quinta-feira, 19 de maio de 2011

TCE: observar ou tomografar?

The Effect of Observation on Cranial Computed Tomography Utilization for Children After Blunt Head Trauma

A observação clínica de crianças depois de uma lesão na cabeça (traumatismo crânio-encefálico/ TCE) pode ajudar a revelar quais precisam de uma tomografia computadorizada (TC), segundo estudo da revista Pediatrics.

Trata-se de uma boa estratégia para as crianças que têm algum risco de uma lesão cerebral grave, mas não apresentam sintomas graves. Se o paciente procura o pronto-atendimento logo após um ferimento na cabeça, você pode simplesmente não ter tido tempo suficiente para que os sintomas se desenvolverem. Ou o paciente pode ​​ter alguns sintomas preocupantes, mas é necessário um pouco de tempo antes de tomar uma decisão sobre fazer um raio-x. Este estudo traz novas informações importantes sobre o que observar antes de tomar essa decisão.

Foram revisados dados de mais de 40 mil crianças com TCE que foram levados para 25 salas de emergência de diferentes centros. Os dados originais foram recolhidos pela Pediatric Emergency Applied Research Network. Um gráfico de notas indicou se cada criança foi internada para observação antes que os médicos decidiram ou não realizar uma tomografia computadorizada.

Cerca de 5.400 crianças - ou 1 em 7 foram observados. Essas crianças têm menos probabilidades de obter uma TC: 31% vs 35%, quando os médicos tomaram a decisão de imediato. Em ambos os grupos, menos de 1% teve uma lesão cerebral grave. Vinte e seis crianças que foram observadas e enviadas para casa sem uma tomografia computadorizada voltaram mais tarde para um raio-x. Apenas uma dessas crianças teve uma varredura positiva.

A conclusão de que observar algumas crianças antes de tomar a decisão sobre uma tomografia computadorizada pode ser uma maneira segura e eficaz de reduzir o número daqueles scans.

TCE: observar em casa, no hospital ou solicitar imagem?

O estudo já é um reflexo da prática clínica, inclusive no Brasil: em casos graves, inicia-se uma varredura de imediato e nos casos em que os sintomas são suficientemente leves, geralmente a criança é liberada para casa ou observada para ver se há qualquer alteração. No caso de dúvidas, opta-se pela observação.

Ainda assim algumas questões permanecem. Por exemplo, não está claro quanto tempo faz sentido para observar as crianças antes de decidir fazer uma tomografia computadorizada ou enviá-los para casa. No Brasil, os pronto-atendimentos tem por regra a observação clínica por seis ou doze horas do paciente antes de liberá-lo para observação em casa.

Leia abaixo a tradução do resumo e o original em Inglês:


O efeito da observação sobre a utilização tomografia computadorizada craniana para crianças após trauma crânio-encefálico


Resumo

Objetivo: As crianças com trauma craniano leve sem corte são freqüentemente observados no serviço de emergência antes da tomada dedecisão a respeito do uso da tomografia computadorizada. Estudou-se o impacto desta estratégia clínica sobre o uso da tomografia computadorizada e os desfechos.

Métodos: Foi realizada uma sub-análise de um estudo prospectivo, multicêntrico observacional de crianças com traumatismo craniano leve sem corte. Os formulários médicos de relato de caso indicaram se a criança foi observada antes da decisão acerca da tomografia computadorizada. Definiu-se uma lesão cerebral traumática como clinicamente importantes como: uma lesão intracraniana resultando em morte, intervenção neurocirúrgica, intubação por mais de 24 horas, ou internação por 2 noites ou mais. Para comparar as taxas de tomografia computadorizada entre as crianças observadas vs não observadas antes da tomada de decisão , foi utilizado um modelo de equações generalizadas para a estimativa de controle de cluster hospitalar e características do paciente.

Resultados: Das 42 412 crianças participaram do estudo, os médicos anotaram se o paciente foi observado antes de tomar uma decisão sobre a tomografia computadorizada em 40 113 (95%). Destas, 5.433 (14%) crianças foram observadas. A taxa de utilização da tomografia computadorizada foi inferior nos pacientes que foram observados em relação aos que não foram observados (31,1% vs 35,0%; diferença: -3,9% [intervalo de confiança 95%: -5,3 a -2,6]), mas a taxa de lesão cerebral traumática clinicamente importante foi semelhante (0,75% vs 0,87%; diferença: -0,1% [intervalo de confiança 95%: -0,4 a 0,1]). Após o ajuste para as características do hospital e paciente, a diferença na taxa de utilização de tomografia computadorizada permaneceu significativa (odds ratio ajustada para a obtenção de uma tomografia computadorizada no grupo observou: 0,53 [intervalo de confiança 95%: 0,43-0,66]).

Conclusões: A observação clínica foi associada com o uso da tomografia computadorizada reduzido entre as crianças com trauma craniano leve sem corte e pode ser uma estratégia eficaz para reduzir o uso de tomografia computadorizada.


Abstract

Objective: Children with minor blunt head trauma often are observed in the emergency department before a decision is made regarding computed tomography use. We studied the impact of this clinical strategy on computed tomography use and outcomes.

Methods: We performed a subanalysis of a prospective multicenter observational study of children with minor blunt head trauma. Clinicians completed case report forms indicating whether the child was observed before making a decision regarding computed tomography. We defined clinically important traumatic brain injury as an intracranial injury resulting in death, neurosurgical intervention, intubation for longer than 24 hours, or hospital admission for 2 nights or longer. To compare computed tomography rates between children observed and those not observed before a decision was made regarding computed tomography use, we used a generalized estimating equation model to control for hospital clustering and patient characteristics.

Results: Of 42 412 children enrolled in the study, clinicians noted if the patient was observed before making a decision on computed tomography in 40 113 (95%). Of these, 5433 (14%) children were observed. The computed tomography use rate was lower in those observed than in those not observed (31.1% vs 35.0%; difference: −3.9% [95% confidence interval: −5.3 to −2.6]), but the rate of clinically important traumatic brain injury was similar (0.75% vs 0.87%; difference: −0.1% [95% confidence interval: −0.4 to 0.1]). After adjustment for hospital and patient characteristics, the difference in the computed tomography use rate remained significant (adjusted odds ratio for obtaining a computed tomography in the observed group: 0.53 [95% confidence interval: 0.43–0.66]).

Conclusions: Clinical observation was associated with reduced computed tomography use among children with minor blunt head trauma and may be an effective strategy to reduce computed tomography use.

Acesso ao artigo:





Publicado originalmente por Leonardo Savassi
SOURCE: http://bit.ly/l8JDYM