quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Especialista defende reformulação do PSF"

Neste texto no Estado de São Paulo: "Consultor diz que prioridade deveria ser tratamento de problemas crônicos, como diabetes e hipertensão, em vez de doenças agudas" a reportagem mostra que há uma mudança na forma como o PSF vem sendo estruturado, priorizando a redução do horário médico para tentar atender a demanda da população e a escassez de médico.

Incongruências como estas vem sendo criadas desde antes da formação do SUS (1986). Inverter o ônus do problema atacando a solução em detrimento de organizar o problema. Ao reduzir o horário dos profissionais de Saúde da Família comete-se a inépcia de se reduzir o que já é pouco. A ESF é pouco atrativa para os médicos em geral e quanto mais se estuda menos atrativa fica. Vejo inúmeros colegas (os dois aqui do blog são bons exemplos disso) que desistem da Saúde da Família na ponta para navegar em outros portos. O que causa isso?
Braga, 2009, nos traz as características de profissionais que mais se fixam na ESF:

  • Profissionais com mais de 10 anos de formado
  • Foram para ESF por identificação com o tipo de trabalho
  • Fizeram pósgraduação nas clínicas básicas ou em Saúde da Família
  • Estatutários/Selecionados por concurso público
  • Têm origem no mesmo tipo de município onde trabalham
  • Têm vínculo com a região onde trabalham
  • Têm cônjuge e filho(s)
Dentre os problemas levantados por ela, estão:
  • Falta de um plano de carreira
  • Interferência política
  • Condições de trabalho
  • Forma de contratualização
Dessa forma, como pode se dar tamanha discrepância entre a evidência e a ação política? Como diminuir a carga horária poderá resolver o problema da Saúde da Família no Brasil?

Quantos concursos públicos são feitos para médico de família, premiando tempo na estratégia e titulação na área??

Mais: Quantas prefeituras premiam um plano de carreira razoável para um médico de família sem um salário inicial ridículo? (Betim oferece salário inicial de R$6.500,00, que é maior do que o base de Belo Horizonte).

Diminuir a carga horária faz parte da estupidez política nacional.
  • O Gestor: Reduzo o horário, mantenho parte do salário e continuo recebendo o incentivo.
  • O Profissional: Ganho menos, mas trabalho em mais lugares e acabo tendo melhor salário final.
Só que nesse jogo de pseudo-ganha-ganha saem todos perdendo, porque o profissional se arrisca ao fazer um trabalho precário e o gestor ao não cuidar EFETIVAMENTE da sua população.

Como diz o próprio Eugênio "dinheiro tem". Nossos gestores precisam aprender um pouco mais sobre Gestão em Saúde da Família. Eugênio pode ser um bom começo.

E os profissionais precisam começar a trabalhar mais em prol da carreira de médico de família. Seja ela federal ou não.

Publicado originalmente por Ricardo Alexandre de Souza em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com