quinta-feira, 3 de junho de 2010

H1N1 e guillain-Barré: CDC aponta baixo risco.

Preliminary Results: Surveillance for Guillain-Barré Syndrome After Receipt of Influenza A (H1N1) 2009 Monovalent Vaccine --- United States, 2009--2010

(Read the MMWR alert - see the link bellow)

Novos dados do Centers for Disease Control (CDC) reforçam a evidência de que o risco para a síndrome de Guillain-Barré (GBS), associada com a vacina H1N1 2009 é semelhante ao risco observado com as vacinas da gripe sazonal, de acordo com um relatório de Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR).

Para monitorar a segurança da vacina monovalente para a gripe A (H1N1) 2009, vários sistemas de vigilância federal, incluindo o programa de infecções emergentes do CDC (Emerging Infections Program - EIP), estão sendo usados

A análise dos dados do CDC de outubro de 2009 a março 2010 constatou que a incidência de GBS foi 1,92 por 100.000 pessoas-ano entre os indivíduos vacinados e 1,21 por 100.000 pessoas-ano entre os não vacinados.
A incidência entre a população vacinada foi calculada dividindo o número de casos de GBS vacinados dentro da janela de risco pelo tempo total de pessoas em risco após a vacinação. A incidência entre a população não vacinada foi calculada dividindo o número de casos de GBS não expostos à vacina ou expostos à vacina fora da janela de risco pelo tempo total de pessoas-não expostos à vacina H1N1 em 2009.

Segundo o CDC, se os dados finais confirmam esta conclusão então isso se traduziria em excesso GBS 0,8 casos para cada milhão de vacinações - uma taxa comparável àquela encontrada com a vacinação contra a gripe sazonal.

Assim, se os dados estiverem corretos, vai caindo mais um argumento contra a vacinação. A grande dúvida continua a ser se uma doença com baixa mortalidade relativa justificaria uma vacinação em tão larga escala como tem sido feito no mundo.

Há muita gente que ainda questiona a vacina H1N1, mas ao menos em termos de segurança e defesa contra a doença, parece haver evidências suficientes de que a eficácia é adequada.

Veja o mapa da H1N1 no mundo na semana epidemiológica 19:

No Brasil, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza H1N1 chegou ao fim no dia 2 de junho, mas os estados e municípios que não atingiram a meta em grupos já imunizados devem reforçar as ações para garantir a cobertura mínima de 80% para todos os grupos.

As secretarias estaduais e municipais de saúde poderão continuar imunizando crianças com mais de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e adultos de 20 a 39 anos enquanto houver disponibilidade da vacina.

Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, foram imunizadas 70,5 milhões de pessoas, o que representa 80% do público-alvo dos grupos convocados até o momento. A cobertura de profissionais de saúde, portadores de doenças crônicas e crianças de 6 meses a menores de 2 anos atingiu 100%, dados de 31 de maio .

Já em relação à pandemia, segundo informações do Sistema de Informação e Agravos de Notificação (Sinan), dados de 11 de maio de 2010, no período que compreende as semanas epidemiológicas 1 a 18 de 2010 (3/1/2010 a 8/5/2010), foram notificados 4.533 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Deste total, 12% (540/4.533) foram confirmados para influenza pandêmica (H1N1) 2009 no Brasil. Os dados foram disponibilizados no informe técnico de maio do Ministério da Saúde

Acesse o artigo do MMWR:
MMWR

Acesse o site do Ministério da Saúde (Brasil):Influenza H1N1

Notícias anteriores do Blog Medicina de Família:

Educação em Saúde: Influenza: aprender e cuidar (Material Didático)

PROTOCOLO ENFRENTAMENTO INFLUENZA PANDÊMICA (H1N1) 2009: AÇÕES DA APS

Leia também (Blog da Diretoria de Educação na Saúde de Betim):
Residência Médica de Betim promove capacitação em H1N1

Atualizando:


Para aqueles partidários das teorias da conspiração, um grupo editorial sério (BMJ Publishing Group) traz uma postagem bem interessante no British Medical Journal :

Conflicts of Interest -WHO and the pandemic flu "conspiracies"

Segundo os autores, Deborah Cohen, editora de recursos, BMJ, e Philip Carter, jornalista do Bureau of Investigative Journalism, em Londres, os principais cientistas que aconselharam a Organização Mundial de Saúde sobre o planejamento para uma pandemia de influenza tinha feito um trabalho remunerado para as empresas farmacêuticas que tiveram ganhos com a orientação que eles estavam preparando. Estes conflitos de interesses nunca foram divulgados publicamente pela OMS, e que tem rejeitado pedidos para a sua manipulação da pandemia de H1N1 como "teorias da conspiração." O artigo debate também as posturas das principais agências envolvidas em recomendações.

Acesse o artigo de 03 de junho de 2010:

BMJ - helping doctors make better decisions