quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Canal Saúde polemiza a Residência Médica no Brasil

"Residência Médica: quando cuidar da saúde da população deixa de ser o primeiro desafio"

Com este polêmico título o Canal Saúde (Fiocruz) discutirá nesta sexta (13) a partir das 13:00 horas, o padrão ouro da formação médica. O Canal Saúde informa que:
"Instituída em 1977, a residência é uma modalidade de pós-graduação que acabou se tornando uma exigência do mercado. No entanto, após seis anos de estudo, o residente precisa suportar 60horas semanais de trabalho, com plantões de 24h, recebendo menos de R$1.900. Reflita e opine ao vivo a respeito da importância dessa especialização para a saúde pública brasileira e saiba o que profissionais da área pensam a respeito do futuro da residência médica (...) Se há 60 anos a residência médica se apresentava como uma modalidade de pós-graduação, hoje em dia é considerada praticamente exigência de mercado."


Segundo o convite do Canal Saúde, mais de quinhentas instituições no Brasil oferecem programas de residência médica no país e o número de especialidades chega a 130 e cresce a cada ano. Neste aspecto, devemos discordar: são reconhecidas 52 especialidades médicas. Outras "especialidades" não são reconhecidas pela AMB e CFM e neste âmbito algumas "áreas" ou "campos de atuação" são divulgadas como especialidade, quando na verdade não o são. É o caso de "Saúde da Família" (campo de atuação), quando a especialidade única é Medicina de Família e Comunidade. Porém, o convite menciona que:
"60% das bolsas financiadas por recursos públicos para os programas de residência estão concentrados na Região Sudeste do país. Além de faltarem especialistas nas Regiões Norte e Nordeste, pesquisas apontam que, ao terminarem a residência, menos de 20% dos médicos atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), deixando de fora boa parte da população, que não tem acesso a rede privada de saúde."

Embora a fixação profissional seja uma questão multifatorial e extremamente regulada pelo mercado de trabalho, a descentralização de programas de residência médica pode ser mais uma das várias estratégias. Já a questão do atendimento ao SUS não passa somente pela simples descentralização, já que envolve desde condições de trabalho e remuneração até a incapacidade do Estado de regular a atuação dos profissionais da saúde, notadamente o profissional médico.

Efeito colateral do Estado Democrático de Direito, não se pode atacar diretamente o problema com medidas "simples", mas com estratégias amplas e corajosas que envolvem desagradar instituições, coorporações e profissões em prol de uma política realmente séria de fixação, remuneração, vínculo, pagamento por performance, metas e resultados, e de uma carreira de estado.

Não se resolverá a fixação profissional médica simplesmente criando programas de residência nestas áreas, assim como não se resolve com a criação de "Mutirões" (proposta da AMB para resolver o problema da interiorização de médicos no Brasil), ou de Centros de Especialidades ou Associações Médico-ambulatoriais (Estrutura para QUEM? trabalhar). De paliativos, os médicos do SUS já estão fartos.

Como acessar e participar do Canal Saúde:
Interativo – No programa, o público participa ao vivo pela web - canalsaude.fiocruz.br, na sala de bate papo, ou assiste pela NBR e liga gratuitamente para 0800 701 8122. Se preferir, pode antecipar perguntas e comentários pelo canal@fiocruz.br

Onde assistir – Para assistir no site do Canal Saúde, acesse http://www.canalsaude.fiocruz.br/ e clique na TV. Para saber como ver a NBR na sua cidade ou obter mais informações sobre a NBR, acesse ebcservicos.ebc.com.br/veiculos/nbr.


FONTE:
Assessoria de Comunicação – Canal Saúde / Fiocruz
Marcelo de Castro Neves
(21) 3194-7700 / 3194-7704 / 0800-701-8122 /
ascom@fiocruz.br