Autores: Sandro Rogério Batista, Paulo César Brandão Veiga Jardim, Ana Luiza Lima Souza, Cláudia Maria Salgado.
Objetivo: Analisar taxas de hospitalização por condições cardiovasculares sensíveis à atenção primária.
Métodos: Estudo ecológico com 237 municípios do Estado de Goiás, de 2000 a 2008, utilizando dados do Sistema de Informação Hospitalar e Sistema de Informação da Atenção Básica. As taxas de hospitalização foram calculadas pela proporção entre o número de hospitalizações por condições cardiovasculares e a população acima de 40 anos. Foram avaliadas em triênios: A (2000-2002), B (2003-2005) e C (2006-2008), segundo sexo, faixa etária, porte populacional, pertencimento à região metropolitana, macrorregião de saúde, distância da capital, Índice de Condições de Vida e Saúde e cobertura de Estratégia Saúde da Família. A cobertura populacional potencial da Saúde da Família foi calculada conforme diretrizes doMinistério da Saúde. A variabilidade das taxas foi avaliada segundo teste t e ANOVA.
Resultados: Ocorreram 253.254 internações (17,2% do total) por condições cardiovasculares sensíveis à atenção primária. As taxas de hospitalização diminuíram entre os triênios: A (213,5, dp = 104,6), B (199,7, dp = 96,3) e C (150,2, dp = 76,1), com diferença entre os períodos A-C e B-C (p < 0,001). Porte populacional municipal não influenciou o comportamento das taxas. Municípios próximos à capital e aqueles da região metropolitana apresentaram maiores taxas (p < 0,001). Em todos os percentis do Índice de Condições de Vida e Saúde, houve redução das taxas (p < 0,001), exceto no percentil 1. Redução foi também observada em todas as macrorregiões, exceto na região nordeste do estado. A redução das taxas ocorreu independentemente dacobertura da Saúde da Família.
Conclusões: As taxas de hospitalização por condições cardiovasculares sensíveis à atenção primária diminuíram nesses municípios, independentemente da cobertura da Saúde da Família.
Publicado na Rev. Saúde Pública [online]. 2012, vol.46, n.1, pp. 34-42. Epub 06-Jan-2012. ISSN 0034-8910.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102012000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
Publicado originalmente em Rede de Pesquisa em APS, e nesse blog por Ricardo Alexandre de Souza em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
segunda-feira, 12 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Rede de Pesquisas APS entrevista Renato Tasca

Médico, formado em Turim, Itália. Especializou-se em saúde pública na Itália (Universidade de Turim) e na Inglaterra (London School of Tropical Medicine and Hygiene e Institute of Development Sudies de Brighton, Sussex). No final dos anos oitenta, junto com a Cooperaçao Italiana foi Coordenador do "Projeto Distrito Sanitário de Pau da Lima" em Salvador, Bahia, uma experiência pioneira com sistemas regionalizalizados de atenção à saúde no âmbito do SUS. Trabalhou em projetos de cooperação técnica na área da saúde com várias instituições em vários países da América Latina e da África, entre elas OPS, BID, Banco Mundial e Comunidade Européia. De 2001 a 2005 foi coordenador do programa "Cantieri", uma iniciativa nacional de apoio à reforma e modernização das administrações públicas, promovidas pelo governo da Itália. Desde 2008 coordena a Unidade Técnica de Serviços de Saúde da OPAS/OMS no Brasil.
1. Nesses quatro anos como coordenador de serviços de saúde na OPAS/Brasil, como o senhor avalia a contribuição da OPAS para o aperfeiçoamento do SUS em nosso país?
É difícil fazer uma avaliação desse tipo. O SUS é um sistema enorme, extremamente complexo e em contínua evolução. Para ter uma contribuição efetiva, a Opas deve tentar focar a sua cooperação/ apoio em alguns aspectos específicos, aonde pode realmente agregar valor. Na área de serviços de saúde nós tentamos focar nossa ação na gestão do conhecimento. Concentramos esforços para resgatar os saberes e os conhecimentos que são desenvolvidos pelos gestores do SUS nas diferentes realidades do Brasil. Com os Laboratórios de Inovação buscamos valorizar e divulgar práticas, instrumentos e metodologias de trabalho inovadoras para fortalecer a gestão do SUS, para apoiar os gestores a construir as próprias soluções se beneficiando das experiências de outros. Os gestores do SUS, para aprimorar a gestão e melhorar a qualidade da atenção à saúde, necessitam muito interagir, debater e conhecer outras experiências. O trabalho de análise e valorização de experiências inovadoras de gestão de redes de atenção foi a nossa principal contribuição nesses anos.
2. Em sua opinião, quais as vantagens de se organizar os serviços de APS com base na Estratégia Saúde da Família?
As vantagens são enormes e os benefícios para a população gigantescos! Mas a minha opinião conta pouco. O que conta de verdade são os inúmeros trabalhos de pesquisa e de análise que proporcionam evidências incontestáveis que, no Brasil, a Estratégia Saúde da Família levou a resultados extraordinários, por exemplo, a redução da taxa de mortalidade infantil e de menores de 5 anos, a queda das internações sensíveis a atenção ambulatorial, são apenas alguns exemplos do valor público produzido por esta política inovadora.
3. No cenário internacional, quais as possíveis contribuições e sinergismos podem surgir de uma maior interação entre os países integrantes do bloco BRICS para a construção das redes de atenção com base na APS?
Os países BRICS representam um grupo emergente de países, cujo papel no desenvolvimento global é muito importante. Graças ao rápido crescimento econômico dos últimos anos, os sistemas públicos desses países devem proporcionar às populações respostas sociais coerentes com as novas expectativas. Índia e China estão com grandes dificuldades, pois estão tirando da pobreza um grande número de pessoas, mas existem graves problemas de cobertura e de modelos de atenção nesses países. O Brasil, implementando a Saúde da Família, demonstrou que a cobertura universal é alcançável em prazos relativamente curtos e é uma estratégia sustentável. Acredito que o Brasil deveria se relacionar sempre mais com esses países, colocando a disposição a sua experiência e se propondo como país capaz de liderar um movimento global para fortalecer as políticas sociais dos países emergentes. A paz mundial depende também disso, o Brasil tem uma grande responsabilidade.
4. Frente a uma já prevista "epidemia" de doenças crônicas, em nível nacional e mundial, quais seriam, em sua opinião, três ações prioritárias que permitiriam mitigar este impacto?
A epidemia de condições crônicas veio para ficar. Aproximadamente 70-80% da carga de doença, em nível global, é causada por condições crônicas. Há uma ação fundamental, que é a mudança radical do modelo de atenção e, consequentemente, do modelo organizacional. Na perspectiva da atenção às condições crônicas, a continuidade do cuidado e a coordenação assistencial são centrais. Isso impõe mudanças radicais em vários níveis, principalmente na atenção primária, cujas práticas clínicas e organizativas devem ser inovadas. Os sistemas logísticos (regulação do acesso, transporte, registro e prontuários) e de apoio (medicamentos, procedimentos, laboratórios) têm que ser coerentes com as exigências da atenção primária. Os instrumentos de medicina baseada em evidência têm que permear toda a prática clínica.
5. No campo da pesquisa voltada para a APS, o que precisa mais urgentemente ser desenvolvido para dar sustentabilidade técnica às redes de atenção?
Acredito que seja necessário trabalhar intensamente para produzir evidências para promover esta estratégia. As redes de atenção coordenadas pela APS não podem representar uma moda ou uma tendência genérica de organização dos sistemas de saúde. Na área de organização da atenção à saúde, as pesquisas têm a grande responsabilidade de produzir evidências robustas que a integração dos serviços e a inovação das práticas de cuidado e de gestão pode concretamente ter impacto na melhoria da qualidade da atenção e consequentemente nos indicadores de saúde. Os estudos de caso são instrumentos importantes de análise e deveriam ser mais utilizados. O melhor método para encontrar soluções efetivas para melhorar a atenção é estudar e compreender os processos inovadores que estão acontecendo hoje no SUS, resultados da criatividade e competência dos gestores espalhados pelo Brasil.
6. Em seu novo trabalho, na sede regional da OPAS em Washington, como o senhor pretende continuar colaborando com a saúde no Brasil?
A designação para o Escritório Central da Opas em Washington constitui um grande desafio pessoal e profissional, pois assumirei o tema das redes de atenção à saúde baseadas na APS. Uma das minhas prioridades será valorizar algumas praticas e experiências do SUS, especialmente na atenção primária e na gestão de redes de atenção, pois estou convencido que o sistema público de saúde do Brasil, apesar de ter ainda muitos desafios pela frente, é uma ponta avançada no panorama global das políticas sociais, especialmente no âmbito dos países emergentes.
1. Nesses quatro anos como coordenador de serviços de saúde na OPAS/Brasil, como o senhor avalia a contribuição da OPAS para o aperfeiçoamento do SUS em nosso país?
É difícil fazer uma avaliação desse tipo. O SUS é um sistema enorme, extremamente complexo e em contínua evolução. Para ter uma contribuição efetiva, a Opas deve tentar focar a sua cooperação/ apoio em alguns aspectos específicos, aonde pode realmente agregar valor. Na área de serviços de saúde nós tentamos focar nossa ação na gestão do conhecimento. Concentramos esforços para resgatar os saberes e os conhecimentos que são desenvolvidos pelos gestores do SUS nas diferentes realidades do Brasil. Com os Laboratórios de Inovação buscamos valorizar e divulgar práticas, instrumentos e metodologias de trabalho inovadoras para fortalecer a gestão do SUS, para apoiar os gestores a construir as próprias soluções se beneficiando das experiências de outros. Os gestores do SUS, para aprimorar a gestão e melhorar a qualidade da atenção à saúde, necessitam muito interagir, debater e conhecer outras experiências. O trabalho de análise e valorização de experiências inovadoras de gestão de redes de atenção foi a nossa principal contribuição nesses anos.
2. Em sua opinião, quais as vantagens de se organizar os serviços de APS com base na Estratégia Saúde da Família?
As vantagens são enormes e os benefícios para a população gigantescos! Mas a minha opinião conta pouco. O que conta de verdade são os inúmeros trabalhos de pesquisa e de análise que proporcionam evidências incontestáveis que, no Brasil, a Estratégia Saúde da Família levou a resultados extraordinários, por exemplo, a redução da taxa de mortalidade infantil e de menores de 5 anos, a queda das internações sensíveis a atenção ambulatorial, são apenas alguns exemplos do valor público produzido por esta política inovadora.
3. No cenário internacional, quais as possíveis contribuições e sinergismos podem surgir de uma maior interação entre os países integrantes do bloco BRICS para a construção das redes de atenção com base na APS?
Os países BRICS representam um grupo emergente de países, cujo papel no desenvolvimento global é muito importante. Graças ao rápido crescimento econômico dos últimos anos, os sistemas públicos desses países devem proporcionar às populações respostas sociais coerentes com as novas expectativas. Índia e China estão com grandes dificuldades, pois estão tirando da pobreza um grande número de pessoas, mas existem graves problemas de cobertura e de modelos de atenção nesses países. O Brasil, implementando a Saúde da Família, demonstrou que a cobertura universal é alcançável em prazos relativamente curtos e é uma estratégia sustentável. Acredito que o Brasil deveria se relacionar sempre mais com esses países, colocando a disposição a sua experiência e se propondo como país capaz de liderar um movimento global para fortalecer as políticas sociais dos países emergentes. A paz mundial depende também disso, o Brasil tem uma grande responsabilidade.
4. Frente a uma já prevista "epidemia" de doenças crônicas, em nível nacional e mundial, quais seriam, em sua opinião, três ações prioritárias que permitiriam mitigar este impacto?
A epidemia de condições crônicas veio para ficar. Aproximadamente 70-80% da carga de doença, em nível global, é causada por condições crônicas. Há uma ação fundamental, que é a mudança radical do modelo de atenção e, consequentemente, do modelo organizacional. Na perspectiva da atenção às condições crônicas, a continuidade do cuidado e a coordenação assistencial são centrais. Isso impõe mudanças radicais em vários níveis, principalmente na atenção primária, cujas práticas clínicas e organizativas devem ser inovadas. Os sistemas logísticos (regulação do acesso, transporte, registro e prontuários) e de apoio (medicamentos, procedimentos, laboratórios) têm que ser coerentes com as exigências da atenção primária. Os instrumentos de medicina baseada em evidência têm que permear toda a prática clínica.
5. No campo da pesquisa voltada para a APS, o que precisa mais urgentemente ser desenvolvido para dar sustentabilidade técnica às redes de atenção?
Acredito que seja necessário trabalhar intensamente para produzir evidências para promover esta estratégia. As redes de atenção coordenadas pela APS não podem representar uma moda ou uma tendência genérica de organização dos sistemas de saúde. Na área de organização da atenção à saúde, as pesquisas têm a grande responsabilidade de produzir evidências robustas que a integração dos serviços e a inovação das práticas de cuidado e de gestão pode concretamente ter impacto na melhoria da qualidade da atenção e consequentemente nos indicadores de saúde. Os estudos de caso são instrumentos importantes de análise e deveriam ser mais utilizados. O melhor método para encontrar soluções efetivas para melhorar a atenção é estudar e compreender os processos inovadores que estão acontecendo hoje no SUS, resultados da criatividade e competência dos gestores espalhados pelo Brasil.
6. Em seu novo trabalho, na sede regional da OPAS em Washington, como o senhor pretende continuar colaborando com a saúde no Brasil?
A designação para o Escritório Central da Opas em Washington constitui um grande desafio pessoal e profissional, pois assumirei o tema das redes de atenção à saúde baseadas na APS. Uma das minhas prioridades será valorizar algumas praticas e experiências do SUS, especialmente na atenção primária e na gestão de redes de atenção, pois estou convencido que o sistema público de saúde do Brasil, apesar de ter ainda muitos desafios pela frente, é uma ponta avançada no panorama global das políticas sociais, especialmente no âmbito dos países emergentes.
Fonte: Rede de Pesquisas em APS
Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi
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Renato Tasca
sábado, 25 de fevereiro de 2012
O que é melhor para populações vulneráveis: abordagens focadas ou integradas?
O periódico BMC Public Health publicou uma revisão sistemática da literatura comparando duas diferentes estratégias para melhorar a saúde de populações prioritárias: desenvolver programas focados em seus principais problemas de saúde, ou integrar esses programas às funções principais do sistema de saúde. Apesar da pouca evidência disponível, os modelos integrados mostraram ser capazes de aumentar a adesão ao tratamento por pessoas difíceis de se alcançar ou resistentes a tratamento. Além disso, os modelos integrados mostraram trazer melhorias na qualidade do cuidado, em desfechos clínicos, na satisfação dos pacientes, e na alocação dos recursos.
Assim como outros aspectos das políticas de saúde, a opção entre modelos verticais ou horizontais depende de muito mais do que de evidências científicas. Mas o mundo vive um momento em que grandes fortunas são colocadas em serviços focais, a título de uma suposta racionalidade utilitária. Por isso mesmo, vale a pena voltar a destacar que os sistemas de saúde integrados são os que trazem os melhores resultados — sem adição de custo.
Publicado por Leonardo Ferreira Fontenelle no blog Medicina de Família.
Assim como outros aspectos das políticas de saúde, a opção entre modelos verticais ou horizontais depende de muito mais do que de evidências científicas. Mas o mundo vive um momento em que grandes fortunas são colocadas em serviços focais, a título de uma suposta racionalidade utilitária. Por isso mesmo, vale a pena voltar a destacar que os sistemas de saúde integrados são os que trazem os melhores resultados — sem adição de custo.
Publicado por Leonardo Ferreira Fontenelle no blog Medicina de Família.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Vídeo e encartes auxiliam a discutir mamografia com pacientes
CTFPHC: Breast Cancer Screening 2011 Guideline
Um outro instrumento interessante (apesar de em inglês) que pode ser utilizado é um encarte com um fluxograma dedicado à paciente, acerca das indicações de triagem com a mensagem: "você deveria ser triada por mamografia para câncer de mama?", além de um FAQ (questões mais comuns) que foi lançado para orientar pacientes.
Mas porque tudo isto?
Em novembro de 2011, a Força-Tarefa lançou as "Recomendações sobre o rastreio do câncer da mama em mulheres de risco habitual com idade entre 40-74 anos", publicado no Canadian Medical Association Journal. Estas recomendações pesaram benefícios potenciais do rastreamento do câncer de mama contra danos de falsos positivos e biópsias desnecessárias.
A Força-Tarefa observou algumas imprecisões e distorções na cobertura da mídia acerca das recomendações e, por uma questão de clareza, trouxe este material complementar (vídeo, cartilhas, além de distribuir material por email amplamente)
Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
Em novembro de 2011, a Força-Tarefa lançou as "Recomendações sobre o rastreio do câncer da mama em mulheres de risco habitual com idade entre 40-74 anos", publicado no Canadian Medical Association Journal. Estas recomendações pesaram benefícios potenciais do rastreamento do câncer de mama contra danos de falsos positivos e biópsias desnecessárias.
A Força-Tarefa observou algumas imprecisões e distorções na cobertura da mídia acerca das recomendações e, por uma questão de clareza, trouxe este material complementar (vídeo, cartilhas, além de distribuir material por email amplamente)
A CTFPHC ressaltou o seguinte para os leigos:
• Ao contrário do que os leitores podem ter concluído a partir de parte da cobertura da mídia, a força-tarefa não é anti-exame, nem a favor do screening. A diretriz atualizada apóia uma triagem ideal. Estas recomendações foram desenvolvidas para garantir o melhor uso da mamografia e exames para as mulheres na faixa etária 40-74 com risco médio de desenvolver câncer de mama.
• Nossa orientação científica sobre o rastreio do câncer da mama é atual até outubro de 2011. E, assim como os painéis de peritos independentes em outros países, a Força-Tarefa não inclui estudos observacionais para avaliar os benefícios por causa do maior risco de vieses e de sobreestimar os benefícios do tratamento/ triagem, pois estes têm um risco inerentemente superior de chegar a conclusões incorretas sobre os seus potenciais benefícios.
• A orientação da Força Tarefa sobre mamografia está de acordo em grande parte com as práticas atuais dos programas de rastreio estaduais e territoriais. A maioria das províncias canadenses não recruta ativamente pacientes com menos de 50 anos de idade.
Relatando os fatos:
• As mulheres abaixo de 50 anos de idade podem se submeter a uma mamografia em muitas províncias via auto-referência ou encaminhamento médico - o que é consistente com a recomendação da Força Tarefa de que as mulheres e seus médicos tenham um diálogo afinado sobre as suas opções e se o indivíduo deve ou não passar por uma triagem.
• Nossas recomendações também são consistentes com as diretrizes de organizações independentes nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Outras grandes organizações canadenses, como o Colégio de Médicos de Família do Canadá e da Sociedade Canadense do Câncer aprovaram as Diretrizes.
• Os membros da Força-Tarefa são todos voluntários não remunerados, e ao contrário do que foi apontado por muitos críticos desta recomendação, não temos quaisquer conflitos financeiros ou de interesse científico. Para mais informações sobre a política de conflito de interesses da Força-Tarefa, consulte nosso Manual de Procedimentos.
Em última instância, queremos que as mulheres compreendam os benefícios e os riscos de mamografia e falem com seus prestadores de cuidados primários sobre esses benefícios e riscos ao discutir as suas opções para o rastreio do câncer da mama.
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Terapia Oral para DM-2 (recomendações baseadas em evidência)
Orientações da American College of Physicians (ACP) sobre tratamento oral da diabetes tipo 2

O Colégio Americano de Medicina atualizou suas diretrizes baseadas em evidências para o tratamento oral de diabetes tipo 2.
Oral Pharmacologic Treatment of Type 2 Diabetes Mellitus: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians

O Colégio Americano de Medicina atualizou suas diretrizes baseadas em evidências para o tratamento oral de diabetes tipo 2.
As principais recomendações, publicadas na revista Annals of Internal Medicine, foram: incluir tratamento oral quando a dieta, exercício, perda de peso e não melhoraram a hiperglicemia, utilizar a metformina como droga de escolha para monoterapia inicial a menos que contra-indicada, incluir um segundo agente oral se metformina e estilo de vida não controlarem a hiperglicemia.
Estas são as recomendações e seus respectivos graus:
- Recomendação 1: ACP recomenda adicionar a terapia farmacológica oral em pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2, quando modificações de estilo de vida, incluindo dieta, exercício e perda de peso, não conseguiram melhorar de forma adequada a hiperglicemia (Grau: forte recomendação; evidência de alta qualidade).
- Recomendação 2: ACP recomenda que os médicos prescrevam a monoterapia com metformina para o tratamento farmacológico inicial da maioria dos pacientes com diabetes tipo 2 (Grade: forte recomendação; evidência de alta qualidade).
- Recomendação 3: ACP recomenda adicionar um segundo agente oral à metformina para o tratamento de pacientes com hiperglicemia persistente quando as modificações de estilo de vida e monoterapia com metformina não conseguem controlar a hiperglicemia (Grau: forte recomendação, evidência de elevada qualidade)
Os autores ressaltam que nenhuma terapia de combinação é recomendada em detrimento de outra, mas alguns estudos indicam que a metformina associada a outro agente geralmente tem melhor eficácia do que outras monoterapias ou outras terapias de combinação.
Orientações estão disponíveis em livre acesso no Annals of Internal Medicine (PDF):
Publicado originalmente por Leonardo Savassi
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Sulfato ferroso não previne fadiga em pessoas com deficiência de ferro sem anemia
A solicitação de exames laboratoriais "de rotina" leva à detecção de alterações sem repercussão clínica, e frequentemente sem a certeza de que um "tratamento" vá de fato trazer algum benefício para a pessoa atendida. Um exemplo é a detecção de carência de ferro (ferropenia) em pessoas sem anemia.
Os pesquisadores suíços Waldvogel e colaboradores (2012) recrutaram 154 mulheres que tinham doado sangue havia uma semana, e que tinham ferritina menor ou igual a 30 ng/mL mas hemoglobina maior ou igual a 12 g/dL. As mulheres foram alocadas aleatoriamente entre receber placebo ou 80 miligramas de sulfato ferroso ao dia, por 4 semanas.
Do ponto de vista laboratorial, a administração de sulfato ferroso diminuiu o risco de que as mulheres evoluíssem com piora do nível de hemoglobina (NNT 6), ou com níveis de ferritina menor do que 12 ng/mL (de 57,7% para 2,7% das doadoras; NNT 2). Por outro lado, não houve diferença significativa na recuperação da capacidade aeróbica, medida pelo teste do degrau de Chester.
Já do ponto de vista clínico, a administração de sulfato ferroso não diminui os níveis de fadiga, medidos por três diferentes indicadores, ao contrário do previsto por pesquisas anteriores.
Os efeitos adversos, por outro lado, foram bem mais prevalentes entre as doadoras de sangue que receberam sulfato ferroso (NNH 4). O efeito adverso mais comum foi o endurecimento das fezes (NNH 7).
Os pesquisadores concluíram que a suplementação de ferro não traz benefícios clínicos a curto prazo para pessoas com deficiência de ferro — pelo menos no caso dos doadores de sangue. Por outro lado, são necessários estudos sobre os efeitos a longo prazo.
Citação:
Publicado originalmente por Leonardo Ferreira Fontenenelle
http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
Os pesquisadores suíços Waldvogel e colaboradores (2012) recrutaram 154 mulheres que tinham doado sangue havia uma semana, e que tinham ferritina menor ou igual a 30 ng/mL mas hemoglobina maior ou igual a 12 g/dL. As mulheres foram alocadas aleatoriamente entre receber placebo ou 80 miligramas de sulfato ferroso ao dia, por 4 semanas.
Do ponto de vista laboratorial, a administração de sulfato ferroso diminuiu o risco de que as mulheres evoluíssem com piora do nível de hemoglobina (NNT 6), ou com níveis de ferritina menor do que 12 ng/mL (de 57,7% para 2,7% das doadoras; NNT 2). Por outro lado, não houve diferença significativa na recuperação da capacidade aeróbica, medida pelo teste do degrau de Chester.
Já do ponto de vista clínico, a administração de sulfato ferroso não diminui os níveis de fadiga, medidos por três diferentes indicadores, ao contrário do previsto por pesquisas anteriores.
Os efeitos adversos, por outro lado, foram bem mais prevalentes entre as doadoras de sangue que receberam sulfato ferroso (NNH 4). O efeito adverso mais comum foi o endurecimento das fezes (NNH 7).
Os pesquisadores concluíram que a suplementação de ferro não traz benefícios clínicos a curto prazo para pessoas com deficiência de ferro — pelo menos no caso dos doadores de sangue. Por outro lado, são necessários estudos sobre os efeitos a longo prazo.
Citação:
- Waldvogel S, Pedrazzini B, Vaucher P, Bize R, Cornuz J, Tissot JD, Favrat B. Clinical evaluation of iron treatment efficiency among non-anemic but iron-deficient female blood donors: a randomized controlled trial. BMC Med. 2012 Jan 24;10(1):8.
Publicado originalmente por Leonardo Ferreira Fontenenelle
http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Homens, Mulheres e Estatinas
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Men, Women and Statins
HealthDay, February 6, 2012
Milhões de americanos estão agora a tomar estatinas. Estas destinam-se a diminuir o seu colesterol, que por sua vez pode ajudar a protegê-lo de doenças do coração.
No entanto, especialistas não sabem muito sobre como como essas drogas funcionam em mulheres.
Pesquisadores recentemente revisaram os resultados de 18 estudos anteriores que envolviam mais de 40.000 mulheres.
Os ataques cardíacos, relacionados com o coração mortes, e outros problemas cardíacos foram menos propensos em que aqueles que tomaram um medicamento estatina.
Ambos os pacientes do sexo masculino e feminino que tomaram este medicamento
tiveram cerca de 20 por cento menos probabilidade para esses problemas.
Eles também tinham menos probabilidade de morrer em geral.
O estudo encontrou benefícios tanto para as mulheres com um histórico de problemas cardíacos e mulheres que nunca tiveram problemas cardíacos.
As estatinas podem ser úteis, mas eles não são para todos.
Antes de prescrever uma estatina, o seu médico vai querer discutir outras questões
que colocar seu coração em risco, incluindo se:
- você fuma
- Tem diabetes, pressão de sangue elevada, ou um estilo de vida sedentário
- Você está acima do peso
- Ou você tem uma história familiar de doença cardíaca.
Publicado originalmente por Leonardo Savassi http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Screening da Carótida não aumenta a cessação do tabagismo
Impact of Carotid Plaque Screening on Smoking Cessation and Other Cardiovascular Risk Factors
Aparentemente em relação ao screening de carótica para fumantes, isoladamente, não. É o que revela um estudo publicado no Archives of Internal Medicine.
Triagem para aterosclerose carotídea não melhorar as taxas de cessação do tabagismo ou controle dos fatores de risco cardiovascular. Cerca de 540 fumantes foram randomizados para rastreamento ultra-sonográfico de triagem na carótida ou não , e todos os participantes também foram submetidos a um ano de terapia para cessação de tabagismo, que incluiu aconselhamento e terapia de reposição de nicotina. Pacientes com aterosclerose identificada na triagem receberam imagens de sua placa, além de aconselhamento adicional.
Em 1 ano, não houve diferenças significativas entre os grupos nas taxas de cessação do tabagismo, controle de fatores de risco cardiovascular, ou mudanças nos escores de risco de Framingham.
O editorialista do Archives of Internal Medicine aconselhou os médicos se concentrar em melhorar suas relações com os pacientes - em vez de usar "imagens simples" - ao tentar motivá-los a mudar seus estilos de vida.
É importante lembrar que o medo percebido é apenas um dos componentes de crenças dos pacientes acerca da mudança de comportamento. As pessoas mudam de comportamento de acordo com uma série de variáveis, que incluem gravidade e susceptibilidade percebidas, mas também os benefícios, as barreiras, e a crença na capacidade de mudar de comportamento.
E estes componentes se interrelacionam de maneiras diversas quando se estudo mudanças de comportamento para doenças agudas, doenças crônicas, fatores de risco e de proteção.
Assim, é importante perceber que o US de carótida é apenas mais um componente na mudança de comportamento, e não "o componente" que fará a diferença na mudança de hábitos.
Livre acesso ao artigo:

Livre acesso ao editorial:
Sugestão de leitura:
Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Ensaios novos e estabelecidos: Troponina é altamente sensível e específica para a IAM
Serial Changes in Highly Sensitive Troponin I Assay and Early Diagnosis of Myocardial Infarction
O reconhecimento precoce ou exclusão de infarto agudo do miocárdio (IAM) é fundamental para determinar quais os pacientes ou não exigem medidas adicionais de diagnóstico e terapêutica. Em um estudo prospectivo, os pesquisadores compararam a precisão de um novo teste altamente sensível de troponina I (hsTnI) (Troponina Estrutura STAT de Alta Sensibilidade; Abbott Diagnostics) com um exame bem estabelecido de troponina I (eTnI) (Estrutura STAT) para o diagnóstico de IAM na admissão e na 3 horas. O estudo foi parcialmente financiado pelo fabricante dos ensaios.
De 1818 pacientes consecutivos com síndrome coronária aguda suspeita registrados em três hospitais na Alemanha durante 2007 e 2008, 413 pacientes (23%) receberam um diagnóstico de IAM, 56 pacientes com IAM (14%) apresentaram elevação do segmento ST.
Conclusões dos autores: entre os pacientes com síndrome coronária aguda suspeita, hsTnI ou determinação cTnI três horas após a admissão pode facilitar início regra fora de IAM. Uma mudança de série em hsTnI ou cTnI os níveis, desde a admissão (usando o valor de corte percentil 99 diagnósticos) a 3 horas após a admissão pode facilitar o diagnóstico precoce do IAM.
Estes dados indicam que, para pacientes com síndrome coronária aguda suspeita, os resultados de qualquer ensaio de troponina I, 3 horas após a admissão na emergência, pode ser usado para descartar IAM com precisão de 99%, e a mudança relativa no resultado de ensaio desde a admissão até 3 horas pode ser usado para identificar os pacientes com alta probabilidade de IAM necessidade imediata de procedimentos diagnósticos invasivos e terapêuticas.
Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi
Uso de qualquer tipo de exame pode excluir ou confirmar com segurança um IAM dentro de 3 horas de internação de emergência.
O reconhecimento precoce ou exclusão de infarto agudo do miocárdio (IAM) é fundamental para determinar quais os pacientes ou não exigem medidas adicionais de diagnóstico e terapêutica. Em um estudo prospectivo, os pesquisadores compararam a precisão de um novo teste altamente sensível de troponina I (hsTnI) (Troponina Estrutura STAT de Alta Sensibilidade; Abbott Diagnostics) com um exame bem estabelecido de troponina I (eTnI) (Estrutura STAT) para o diagnóstico de IAM na admissão e na 3 horas. O estudo foi parcialmente financiado pelo fabricante dos ensaios.
De 1818 pacientes consecutivos com síndrome coronária aguda suspeita registrados em três hospitais na Alemanha durante 2007 e 2008, 413 pacientes (23%) receberam um diagnóstico de IAM, 56 pacientes com IAM (14%) apresentaram elevação do segmento ST.
Utilizando um ponto de corte da uma concentração de troponina que representa o percentil 99 de uma população de referência, hsTnI na admissão teve uma sensibilidade de 82% e um valor preditivo negativo (VPN) de 95% para IAM, e eTnI uma sensibilidade de 79% e um VPN de 94%. Sensibilidade e VPN em 3 horas para ambos os ensaios foram de 98% e 99%, respectivamente. Combinando a medição no momento da internação com a mudança relativa a três horas, obteve-sevalores preditivos positivos de 96% para ambos os ensaios.
Conclusões dos autores: entre os pacientes com síndrome coronária aguda suspeita, hsTnI ou determinação cTnI três horas após a admissão pode facilitar início regra fora de IAM. Uma mudança de série em hsTnI ou cTnI os níveis, desde a admissão (usando o valor de corte percentil 99 diagnósticos) a 3 horas após a admissão pode facilitar o diagnóstico precoce do IAM.
Estes dados indicam que, para pacientes com síndrome coronária aguda suspeita, os resultados de qualquer ensaio de troponina I, 3 horas após a admissão na emergência, pode ser usado para descartar IAM com precisão de 99%, e a mudança relativa no resultado de ensaio desde a admissão até 3 horas pode ser usado para identificar os pacientes com alta probabilidade de IAM necessidade imediata de procedimentos diagnósticos invasivos e terapêuticas.
Acesso a:
- Artigo original (NÃO livre acesso, exceto via Periódicos CAPES)
- Medline abstract

Assistência Integral à Saúde Primária na América do Sul: contextos, realizações e implicações políticas
Um artigo da RSP, que mostra um panorama geral da APS na América do Sul. Porque está em inglês e não em castelhano para mim é um estranhamento, ou talvez eu só esteja ficando velho e chato...
Este artigo resume uma extensa revisão de experiências sul-americano com cuidados primários de saúde desde a Declaração de Alma-Ata. Tem como objectivo abordar as seguintes questões específicas: Quais são as as condições históricas e estruturais que habilitação e restringem às políticas e práticas de atenção primária? Como é que os cuidados de saúde reforma apoiada ou prejudicados cuidados de saúde primários? O que existe de evidência sobre a eficácia dos cuidados de saúde primários? Que estratégias são comuns com as melhores práticas? Que evidência existe sobre o papel daparticipação cidadã e ação intersetorial? E, finalmente, quais são as lições de política a serem aprendidas com essas experiências? Narrativa síntese foi usada para identificar e analisar padrões nos dados consistentes com essas questões. Condições que foram encontradas para promover a implementação bem sucedida de cuidados de saúde primários estão definidos, juntamente com características de sistemas eficazes de cuidados primários de saúde que ajudam a criar mais serviços e resultados em saúde equilibrados.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2011001000002&script=sci_arttext
Publicado originalmente por Ricardo Alexandre de Souza em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
Este artigo resume uma extensa revisão de experiências sul-americano com cuidados primários de saúde desde a Declaração de Alma-Ata. Tem como objectivo abordar as seguintes questões específicas: Quais são as as condições históricas e estruturais que habilitação e restringem às políticas e práticas de atenção primária? Como é que os cuidados de saúde reforma apoiada ou prejudicados cuidados de saúde primários? O que existe de evidência sobre a eficácia dos cuidados de saúde primários? Que estratégias são comuns com as melhores práticas? Que evidência existe sobre o papel daparticipação cidadã e ação intersetorial? E, finalmente, quais são as lições de política a serem aprendidas com essas experiências? Narrativa síntese foi usada para identificar e analisar padrões nos dados consistentes com essas questões. Condições que foram encontradas para promover a implementação bem sucedida de cuidados de saúde primários estão definidos, juntamente com características de sistemas eficazes de cuidados primários de saúde que ajudam a criar mais serviços e resultados em saúde equilibrados.
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