quinta-feira, 16 de junho de 2011

Entrevista de Bárbara Starfield ao Jornal InterAtivo


(Entrevista concedida ao então diretor de informática da AMMFC e SBMFC, Leonardo C M Savassi no XI Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, no Rio de Janeiro)

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Entrevistada por Leonardo Savassi no Hotel Glória (RJ)

InterAtivo - Quais poderiam ser as estratégias para ampliar e / ou totalmente implementar a Atenção Primária no Brasil?
Barbara Starfield - Há a possibilidade para o Brasil se tornar o líder em cuidados primários da América Latina, desde que o interesse que os profissionais na publicação dos temas sejam demonstrados. Houve um upgrade nas publicações da OMS e estamos em um momento muito favorável a esses temas. A comunidade médica está levantando contra a indústria farmacológica, o que mostra a importância das ações de promoção e prevenção em saúde. Considero que algumas estratégias poderiam ser o aumento de publicações e pesquisa, e uma melhor avaliação das ações.

IA - Qual a sua impressão sobre a Medicina de Família nos EUA?
BS - (faz uma cara feia). No meu país os especialistas são poderosos e controlam as escolas de medicina. Não há interesse em ensinar os profissionais sobre Atenção Básica. Os dados existentes nesta edição são pobres e mal conhecido pelos profissionais, apesar de já estarem publicados.

IA - Qual a sua opinião sobre o problema entre os Médicos de Família versus outros especialistas?
BS - Como exemplo, posso citar a Espanha, onde o médico de família primeiro só poderia cuidar de Pacientes acima de 14 anos. Atualmente, ele está Autorizado para atender Pacientes mais de 7 anos (até 7 anos, só o pediatra pode consultar). Mas em áreas com população com menos de 6000 habitantes o médico de família atende todos os membros da comunidade. Uma estratégia poderia ser para convencer o especialista de que é "muito importante", agindo como um consultor para os profissionais de medicina familiar. Em nenhum país ao redor do mundo existe tal abordagem, exceto pelo Reino Unido que iniciou esta metodologia recentemente, e não pode ser avaliado ainda. Se o Brasil poderia fazê-lo, estará na liderança.

IA - No Brasil, as escolas médicas não formam um médico generalista completo. Costumo dizer que estamos formando médicos "pré-residentes" (não está pronto para a prática clínica).
BS - Na União Europeia, os médicos passam por três anos de residência em Medicina da Família. Esses profissionais são aqueles que ensinam os generalistas, como consultores. Considero que o processo de mudança de generalista para especialista - até mesmo em medicina familiar - sem uma formação adicional não é interessante.

IA - Considerando que esta é a 10 ª vez que você vem para o Brasil, como você vê a mudança na Atenção Primária em nosso país?
BS - Embora esta seja a minha visita 10 neste país, eu não posso fazer tal avaliação, pois em visitas anteriores eu estava em cidades diferentes, e considero difícil medir essas diferenças. Eu vejo com bons olhos os esforços do Governo na melhoria da qualidade na Atenção Básica. O Governo Brasileiro comprou da UNESCO 25,000 números do meu livro ("Primary Care") e, recentemente, mais 5000 para ser distribuído aos profissionais que atuam na Atenção Primária. Outro fato que considero relevante é o fato de ser chamada com mais freqüência para vir ao Brasil para discutir Atenção Básica.

Com a diretora Andréa Magalhães e ao fundo o Pão de Açúcar




English Version:

InterAtivo - Whose could be the strategies to amplify and/or fully implemment the Primary Care in Brazil?
Barbara Starfield - There is a possibility to Brazil become the leader in Latin América’s primary care, since the interest that the professionals are showing on the theme’s publication. There was an upgrade in WHO publications and we are in a very favorable moment to these themes. The medical community is raising against the pharmacological industries, what shows the importance of the actions of promotion and prevention in health. I Consider that some strategies could be the increase of publications and research, and a better evaluation of the actions.

IA - What is your impression about the Family Medicine in USA?
BS - (makes an ugly face). In my country the specialists are powerfull and controll the medical schools. There is no interest in teaching professionals about Primary Care. The existent data in this issue are poor and badly known by the professionals, although they are already published.
IA - What is your view about the problem between Family Doctors versus other specialists?
BS - As an example, I can citate Spain, where the family doctor first could only take care of pacients over 14 years. Nowadays, he’s autorized to attend pacients over 7 years (untill 7 yr, only the pediatrician can be consulted). But in areas with population under 6000 inhabitants the family doctor attends all of the community members. An strategie could be to convince the specialist of it’s “great importance”, acting like a consultor to the medicine family professionals. In no country arround the world there is such approach, except by UK that started this metodology recently, and cannot be evaluated yet. If Brazil could do it, will be at lead.

IA - In Brazil, Medical Schools do not graduate a complete General Practioner. I use to say that we are graduating “pre-residence” doctors (not ready for the clinical practice).
BS - In the European Union, physicians pass through 3 years of residence in Family Medicine. These professionals are the ones who teach the generalists, as consultors. I consider that the changing process from generalist to specialist – even in family practice - without a aditional formation is not interesting.

IA - Considering that this is the 10th time you come to Brazil, how do you see the change in Primary Care in our countrie?
BS - Although this is my 10th visit in this countrie, i cannot make such evaluation, because in prior visits I was in different cities, and consider dificult to measure these differences. I see with good eyes the efforts of the governament in improving the quality in Primary Care. Brazillian governament bought from UNESCO 25.000 numbers of my book (“Primary Care”), and recently more 5000 to be distributed to the proffessionals that act in Primary Atention. Other fact that I consider relevant is the fact of being called more frequently to come to Brazil to discuss Primary Care.

Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi