terça-feira, 28 de junho de 2011

Aumenta o número de partos cesáreos no Brasil, pelo menos é o que mostra essa coorte acompanhada no Sul do país

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102011005000039&lng=en&nrm=iso&tlng=en
Partos cesáreos estão se tornando mais comuns. Até 80% dos partos com mulheres com plano de saúde. O padrão dos dias da semana também são impressionantes. Se vc olhar para o setor público, verá que quanto mais educado, maior a chance de cesárea

OBJETIVO: Descrever o padrão dos partos em uma coorte de nascimentos, comparando partos normais e cesarianos.
MÉTODOS: Todos os recém-nascidos de moradoras da área urbana de Pelotas (RS) em 2004 foram recrutados para uma coorte de nascimentos. As mães foram entrevistadas ainda no hospital, quando informações detalhadas sobre a gestação, o parto e o recém-nascido, junto com um histórico da saúde materna e características da família foram coletadas. Características maternas e o financiamento do parto foram os principais fatores estudados. Também se fez uma descrição da distribuição das cesáreas por hora do dia e dia da semana. Técnicas padrão de análise descritiva e testes qui-quadrado para comparar proporções e regressão Poisson para explorar o efeito independente de preditores da cesárea foram os métodos utilizados.
RESULTADOS: A taxa global de cesarianas foi de 45%, 36% entre pacientes do SUS e 81% no serviço privado, onde se relatou que 35% das cesarianas foram eletivas. As cesarianas foram mais freqüentes nas terças e quartas-feiras, com uma redução de cerca de um terço aos domingos, enquanto os partos normais apresentaram distribuição uniforme ao longo da semana. O horário das cesarianas no setor público e no privado foi muito diferente. A escolaridade materna se associou positivamente com a cesariana entre as mães do serviço público, mas não do privado.
CONCLUSÕES: A cesariana foi muito freqüente entre as mães mais ricas, e fortemente associada com a escolaridade materna entre pacientes do SUS. Os padrões descritos são compatíveis com a hipótese de que as cesáreas são feitas, em grande parte, para atender a conveniência das agendas dos médicos. A situação atual só será revertida com políticas radicais.


Publicado originalmente por Ricardo Alexandre de Souza em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com