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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Alternativas ao leite de vaca levam a baixos níveis de vitamina D em crianças.

Consumption of non–cow's milk beverages and serum vitamin D levels in early childhood

Entenda:

Beber leite de outras fontes que não o leite de vaca pode aumentar o risco para os baixos níveis séricos de vitamina D em crianças pequenas, de acordo com um estudo publicado on-line em 20 de outubro no Canadian Medical Association Journal.

A alergia alimentar surgiu como um tópico importante na saúde da criança, envolvendo várias intervenções para reduzir o risco de alergias alimentares, como fórmulas infantis para atrasar a introdução de alimentos sólidos.

Uma interessante revisão sistemática de maio 2014 publicada no jornal Allergy apontou que não houve evidência consistente de que mudar a dieta ou o uso de suplementos durante a gravidez poderia mudar o risco de alergia alimentar entre crianças consideradas como de risco médio ou de alto risco para alergia alimentar. Da mesma forma, leite de soja, ou atrasar a introdução de alimentos sólidos em crianças com mais de quatro meses tiveram benefício limitado na redução do risco de alergia.

A revisão apontou que entre as crianças com alto risco de alergia alimentar, houve evidências para evitar leite de vaca durante os primeiros quatro meses de vida e, em vez disso, a alimentação com fórmula de proteína ou caseína extensivamente ou parcialmente hidrolisada, quando necessário. O link para o estudo também se encontra a final dessa postagem.

Recentemente também, a Harvard School of Public Health (HSPH) em seu departamento de nutrição republicou as orientações sobre dieta saudável no seu portal, apontando que o “Prato de Comida Saudável” deve ter o mínimo de leite e derivados possível (uma a duas porções por dia). Traduzimos o gráfico de recomendações para o Português, conforme autorização de uso da HSPH sob o termo de cessão de direitos e uso da Universidade*:

Copyright © 2011, 2013, Harvard University. 



Por fim, é importante destacar, para melhor entendimento, que embora seja necessária a fortificação do leite de vaca com a vitamina D em alguns países, como nos Estados Unidos e no Canadá, a fortificação do leite não derivado de vaca é voluntária. O ponto de debate é que um dos maiores benefícios do leite de vaca é ser uma fonte primária importante de vitamina D para crianças.

O artigo:

O estudo trazido aqui avalia se o consumo de leites não bovinos pode resultar em mudanças nos níveis de vitamina D entre as crianças. Foi um estudo transversal de crianças entre 1 e 6 anos de idade recrutados a partir de 7 Unidades de Atenção Primária em consultas de puericultura entre dezembro de 2008 e setembro de 2013. Todas as unidades fazem parte da rede de trabalho da Faculdade de Medicina, do Departamento de Pediatria, e do Departamento de Medicina de Família e Comunidade da Universidade de Toronto.

Todas as crianças completaram um histórico de saúde, incluindo as questões relativas ao consumo de leite não bovino, ou seja, derivados de soja, arroz, cabra, ou de outras fontes. Eles foram submetidos a exames físicos e de laboratório por níveis de 25-hidroxivitamina D [25 (OH) D]. Crianças com doença crônica foram excluídas da análise do estudo.

Os pesquisadores compararam os níveis séricos de [25 (OH) D] entre 2468 crianças que consomem leite de vaca e 363 crianças que bebem leite de cabra ou leite à base de plantas. Os pesquisadores coletaram dados por meio de medidas físicas, amostras de sangue, e entrevistas com os pais.

A média de idade dos participantes foi de 2,9 anos, e 52,6% do grupo consistia em meninos. O nível médio de vitamina D foi de 80 nmol / L em toda a população estudada, 81 nmol / L em pessoas que tomavam apenas leite de vaca (n = 1950), e 78 nmol / L no leite pessoas que tomavam apenas não bovino (n = 146) .

No entanto, o nível de vitamina D foi inferior a 50 nmol / L em 4,7% do que aqueles que bebiam apenas leite de vaca e em 11,0% daqueles que bebiam leite apenas não-bovino. Usando a análise de regressão logística, os pesquisadores descobriram que as crianças que bebiam apenas leite não-bovino eram quase três vezes mais susceptíveis que as crianças que bebem leite de vaca a níveis de vitamina D abaixo de 50 nmol / L.

No geral, em uma análise não ajustada, os pesquisadores descobriram uma diminuição de 3,1% (P = 0,005) em níveis de vitamina D para cada 250 mL xícara não consumida de leite de vaca.

"Entre as crianças que bebiam os dois tipos de leite, para cada xícara adicional de leite de vaca não consumida foi associado com uma redução de 5% nos níveis de 25-hidroxivitamina D", escrevem os pesquisadores. Ou seja, o consumo de leite de não bovino foi inversamente relacionado com o consumo total de leite de vaca.

O principal resultado do estudo foi a relação entre o consumo de leite não-bovino e os níveis de 25(OH)D. Este resultado foi ajustado para dar conta variáveis demográficas, índice de massa corporal, consumo de alimentos e outro suplemento dietético, pigmentação da pele e nível de atividade ao ar livre. Os autores não declararam relações financeiras relevantes.

Consumo de derivados não-bovinos
pode se relacionar a hipovitaminose D


Implicações Clínicas:

Evitar o leite de vaca durante os primeiros 4 meses de vida por uma alimentação com fórmula de proteína ou caseína extensivamente ou parcialmente hidrolisada, quando necessário pode prevenir alergias alimentares entre crianças pequenas. 

No entanto, usar leite de soja ou atrasar a introdução de alimentos sólidos em crianças com mais de quatro meses oferece benefício limitado na redução do risco de alergia, e recentemente a iniciativa The Health Eating Plate recomendou a redução das necessidades de consumo de leite de vaca e derivados, ficando as fontes de vitamina D cada vez mais restritas. 

O consumo de leite não-bovino poderia ser encarado como uma alternativa, mas o estudo atual demonstra que evitar o leite de vaca em crianças jovens resulta em menor concentração sérica média de 25 (OH) D e um maior risco de deficiência de vitamina D.

Acesse:

Estudo do CMAJ:




Estudo da Allergy (livre acesso):




Havard Nutition Source: The Health Eating Plate





Leia também o resumo (traduzido) do artigo:

Cenário:A fortificação de bebidas de leite não bovino com vitamina D é voluntário na América do Norte. O efeito do consumo de bebidas de leite não bovino sobre os níveis séricos de 25-hidroxivitamina D em crianças não é clara. Estudou-se a associação entre o consumo de leite bovino e não bovino e os níveis de 25-hidroxivitamina D em crianças de idade pré-escolar saudáveis. Explorou-se também se o consumo de leite de vaca modificou esta associação e analisou-se a associação entre o consumo de leite não bovino e consumo de leite de vaca.
Métodos:Neste estudo transversal, que recrutou crianças 1-6 anos de idade freqüentando regularmente consultas de puericultura programadas. As respostas à pesquisa, e as medidas antropométricas e laboratoriais foram coletadas. A associação entre o consumo de leite de vaca e não bovino e os níveis de 25-hidroxivitamina D foi testada por meio de regressão linear múltipla e regressão logística. Consumo de leite de vaca foi explorado como modificador de efeito usando um termo de interação. A associação entre a ingestão diária de leite de vaca e não bovino foi explorada por meio de regressão linear múltipla.
Resultados:Um total de 2.831 crianças foram incluídas. A interacção entre o leite não bovino e o consumo de leite de vaca foi estatisticamente significativa (p = 0,03). Bebidas de leite não bovino foram associadas com uma diminuição / L de 4,2 nmol no nível de 25-hidroxivitamina D por 250 mL xícara consumida entre as crianças que também beberam o leite de vaca (p = 0,008). Crianças que bebem apenas leite não bovino estavam em maior risco de ter um nível de 25-hidroxivitamina D abaixo de 50 nmol / L do que as crianças que bebem leite de vaca apenas (odds ratio de 2,7, 95% intervalo de confiança 1,6-4,7).
 Interpretação:O consumo de bebidas de leite não bovino foi associada com a diminuição dos níveis séricos de 25-hidroxivitamina D no início da infância. Esta associação foi modificado pelo consumo de leite de vaca, o que sugere um trade-off entre o consumo de leite de vaca enriquecido com níveis mais altos de vitamina D e do leite de vaca não com menor teor de vitamina D.



Publicado originalmente por Leonardo Savassi em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com


*The Healthy Eating Plate image on this Web site is owned by Harvard University. It may be downloaded and used without permission for educational and other non-commercial uses with proper attribution, including the copyright notification and credit line:

Para maiores informações sobre The Healthy Eating Plate, ver The Nutrition Source, Department of Nutrition, Harvard School of Public Health, em www.thenutritionsource.org, e Harvard Health Publications, em www.health.harvard.edu.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dicas de segurança da AAP para o Natal

A American Academy of Pediatrics lança recomendações para um Natal seguro. Seguem as recomendações:

Árvores de Natal
  1. Certifique-se, se você selecionou uma árvore artificial, que ela é resistente à chama.
  2. Ao optar por uma árvore viva, encontre uma nova. Ela deve ser verde, ter um tronco pegajoso e pontas que não se dobram, caiam ou se quebrem facilmente. Estes são sinais de que uma árvore é nova e menos susceptível de se tornar material combustível para incêndio.
  3. Criar uma barricada/ guarnição de alguns centímetros fora da parte inferior do tronco para ajudá-lo a absorver mais água e encher o pé da árvore com água regularmente.
  4. As árvores não devem ser colocadas em áreas de trânsito intenso na casa ou próxima a lareiras, radiadores ou aquecedores portáteis (tudo bem que o Natal ocorre no verão brasileiro).

Luzes do Natal
  1. Quando pendurar as luzes da árvore, sempre se certificar de que cada lâmpada funciona e não há fios desgastados, tomadas quebradas ou conexões soltas.
  2. Para evitar choque elétrico, luzes elétricas nunca deve ser usadas em uma árvore metálica.
  3. Ao decorar com luzes externas, verifique se as luzes foram certificadas (no Brasil, pelo InMetro) para uso ao ar livre.
  4. Ganchos e grampos isolados, ao invés de pregos ou tachas, devem ser usados ​​para manter as luzes no lugar.
  5. Todas as luzes devem ser ligadas a circuitos com interruptores de aterramento do circuito para evitar choques potenciais.
  6. Nunca deixe as luzes acesas quando não estiver em casa, porque um curto-circuito pode provocar um incêndio.
  7. Quando for a hora de retirar as luzes, não puxe ou dê trancos sobre elas.

Decorações
  1. Apenas materiais resistentes devem ser pendurados em uma árvore.
  2. Escolha apenas enfeites de plástico, ou sem leads, ou gelo artificial.
  3. Chamas livres, tais como velas acesas, não deve ser colocados perto de uma árvore ou em qualquer área onde as crianças possam tocá-los ou derrubá-los.
  4. Evitar decorações que sejam afiadas ou quebráveis ​​- especialmente na presença de crianças pequenas em casa.
  5. Decorações com partes pequenas ou aquelas que se parecem com balas, doces ou alimentos também não deve ser utilizados perto de crianças pequenas, que poderiam engolir ou engasgar com elas.
  6. Use luvas e siga as instruções com cuidado quando usar "vidro fiado", conhecido como "cabelo de anjo", ou sprays neve falsa.

Embalagens

  1. Todos os papéis de embrulho, sacos, fitas e laços devem ser removidos de áreas lareira, uma vez que os presentes foram abertos para evitar riscos de incêndio.
  2. Rapidamente descarte sacos plásticos e fitas longas, que possam representar riscos sufocação para crianças pequenas.




Brinquedos


  1. Certifique-se de selecionar brinquedos apropriados para a idade certa, para combinar as capacidades, habilidades e interesses de cada criança, e para evitar possíveis perigos, como asfixia em peças pequenas ou baterias.
  2. Dar às crianças abaixo de 10 anos brinquedos que funcionem com bateria ao invés daqueles que necessitem conexão a uma tomada elétrica.
  3. Cordas e fitas devem ser removidos antes de dados a crianças pequenas, e mesmo assim só os indicados para evitar estrangulamento, particularmente fitas maiores que 12 centímetros de comprimento.
  4. Brinquedos devem ser mantidos em um local designado para manter aqueles indicados para os jovens fora do alcance dos mais novos.

Alimentos

  1. Mantenha os líquidos quentes e alimentos longe das bordas de mesas e balcões de onde possam ser facilmente alcançados por crianças pequenas ou derrubados.
  2. Certifique-se de crianças não têm acesso aos fornos de microondas.
  3. Cozinhe carnes e aves, e lave os vegetais crus e frutas para evitar bactérias nocivas.
  4. Lave as mãos com frequência e use utensílios separados durante a preparação de alimentos. Isto também ajudará a evitar infecção bacteriana.
  5. Descongele a carne crua na geladeira e coloque alimentos para cozinhar faltando apenas duas horas para a preparação.


Visitante

  1. Limpar a casa imediatamente após uma festa, para que as crianças não estejam sujeitas a situações potencialmente perigosas na manhã seguinte, como restos de alimentos estragados ou bebidas alcoólicas.
  2. Lembre-se que nem todas as casas que você visita são "a prova de crianças", e torne-se ciente dos perigos potenciais, como medicamentos acessíveis e armários de limpeza.
  3. Mantenha uma lista plastificada de números de telefone importantes, como a polícia, bombeiros e médico responsável, em caso de uma emergência.
  4. Viagens e festividades do feriado podem ser estressantes para as crianças. Tente manter o sono das crianças com cochilos, comendo nos horários corretos, para ajudá-los a ficar mais confortáveis.

Lareiras

  1. Remova todas as decorações da área de lareira e tenha certeza de que a chaminé está aberta antes de acender o fogo.
  2. Deixe iluminadores/ sinalizadores, que produzem chamas coloridas, longe das crianças. Elas contêm metais pesados ​​que podem causar irritação gástrica intensa e vômitos se ingerido.
  3. Não queime papel de embrulho na lareira.
  4. [nota] Tudo bem que no Natal brasileiro lareiras são dispensáveis, mas há quem leve a tradição muito a sério.


E, não custa lembrar, comemore e bebemore com moderação e, se beber, não dirija.

O Blog Medicina de Família - Brasil deseja um Feliz Natal a todos os seus leitores.


Publicado por Leonardo C M Savassi

quarta-feira, 16 de março de 2011

TVs nos quartos das crianças: Será que impacta na saúde e comportamento?

Estudo super importante para a medicina de família, já que a TV, por muitas vezes, é desagregadora do lar e geradora de conflitos dentro do mesmo.

Interessante ver os resultados sobre obesidade e de TVs no Alaska, confiram:

Objetivos: (1) determinar as características sócio-demográficas associadas com televisão no quarto (TVq) e (2) analisar relação do TVq, independente do tempo de duração, com características sociais e comportamentais.

Métodos. Crianças 6-17 anos a partir de 2007 do estudo Pesquisa Nacional de Saúde Infantil dos EEUU foram inclusas (n = 48.687). TVq, tempo diário assistindo televisão, demográficas, comportamentais e os resultados sociais (participação na comunidade, habilidades sociais, hábitos e estado de saúde, e familiares) foram examinados por meio de regressão logística e ajustados para o tempo de visualização total.

Resultados:

A prevalência de TVq foi de 49,3% nas crianças americanas.

Foram associadas com maior chance de TVq: idade avançada, negros não-hispânicos (71,3%), hispânicos (56,3%), maior nível de pobreza (% N56.2), a estrutura familiar diversa de dois pais biológicos (N62.6%), Centro-Oeste (47,1%), Nordeste (46,7%), Atlântico Sul (56,4%) e Centro-Sul (59,8%).

Genero feminino (52,7%) e residir no Alasca (33,0%) foram associados com menor prevalência de TVq.

TVq foi associada com maior prevalência de exibir comportamentos sociais problemáticos (29%) e sobrepeso (44%).

TVq foi significativamente associada com menor prevalência de refeições regulares da família (13%), a participação na escola (16%), participação em atividades extracurriculares (31%), regularmente dormem o suficiente (20%) e a participação em serviços comunitários (25%) após o ajuste para tempo assistindo TV.

Conclusões: TVq aparece associado a índices mais sociais e comportamentais do que relatado previamente, para além do tempo total assistindo TV.

Publicado originalmente por Ricardo Alexandre de Souza em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com/