quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Benefícios da aspirina profilática para o câncer

Estimates of benefits and harms of prophylactic use of aspirin in the general population


O uso diário de aspirina em baixa dose por no mínimo cinco anos parece ter mais benefícios do que malefícios, ao menos em termos de prevenção do câncer, de acordo com uma revisão publicada na Annals of Oncology.

A revisão encontrou redução na incidência de câncer e mortalidade nas doses entre 75 e 325 mg por dia, com início entre os 50 e os 65 anos, com aparente benefício  relacionado diretamente ao tempo de uso.

Homens e mulheres com risco médio que tomaram aspirina durante uma década obtiveram reduções de 9% e 7%, respectivamente, na taxa de câncer, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral em 15 anos.

 Os pesquisadores descobriram benefícios substanciais em termos de câncer colorretal, de esôfago, de câncer gástrico e na mortalidade. Reduções nos casos de câncer de mama, pulmão e próstata foram mais modestas. O uso de aspirina foi associado com aumento do risco de eventos hemorrágicos, mas os benefícios de prevenção do câncer superaram esse risco no estudo.

Leia o Abstract Traduzido:

Background  As evidências acumuladas sustentam um efeito da aspirina na redução da incidência de câncer em geral e mortalidade na população em geral. Foram revistos os dados atuais e avaliados os benefícios e malefícios do uso profilático de aspirina na população em geral.

Métodos Foram avaliados os efeitos da aspirina para a incidência de câncer sítio-específico e mortalidade e eventos cardiovasculares a partir dos mais recentes revisões sistemáticas. Estudos identificados por meio de busca sistemática no Medline forneceram dados sobre os efeitos nocivos das taxas de aspirina e basais de danos, como hemorragia gastrointestinal e úlcera péptica.

Resultados Os efeitos da aspirina sobre o câncer não são aparentes até, pelo menos, três anos após o início do uso, e alguns benefícios são sustentados por vários anos após a interrupção em usuários de longo prazo. São observadas diferenças entre doses baixas e padrão de aspirina, mas não houve comparações diretas. Doses mais altas não parecem conferir  benefício, mas aumento adicional de toxicidade. O excesso de sangramento é o dano mais importante associado com o uso de aspirina, e seu risco e taxa de mortalidade aumentam com a idade. Para os indivíduos de risco médio com idades entre 50-65 anos tomar aspirina por 10 anos, haveria uma redução relativa de 7% (mulheres) e 9% (homens) no número de câncer, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral sobre um período de 15 anos e 4% de redução relativa geral todas as mortes ao longo de um período de 20 anos.

Conclusões O uso de aspirina profilática por um mínimo de 5 anos, em doses entre 75 e 325 mg/ dia parece ter perfil favorável de danos vs. benefício; o uso prolongado é mais propenso a ter maiores benefícios. Mais pesquisas são necessárias para determinar a dose ótima e a duração do uso, para identificar indivíduos com risco aumentado de hemorragia, e para testar a eficácia do screening de erradicação de Helicobacter pylori, antes de iniciar a profilaxia de aspirina.

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Publicado originalmente por Leonardo Savassi em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com