12/10/2017. Disponível em http://www.sbmfc.org.br/default.asp?site_Acao=MostraPagina&PaginaId=11&mNoti_Acao=mostraNoticia&noticiaId=1192  Florianópolis: SBMFC, 2017.

Conheça a Associação Brasileira dos Serviços de Atenção Domiciliar:
 https://www.facebook.com/atencaodomiciliar/ 




Leia transcrição do documento de fundação do GT AD SBMFC
Ata da reunião de fundação do Grupo de Trabalho em Atenção Domiciliar da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e ComunidadeLocal: Expo Unimed, Curitiba, sala 15.
Data: 03 de Novembro de 2017,
Horário: 18h 40 min.
No dia 03 de Novembro de 2017, às dezoito horas e quarenta minutos se reuniram no Centro de Convenções Expo Unimed, em Curitiba, Paraná, durante o décimo quarto Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, profissionais de saúde interessados em constituir o Grupo de Trabalho em Atenção Domiciliar da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.
Discutiram-se quais seriam os grandes eixos de desafios encontrados no cotidiano da Atenção Domiciliar, sendo inicialmente identificados:
- Assistência à saúde;
- Formação em Atenção Domiciliar;
- Pesquisa em Atenção Domiciliar;
- Abordagem do Cuidador;
- Exercício profissional.
Os presentes discutiram os desafios e as potencialidades do cuidado realizado no domicílio, e apresentam as seguintes justificativas para a criação do Grupo de Trabalho em Atenção Domiciliar, doravante denominado GT-AD.
Dentro dos desafios da Assistência Domiciliar a Saúde, destacam-se as dificuldades de integração das diferentes profissões para um cuidado em domicílio, a realização de atividades profissionais sem retaguarda institucional, a necessidade de critérios de inclusão em cada  modalidade de cuidados, instrumentos de transição do cuidado de forma efetiva entre os diferentes níveis de atenção domiciliar e os demais pontos da rede de atenção a saúde. Linhas de cuidado em AD são necessárias inclusive para embasar a prática. É necessária ainda a capacitação de profissionais que já estão no serviço.
No eixo da formação, destacam-se as necessidades de aprofundar e estabelecer um perfil de competências necessárias para a definição de um profissional de saúde visitador, entendendo que há competências necessárias para a formação do especialista em atenção primária, mas competências específicas que podem se traduzir na necessidade de um terceiro ano de residência. Demanda ainda cenários de formação diversificados, dentro de uma Rede de Atenção a Saúde ampla, que pode envolver serviços públicos e suplementares de atenção. Entendem a formação em AD hoje insuficiente na graduação, na pós-graduação, mas necessária para uma prática qualificada. E que desde a graduação deve-se fomentar a realização de atividades de estudantes dentro do domicílio.
No eixo da pesquisa, destacam-se as necessidades de apresentar evidências de nossa prática profissional como forma de comprovar, inclusive para gestores de serviços, a efetividade dos resultados assistenciais tanto no aspecto da qualidade da atenção, quanto na otimização de recursos. As evidências apontam que a Atenção Domiciliar se mostra mais custo-efetiva que outras opções da RAS, com qualidade assistencial.
A abordagem do cuidador envolve desde o seu papel de apoiador do processo de cuidado, até a sua avaliação enquanto indivíduo vulnerável que demanda apoio e cuidados da equipe de saúde. O cuidador assume parte relevante dos cuidados, incluindo parte das ações realizadas por profissionais de saúde quando de sua internação hospitalar. E é necessariamente foco de cuidados tanto por equipes de Atenção Primária quanto de Atenção Domiciliar.
No eixo do exercício profissional, destacam-se desde desafios da prática domiciliar, onde há maior autonomia de cuidadores profissionais e familiares que se traduzem em práticas que são conflituosas com as definições de exercício profissional, até o respaldo de equipes e profissionais de saúde para práticas necessárias no domicílio. A formação enquanto elemento fundamental para embasar a prática também é uma necessidade para os profissionais hoje.
Por todos estes motivos, os presentes entendem que há a necessidade de estabelecimento deste GT-AD para qualificar a Assistência a Saúde de pessoas sob os cuidados domiciliares, para debater e estruturar os processos de formação em Atenção Domiciliar, para fomentar a pesquisa nesta área, para debater e apoiar tanto os profissionais de saúde em sua prática domiciliar, quanto o cuidador familiar como indivíduo fundamental no processo de cuidado.  Debateu-se ainda a necessidade de integração com outros Grupos de Trabalho, tais como o GT de Cuidados Paliativos.
Os presentes elegem Leonardo Cançado Monteiro Savassi como coordenador deste primeiro GT-AD e Cibelle Gomes Lima Melo como vice coordenadora.
Curitiba, 03 de novembro de 2017. 

Veja entrevista sobre a Criação do GT:
 


Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Abandone o "Check-up" (clínico ou laboratorial) - mantenha o foco em situações de risco por ciclos de vida

Periodic Preventive Health Visits: A more appropriate approach to delivering preventive services

Consultas periódicas de saúde preventiva: uma abordagem mais adequada para a prestação de serviços preventivos


O que já se sabe:

O exame físico anual tradicional de adultos assintomáticos não é suportado por evidências de eficácia e pode resultar em danos. 

A Canadian Task Force on the Periodic Health Examination, desde sua primeira avaliação de evidências sobre serviços e ações que deveriam ser incluídas como exames de saúde periódicos, já recomendou abandonar o controle anual do tipo "check-up" e substituí-lo por "pacotes de proteção à saúde" específicos por ciclos de vida, voltados especificamente para a identificação e gerenciamento precoce de condições potencialmente evitáveis.

Em outras palavras, o que a CTFPHC está afirmando é que ir ao médico preventivamente, sem ter doenças pode fazer mais mal do que bem. 


O que o estudo traz:


Em um novo artigo publicado no Canadian Family Physician, a Canadian Task Force on the Periodic Health Examination (CTFPHC) reiterou sua posição de que o exame anual deve ser substituído por atividades específicas de prevenção de saúde apropriadas para a idade. Há um melhor valor nos intervalos periódicos (isto é, de acordo com a idade, risco e intervalos de teste específicos) para fornecer testes preventivos de orientação e triagem já comprovadamente benéficos.
Um exame físico anual de adultos assintomáticos geralmente inclui uma revisão do histórico de saúde do paciente, medicamentos, alergias e sistemas de órgãos e um exame físico completo que pode ser seguido de testes laboratoriais e discussão de riscos para a saúde, comportamento de estilo de vida e situação social . 
Uma revisão sistemática de 14 ensaios controlados randomizados indicou que esses exames gerais não reduzem a mortalidade total, a mortalidade cardiovascular ou a mortalidade por câncer.
Em comparação, uma consulta preventiva periódica de saúde de adultos assintomáticos envolve visitas de agendamento com base na idade, sexo e condições de saúde do indivíduo para fornecer aconselhamento preventivo, imunização e testes de rastreio efetivos conhecidos. Uma metaanálise de 19 ensaios sobre consultas periódicas de saúde preventiva entre pessoas com mais de 65 anos indicou uma diminuição da mortalidade e aumento da probabilidade de viver de forma independente na comunidade. Esta abordagem permite uma discussão mais detalhada dos benefícios e riscos do rastreio e de uma abordagem de tomada de decisão compartilhada no contexto das circunstâncias particulares de cada paciente.


Leia o abstract:
The annual checkup is a long-established tradition in North America. Typically this visit entails a review of the patient’s health history, medications, allergies, and organ systems, as well as a “complete” physical examination that is sometimes followed by laboratory testing and discussion of health risks, lifestyle behaviour, and social situation. These visits consume substantial time and resources. Whether or not they provide health benefits that justify this effort has been much debated.

The Canadian Task Force on the Periodic Health Examination, established in 1976, was one of the first groups to use systematic methods to assess what services should be included in periodic health examinations. The first report recommended abandoning the annual checkup and replacing it with age-specific “health protection packages” that focused on the identification and early management of potentially preventable conditions. The role of the physical examination in preventive care was de-emphasized in favour of activities such as risk factor assessment.
More recently, the College of Family Physicians of Canada in association with Choosing Wisely Canada similarly recommended that family physicians not do annual physical examinations but instead provide periodic preventive health checks.


Leia o resumo traduzido:


O check-up é uma tradição estabelecida há muito tempo na América do Norte. Normalmente, esta consulta implica uma revisão dos antecedentes de saúde do paciente, medicamentos, alergias e sistemas de órgãos, bem como um exame físico "completo" que às vezes é seguido por testes laboratoriais e discussão de riscos para a saúde, comportamento do estilo de vida e situação social. Essas consultas consomem tempo e recursos substanciais. Tem sido muito debatido se eles fornecem ou não benefícios de saúde que justificam esse esforço .


O grupo de trabalho canadense sobre o exame periódico de saúde (Canadian Task Force on the Periodic Health Examination), criado em 1976, foi um dos primeiros grupos a usar métodos sistemáticos para avaliar quais serviços devem ser incluídos nos exames de saúde periódicos. O primeiro relatório recomendou abandonar o controle anual e substituí-lo por "pacotes de proteção à saúde" específicos da idade que se concentraram na identificação e no gerenciamento precoce de condições potencialmente evitáveis. O papel do exame físico em cuidados preventivos foi proscrito em favor de atividades como avaliação de fatores de risco.


Mais recentemente, o Colégio de Médicos de Família do Canadá, em associação com a Choosing Wisely Canadá, também recomendou que os médicos de família não façam exames físicos anuais, mas, em vez disso, forneçam verificações de saúde preventivas periódicas.

Acesse:

The College of Family Physicians of Canada


Publicado por Leonardo Savassi originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
Fonte: Canadian Task Force on Preventive Health Care’s (CTFPHC) Newsletter

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Sobrediagnóstico em Mamografias - Mais evidências sobre os danos do rastreio

Breast Cancer Screening in DenmarkA Cohort Study of Tumor Size and Overdiagnosis


O que sabemos

Estudos de triagem devem ser rápidos, baratos, eficazes, e detectar precocemente doenças para as quais um tratamento diferencial e efetivo pode ser ofertado no momento da detecção precoce. 

Atualmente, as ações de rastreio tem sido cada vez mais questionadas, sob a avaliação de que muitas vezes detectam situações que não chegarão a se constituir em doenças, podendo causar mais danos que benefícios.

A Prevenção Quaternária, ou prevenção de iatrogenias, se dedica a avaliar estas situações, e estudos sobre os malefícios de estratégias preventivas vem sendo desenvolvidos cada vez com maior frequência. 

Um programa de triagem de câncer da mama deveria portanto reduzir a incidência de tumores mais perigosos e avançados ao longo do tempo, e não triar tumores iniciais que podem levar pacientes ao dano. 


O que este estudo traz

O estudo de coorte da Dinamarca é especialmente importante porque neste país acompanhou-se por 17 anos unicamente 20% das mulheres com idade elegível que foram convidadas para participar na triagem, enquanto aos outras 80% não foram submetidas a triagem. 

Isso permitiu que os investigadores dinamarqueses incluíssem mulheres que não haviam sido submetidas a qualquer triagem como controles em sua análise, não dependendo de uma amostra limitante de controles. 

Com isto, os 17 anos representam o período mais longo de "acesso diferenciado à mamografia" em qualquer país, e com a possibilidade de controles ecológicos e melhor pareamento. 

Os tumores iniciais ou não avançados foram definidos como cânceres com menos de 20 mm e tardios/ avançados se acima de 20 mm. Assim, os investigadores dinamarqueses descobriram que apenas a "incidência" de tumores não-avançados aumentou "acentuadamente" no período de triagem versus o período pré-teste (incidência de 1,49; I.C 95% = 1,43-1,54). Em outras palavras, os pesquisadores descobriram que os exames de triagem não estavam detectando precocemente tumores avançados, mas apenas aumentando a detecção de tumores iniciais.

Assim, o que está cada vez mais claro é que a triagem de câncer de mama também não é isenta de sobrediagnóstico e de danos a quem a realiza de rotina, o que ainda não é fator suficiente para abandonarmos a mamografia como método. Mas que certamente levanta mais questionamentos sobre o rastreio universal e sobre sua periodicidade. 

Definir QUAIS mulheres deveriam ser rastreadas e sob qual periodicidade nos parece ser uma alternativa cada vez mais adequada, a partir desse corpo de evidências. 


Leia o Abstract Traduzido

Pano-de-fundo: O rastreio eficaz do câncer da mama deve detectar o tumor em estágio inicial e prevenir a doença avançada.
Objetivo: Avaliar a associação entre o rastreio e o tamanho dos tumores detectados e estimar o sobrediagnóstico (detecção de tumores que não se tornariam clinicamente relevantes).
Design: Estudo de coorte.
Configuração: Dinamarca de 1980 a 2010.
Participantes: Mulheres de 35 a 84 anos.
Intervenção: Programas de rastreamento que oferecem mamografia bienal para mulheres com idades entre 50 e 69 anos começando em diferentes regiões em momentos diferentes.
Medições: Foram medidas as tendências na incidência de tumores de cancro da mama avançados (> 20 mm) e não avançados (≤ 20 mm) em mulheres pesquisadas e não pesquisadas. Duas abordagens foram utilizadas para estimar a quantidade de sobrediagnóstico: comparando a incidência de tumores avançados e não avançados entre mulheres de 50 a 84 anos em áreas de rastreio e não- E comparando a incidência de tumores não avançados entre mulheres de 35 a 49 anos, de 50 a 69 anos e de 70 a 84 anos em áreas de rastreio e não-screening.
Resultados: A triagem não foi associada com menor incidência de tumores avançados. A incidência de tumores não avançados aumentou nos períodos de rastreio versus pré-rastreio (taxa de incidência, 1,49 [IC 95%, 1,43 a 1,54]). A primeira abordagem de estimação descobriu que 271 tumores de mama invasivos e 179 lesões de carcinoma ductal in situ (DCIS) foram superdiagnosticados em 2010 (taxa de sobrediagnóstico de 24,4% [incluindo DCIS] e 14,7% [excluindo DCIS]). A segunda abordagem, que explicou as diferenças regionais em mulheres mais jovens do que a idade de triagem, revelou que 711 tumores invasivos e 180 casos de DCIS foram superdiagnosticados em 2010 (taxa de sobrediagnóstico de 48,3% [incluindo DCIS] e 38,6% [excluindo DCIS]).
Limitação: As diferenças regionais complicam a interpretação.
Conclusão: O rastreio do câncer da mama não foi associado com uma redução na incidência de tumor avançado. É provável que 1 em cada 3 tumores invasivos e casos de DCIS diagnosticados em mulheres oferecidas rastreio representam overdiagnosis (aumento da incidência de 48,3%).


Acesse o artigo em:



Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Acesso Avançado: afinal, o que é isso?

Acesso Avançado 
Webs do Telessaúde UFRGS e links para material complementar

Entenda:

O princípio do Acesso Avançado (AA) é "fazer hoje o trabalho de hoje", sob a lógica de que, se você conseguir inicialmente dar conta da demanda e não "agendar" em pouco tempo você consegue qualificar a atenção e com isso resolver o problema da fila na UBS. 
O Acesso Avançado (AA) é um sistema moderno de agendamento médico que consiste em agendar as pessoas para serem atendidas pelo médico no mesmo dia ou em até 48 horas após o contato do usuário com o serviço de saúde. Diversos Sistemas Nacionais de Saúde no mundo, tais como Canadá e Inglaterra, por exemplo, implementaram o acesso avançado na Atenção Primaria à Saúde (APS) com o objetivo de melhorar o acesso das pessoas aos cuidados em saúde. O Acesso Avançado tem como objetivos diminuir o tempo de espera por uma consulta médica, diminuir o número de faltas às consultas médicas e aumentar o número de atendimentos médicos da população. Equipes de Saúde da Família, estratégia preconizada pelo Ministério da Saúde como formas de orientação da Atenção Primária no Brasil têm utilizado esse novo sistema com tais objetivos. Fonte: Tese de Thiago Barra Vidal orientada por Sotero Serrate Mengue

Há algum tempo já queríamos postar algo sobre esse tema, e a oportunidade surgiu a partir do acúmulo de material relevante. O vídeo da página "Diário de um Centro de Saúde" traz informações bem interessantes (e breves) sobre AA:



Nessa postagem trazemos alguns links de interesse e em especial o material que o Telessaúde RS produziu. 

Veja também:

Estudos sobre o tema:


estudo de Vidal  demonstrou em Florianópolis que equipes que optaram pelo acesso avançado atendem um número superior de consultas médicas em comparação com outras formas de agendamento médico. Em Sobral-CE, o acesso avançado foi efetivo como uma medida resolutiva ao absenteísmo às consultas programadas. 

Em São Paulo, Arrojo Júnior &  Fabi demonstraram maior capacidade de agendamento futuro mesmo em uma UBS com menor número de médicos; já Figueira, Gyuricza, Jesus & Leal também em São Paulo demonstraram um acréscimo de mais de 200 atendimentos/mês, aumento na demanda atendida nas faixas etárias de 15 a 19 anos e de 20 a 39 anos e de procura proporcional do sexo masculino, e um um aumento de 6,5% nas consultas de cuidado continuado. Ambos os resumos estão publicados nos anais do Congresso Paulista de MFC. 

Assista:





Também de forma bem interessante os seguintes vídeos podem ser ilustrativos inclusive na forma como as equipes se organizaram para implantar o acesso avançado:



 

Saiba mais:

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

domingo, 28 de agosto de 2016

Revisão da literatura sobre demanda oculta

Como se estuda o que não se diz: uma revisão sobre demanda oculta


Nesse artigo,  Antônio Modesto e Márcia Couto discutem o problema da demanda oculta de pacientes na consulta, algo recorrente em especial na prática da APS.

O que já se sabe:

Profissionais de saúde não investigam demandas ocultas, e há uma vasta literatura apontando motivos para realizá-las e ensinando como fazer, mas parece haver pouca discussão sobre por que isso ocorre.

O que este estudo trás:

Embora conheçamos como síndrome da maçaneta, os autores pondera que demanda oculta parece a melhor forma de chamar as queixas ou preocupações tardias ou mais dificilmente expressadas.

A revisão encontrou 210 artigos ao longo de 15 anos, e depois de excluídos artigos que apontavam questões específicas ou não ligados a prática clínica, foram discutidos os resultados encontrados. Um número significativo de artigos partiu de Médicos de Família e Comunidade, e poucos artigos sobre o tema são brasileiros, demonstrando a ainda frágil possibilidade de pesquisas sobre o tema. 

Outro ponto interessante do artigo é conhecer um pouco mais sobre as técnicas usadas para este tipo de análise. Estudos sobre a relação médico-paciente em geral são mais trabalhosos em termos de coleta de dados, e em geral ou criam informações pouco claras para serem tabuladas quantitativamente, ou geram resultados qualitativos diversos, com categorizações múltiplas e análises complexas. 

De maior importância, os autores ressaltam que é fundamental revelar a demanda oculta para um diagnóstico biopsicossocial integral, permitindo ao médico oferecer tratamento apropriado, e está relacionado às habilidades de comunicação de escutar e interpretar pistas não verbais, e que quando os médicos entendem as preocupações dos pacientes, há maior satisfação e adesão ao tratamento. Uma estratégia interessante apontada pelo autor é a de usar mais questões abertas e perguntar por outras demandas várias vezes na consulta, com foco num espaço maior para a formulação de preocupações . 

Leia o resumo:
Objetivos: Pessoas com demandas aparentemente bem delimitadas podem, muitas vezes, ter queixas ou preocupações ocultas ou tardiamente apresentadas, chamadas em inglês de hidden agendaby the way syndrome ou doorknob syndrome (“síndrome da maçaneta”). Poucos trabalhos abordam o fenômeno em contexto clínico discutindo seus aspectos ou consequências sobre o cuidado do ponto de vista sociocultural. Uma pesquisa qualitativa sobre saúde dos homens realizada pelos autores exigiu estudar a produção científica relacionada à hidden agenda de forma descritiva e interpretativa. Métodos: Esta revisão, do tipo estado da questão, abarcou artigos que tratassem da hidden agenda (ou expressões similares) no contexto clínico geral ou especializado, médico ou multiprofissional, em português, inglês ou espanhol, no período de 2000 a 2014. Partindo de 210 resultados iniciais em 3 bases de dados internacionais, foram selecionadas 39 publicações, que foram avaliadas quanto a características objetivas e subjetivas. Resultados: Identificando os temas predominantes nas pesquisas, notamos que hidden agenda é a expressão mais específica, sendo demanda oculta sua melhor tradução. Quase todos os estudos relacionavam a atenção a demandas ocultas a melhores desfechos ou desdobramentos do atendimento, embora nenhum avaliasse essas consequências de forma aprofundada. Conclusão: A revisão deixa claro que a demanda oculta é um elemento problematizador para pensar a prática médica e potencializador para a clínica, especialmente ao buscar-se um cuidado integral e um diálogo efetivo entre profissional e usuário(a). São necessários estudos que articulem o fenômeno a aspectos socioculturais ou tecnoassistenciais e que contemplem alguma discussão sobre construção da demanda, ausente nos artigos revisados.
Acesse:







Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Diretrizes canadenses recomendam contra colonoscopia para o rastreio de câncer em pacientes de risco habitual.

Recommendations on screening for colorectal cancer in primary care 
Canadian Task Force on Preventive Health Care*


Entenda

Para entender o que há de ciência na triagem, o artigo traz alguns pontos chave:

• Os dados de ensaios clínicos randomizados (ECR) mostram que a triagem para câncer colorretal com  pesquisa de sangue oculto fecal (PSOF) ou sigmoidoscopia flexível reduzem a incidência de câncer colorretal em estágio final câncer e mortalidade por câncer colorretal.
• Embora os benefícios relativos de triagem pareçam semelhantes para idosos (60-74 anos) e mais jovens (50-59 anos), os benefícios absolutos de rastreio são maiores para os primeiros por causa da maior incidência de câncer colorretal.
• Comparado com PSOF, ensaios imunoquímicos fecais (FIT) tem maior sensibilidade, com especificidade semelhante; e o teste parece não ter danos substanciais, exceto por danos devido a follow-up, investigações e terapias derivadas do rastreio.
• Não há ensaios clínicos randomizados que relatem o benefício de mortalidade de triagem por colonoscopia, a colonografia tomográfica computadorizada, enema de bário, exame retal digital ou o teste de DNA fecal.
• Recursos, a disponibilidade de teste e as preferências do paciente devem ser considerados na escolha de um teste de rastreio.

Os autores apontam que realizar PSOF ou FIT a cada dois anos é suficiente para uma triagem adequada. Caso seja indicada, e de acordo com as preferências do paciente, uma sigmoidoscopia flexível a cada 10 anos também é adequada.  

O que este artigo traz:

A Canadian Task Force on Preventive Health Care (CTFPHC - Força-Tarefa canadense sobre Cuidados Preventivos em Saúde) agora recomenda contra o uso de colonoscopia como uma ferramenta de rastreio primário em adultos assintomáticos com idade entre 50 e mais velhos que não sejam de alto risco para câncer colorretal (recomendação fraca). 

O grupo diz que não há provas suficientes de superioridade colonoscopia para outros testes de triagem, particularmente testes de imunoquímica fecal (FIT). Entre as outras recomendações para pacientes de risco médio, publicado no Canadian Medical Association Journal:
1. Adultos com idade entre 50-74 devem ser rastreados a cada 2 anos, quer com pesquisa de sangue oculto fecal (PSOF) ou FIT, ou a cada 10 anos com sigmoidoscopia flexível (forte recomendação para pacientes com 60-74 anos; recomendação fraca para pessoas com 50-59 anos).
2. Adultos com idade entre 75 e mais velhos não devem ser rastreados (recomendação fraca).

Em contraste com a  orientação 2015 para rastreio adultos com idades entre 50-75, a USPSTF (Task Force dos Serviços Preventivos dos EEUU) recomenda a colonoscopia a cada 10 anos; FIT ou PSOF anualmente; ou sigmoidoscopia flexível a cada 10 anos, mais FIT anualmente.

Os autores canadenses sugerem que os médicos de Atenção Primária ofereçam triagem para todos os pacientes com idades entre 60-74, discutam os benefícios e danos com pessoas entre 50-59 anos, e considerem as preferências individuais em pacientes com idades entre 75 e mais velhos.

 A orientação não se baseia em novos dados, mas em uma reinterpretação de dados atuais. Apesar das diferenças com orientações dos E.U.A., continua a haver uma recomendação para prosseguir com a triagem., e este documento fornece uma variedade de opções de rastreio.

Estas recomendações aplicam-se a adultos com idades entre 50 anos e mais velhos que não são de alto risco para câncer colorretal. Eles não se aplicam a pessoas com câncer colorretal anterior ou pólipos, doença inflamatória do intestino, sinais ou sintomas de câncer colorretal, história de câncer colorretal em um ou mais parentes de primeiro grau, ou adultos com síndromes hereditárias que predispõem ao câncer colorretal (por exemplo, polipose adenomatosa familiar, síndrome de Lynch).


Acesse:




Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Estudo sobre nascimentos (planejados) em casa: riscos do parto domiciliar

Planned Out-of-Hospital Birth and Birth Outcomes


Estudo aponta ligações entre nascimentos não-hospitalares (planejados) e risco ligeiramente maior de mortalidade infantil. Mas as probabilidades globais ainda são baixas em ambos os casos.


Entenda

Nos Estados Unidos (e no Brasil também), o número de partos realizados fora do hospital - ainda que planejados - tem aumentado. 

 Em nosso país, os movimentos que defendem o parto fora do hospital apontam como justificativa o risco maior de "violência obstétrica", de procedimentos supostamente desnecessários como a episiotomia de rotina, indicações excessivas de cesarianas e não respeito aos direitos das gestantes. 

Ao menos no que diz respeito ao excesso de procedimentos, as críticas são fundadas: 
O Brasil é conhecido por altas taxas de cesariana desnecessária ("o corte acima"), realizada em mais de dois terços dos nascimentos no setor privado, onde 30% das mulheres dão à luz. A taxa de 94,2% de episiotomia ("o corte por baixo") em mulheres que dão à luz por via vaginal, afetam 70% das mulheres pobres usando o setor público. (Fonte: Diniz & Chacham)
Por outro lado, ainda no Brasil, obstetras (e pediatras) apontam os riscos de nascimento sem atenção especializada como irresponsabilidade, ignorância quanto aos avanços médicos, submissão a riscos com doulas que não estariam preparadas para as complicações do parto - caso hajam - e um suposto desejo das mães de se tornarem - nas palavras de um blogueiro - "as estrelas principais de um espetáculo no qual o bebê deveria ser o astro".

Assim, movimentos nacionais como "O renascimento do parto", "Parto Humanizado" e "Violência obstétrica" advogam pelo direito do parto em casa como opção ao hiperintervencionismo e suposta insensibilidade dos médicos. 

Nos Estados Unidos, os partos extra-hospitalares também são incomuns, representando menos de 1% dos nascimentos, de acordo com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, mas estão aumentando. Lá a discussão versa sobre qual deve ser a conduta dos médicos frente a mães que querem dar à luz fora de um hospital. Especialistas do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston e os próprios autores do artigo em questão concordam que parteiras são cruciais, e que é importante ter uma boa comunicação com um hospital no caso de uma emergência. 

Segundo eles, a melhor forma de assegurar nascimentos adequados fora do hospital é certificar-se que as parteiras tenham uma estrutura formal de backup com um médico designado em um hospital próximo para que a mãe possa se transferir se as coisas começarem a se complicar. Essa melhor comunicação também reduziria o atrito entre os hospitais - que "só vêem as complicações" -  e as doulas ou parteiras.   



O que este estudo traz

Segundo este estudo conduzido na Oregon Health & Science University School of Medicine, bebês que nascem fora de um hospital são mais propensos a nascerem mortos ou morrerem no primeiro ano de vida. O estudo foi publicado em 31 de dezembro de 2015 no New England Journal of Medicine

Os autores apontam um risco duas vezes maior de óbito no domicílio, mas o risco de morte em ambos os grupos foi pequeno. Uma das limitações deste estudo é que ele não foi desenhado para provar uma relação de causa e efeito entre as mortes infantis e partos não-hospitalares, ou seja, ele apenas demostra uma ligação entre esses fatores. 

O estudo analisou estatísticas de quase 80 mil nascimentos ocorridos em Oregon em 2012 e 2013. A localidade foi providencial para o estudo porque Oregon exige uma extensa lista de informações na certidão de nascimento. Pouco mais de 3.200 mulheres planejaram seus partos em casa ou em um centro de parto autônomo. Os pesquisadores compararam essas mulheres àquelas que planejaram dar à luz em um hospital - quase 76 mil mulheres, o que é também uma limitação do estudo (amostras tão díspares)

Os pesquisadores descobriram que 94% dos nascimentos fora do hospital foram por partos vaginais não assistidos em comparação com 72% dos partos hospitalares. Cabe aqui explicar que partos vaginais não assistidos são aqueles em que propositalmente o assistente do parto deixa o parto ocorrer sem necessidade de intervenção (e não que o parto ocorreu sem assistência). Ou seja, em 28% dos partos hospitalares alguma intervenção foi realizada.  

Os pesquisadores também observaram uma menor chance de adoção de procedimentos obstétricos - tais como a indução do trabalho de parto e parto cesárea - com partos domiciliares, bem como menor chance de internação em unidade de terapia intensiva neonatal. 

Mas o dado mais alarmante foi que o nascimento extra-hospitalar associou-se com uma maior taxa de morte perinatal, de 3,9 por mil partos, mais de duas vezes maior do que o parto planejado hospitalar que registrou 1,8 mortes por 1.000 partos (P = 0,003), Isso representou uma razão de chance, mesmo após ajustada para as características maternas e condições médicas de 2,43 por mil partos (intervalo de confiança de 1,37-4,30), o que representa um aumento do risco da ordem de 1,52 mortes (a mais) por 1.000 nascimentos.

Além disso, as chances de convulsão neonatal foram maiores com nascimentos planejados fora do hospital do que com o nascimento planejado em-hospital


Veja também:

Desfechos do Parto Domiciliar com Parteira x Parto Hospitalar por Parteira x Parto Médico Hospitalar



Leiao Abstract traduzido:

ANTECEDENTES A frequência de nascimentos planeados para fora do hospital nos Estados Unidos tem aumentado nos últimos anos. O valor de estudos que avaliam os riscos perinatais de nascimento extra-hospitalar planejado contra o parto hospitalar tem sido limitado por casos em que é necessária a transferência para um hospital e um nascimento que foi inicialmente planejado como um parto fora do hospital é erroneamente classificada como um parto hospitalar.

MÉTODOS Realizamos um estudo de coorte retrospectivo de base populacional de todos os nascimentos que ocorreram em Oregon em 2012 e 2013, usando dados de certidões de nascimento Oregon recém-revistas que permitiram a desagregação dos partos hospitalares nas categorias de partos hospitalares planejado e nascimentos extra-hospitalares planejados ocorridos no hospital após a transferência intra-parto de uma mulher para o hospital. Foram avaliados a morbi-mortalidade perinatal, morbidade materna e procedimentos obstétricos de acordo com a configuração de nascimento planejado (fora do hospital vs. hospitalar).
RESULTADOS Nascimento planeado para fora do hospital associou-se com uma maior taxa de morte perinatal do que o parto planejado hospitalar (3,9 vs 1,8 mortes por 1.000 partos, P = 0,003; odds ratio após o ajuste para as características maternas e condições médicas, 2,43; intervalo de confiança de 95% [IC], 1,37-4,30; diferença do risco ajustado, 1,52 mortes por 1.000 nascimentos; 95% CI, 0,51 a 2,54). As chances de convulsão neonatal foram maiores e as chances de internação em unidade de terapia intensiva neonatal inferior com nascimentos planejados  fora do hospital do que com o nascimento planejado em hospital. Nascimento planeado para ocorrer fora do hospital também foi fortemente associado ao parto vaginal sem assistência (93,8%, contra 71,9% com nascimentos planejados  intra-hospitalares; P < 0,001) e com menor chance de ter procedimentos obstétricos. 
 CONCLUSÕES A mortalidade perinatal foi maior com o nascimento planejado fora do hospital do que com o nascimento planejado em hospital, mas o risco absoluto de morte foi baixo em ambas as configurações. (Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver.)  

Conclusões

Mais do que prescrever comportamentos, os resultados fornecem aos futuros pais e seus respectivos médicos números que permitem uma base racional para o planejamento sobre onde eles querem ter seu bebê, considerando o que é importante para eles e quais os riscos eles estão dispostos a tolerar. O que está de acordo com uma medicina centrada na pessoa e não na doença ou no profissional, autonomizando a pessoa na sua tomada de decisão. 

Embora a probabilidade extra de morte em partos não-hospitalares no estudo possa parecer alta, há pessoas que perceberão esses riscos como aceitáveis, a fim de evitar as intervenções às quais eles realmente não querem ser submetidos. Assim, pode-se ver a decisão de se ter filhos em casa como assumir um risco duas vezes maior de óbito, ou perceber que esse aumento, sendo de 0,18% no hospital e 0,39% em casa, continua sendo mínimo. 

O que se deve pensar também, em termos de validade externa - ou seja, aplicabilidade em nossa realidade - é se as parteiras e doulas do Brasil estão mais ou menos preparadas que aquelas dos Estados Unidos (e de outros países), se nossos hospitais tem capilaridade suficiente (estão suficientemente próximos) para receber situações complicadas. 

No Editorial do NEJM sobre este artigo, chama-se atenção para o fato. Um outro estudo, do Canadá, sugeriu que o parto domiciliar é tão seguro para bebês como parto hospitalar, mas as parteiras são reguladas de forma mais rigorosa no Canadá do que nos Estados Unidos; num estudo holandês, houve um aumento do risco para nascimentos fora do hospital semelhante ao estudo de Oregon. 


Acesse: 

abstract do artigo: 



O editorial (não está em livre acesso):




Saiba Mais:
Análise de evidências da Colaboração Cochrane



Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Brinquedos eletrônicos barulhentos podem dificultar a fala das crianças

Um estudo publicado no JAMA Pediatrics descobriu que lactentes (crianças até 2 anos) falam menos quando seus brinquedos falam, cantam ou acendem-se mais

Entenda:


Chegamos ao Natal e pais, avós e padrinhos se esforçam para encontrar os presentes perfeitos. Entretanto, uma nova pesquisa sugere que os brinquedos eletrônicos que se acendem, falar ou tocam música pode retardar o desenvolvimento da linguagem em crianças. Apesar de parecerem ideais para o desenvolvimento de mentes, os resultados do estudo oferecem uma base para desencorajar a compra de brinquedos eletrônicos que são promovidos como educacionais e muitas vezes são muito caros.

Por outro lado, quando pais e filhos se envolvem em conversas durante jogos, o estímulo ajuda a ensinar a linguagem aos filhos e lançar as bases para a alfabetização, ensinar a interpretação (role-playing) dando aos pais uma janela na fase de desenvolvimento e enfrentamento de desafios pelos filhos, e ensinar habilidades sociais, tais como troca de turno e liderança, aceitando a dos outros.



O que este estudo traz:

O estudo envolveu 26 pares de pais e filhos com idades entre 10 meses a 16 meses. Usando equipamentos de áudio, e os investigadores gravaram os sons em casas dos participantes para monitorar sua reprodução. Cada família recebeu três conjuntos de brinquedos. O primeiro conjunto incluído brinquedos eletrônicos, tais como um laptop para bebês, uma fazenda falante e um celular para bebês. O segundo conjunto incluía brinquedos tradicionais, como quebra-cabeças de madeira, um classificador de formas e blocos de borracha com fotos. Os participantes também receberam cinco livros-placas temáticos com animais de criação, formas ou cores.

Os brinquedos eletrônicos que falavam, se iluminavam e cantavam canções eram menos benéficos para o desenvolvimento da linguagem do que os tradicionais brinquedos ou livros. Estes brinquedos chamativos e populares produziram uma quantidade menor e qualidade pior da linguagem do que outros brinquedos tradicionais.


Enquanto as crianças estavam brincando com brinquedos eletrônicos, seus pais também falaram menos, houve também menos trocas verbais entre os pais e seus filhos, e os pais responderam com menos frequência para as crianças. Os bebês também eram menos vocais e produziram menos palavras de conteúdo específico enquanto brincavam com brinquedos eletrônicos barulhentos. Livros, por outro lado, produziram os intercâmbios mais verbais entre os pais e seus bebês.


Estes resultados ampliam o corpo de evidências que suportam os benefícios potenciais da leitura do livro com as crianças muito jovens. Além disso, jogos com brinquedos tradicionais podem resultar em interações comunicativas que são tão ricos como aqueles que ocorrem durante a leitura do livro.

Embora se trate de um estudo pequeno e com pouca diversidade sócio-cultural (a maioria das famílias veio de origens semelhantes), o estudo aponta que brinquedos eletrônicos que fazem ruídos ou acendem são extremamente eficazes em comandar a atenção das crianças, ativando seu reflexo de orientação. Este reflexo primitivo obriga a mente a se concentrar em novos estímulos visuais ou auditivas,

Finalmente, os autores sugerem que os pais com agendas lotadas tentem aproveitar ao máximo o tempo de qualidade que eles têm com seus filhos pequenos.

O artigo foi anunciado em um comunicado de imprensa do JAMA Pediatrics ontem, dia 23 de dezembro de 2015, portanto depois que a maioria dos adultos já fez suas compras de Natal. Fica a dica para os próximos. E um Feliz Natal aos leitores do Blog MFCbr.


Leia o Editorial em Livre acesso:



O artigo estará disponível em 28 de dezembro no JAMA Ped:

Sosa AV. Association of the type of toy used during play with the quantity and quality of parent-infant communication [published online December 28, 2015]. JAMA Pediatr. doi:10.1001/jamapediatrics.2015.3753.


Leia ainda:

Effect of Block Play on Language Acquisition and Attention in Toddlers
A Pilot Randomized Controlled Trial



Riscos de brinquedos com laser em crianças





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Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com