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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

USPSTF recomenda MAPA para confirmação de Hipertensão Arterial

Draft Recommendation Statement

High Blood Pressure in Adults: Screening



Entenda:


A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (U.S. Preventive Services Task Force - USPSTF) publicou um projeto de recomendação (sob consulta e aberto a comentários) de que a medida da pressão arterial ambulatorial deve ser usada para confirmar a pressão elevada antes de um paciente ser diagnosticado como hipertenso. A recomendação não se aplica aos casos que necessitem de terapia imediata.

Dispositivos de monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) são máquinas portáteis pequenas que registram a pressão arterial em intervalos regulares durante 24 a 48 horas, enquanto os pacientes fazem suas atividades normais e enquanto eles estão dormindo. As medições são tipicamente tomadas a intervalos de 20 a 30 minutos. Dispositivos de medição da pressão inicial do sangue são aparelhos oscilométricos totalmente automatizados nos quais os registros de pressão arterial são feitos a partir da artéria braquial do paciente. Muitos destes dispositivos estão disponíveis para compra no varejo, e alguns foram submetidos a validação técnica de acordo com protocolos recomendados em cada país.


A USPSTF faz recomendações sobre a eficácia dos serviços específicos de cuidados preventivos para pacientes sem sinais ou sintomas relacionados. Baseia suas recomendações sobre a evidência de ambos os benefícios e malefícios do serviço, e uma avaliação do equilíbrio e não considerar os custos da prestação de um serviço nesta avaliação.


A base de evidências para os benefícios do rastreio para a hipertensão arterial está bem estabelecida. A USPSTF afirmou sua recomendação para o rastreio de hipertensão em adultos de 18 anos ou mais (recomendação grau A) em 2003 e 2007. Evidências de revisões anteriores de boa qualidade apontaram que a triagem para hipertensão tem poucos danos maiores e fornece benefício substancial


O grau de recomendação da USPSTF em seu projeto de Guia de Prática Clínica

Entretanto, a evidência de revisões anteriores não abordou a precisão do diagnóstico de protocolos de medição de pressão arterial, nem identificou um padrão de referência para confirmação de medição. A força-tarefa observa que, em ensaios clínicos, de 5% a 65% dos pacientes com leituras de pressão sanguínea alta no escritório não foram diagnosticados com hipertensão após a monitorização ambulatorial. Portanto, além da medida da pressão arterial no consultório, o MAPA e a monitorização da pressão arterial em casa devem ser usados para confirmar o diagnóstico de hipertensão após triagem inicial.

Para a atual recomendação, a USPSTF examinou a acurácia diagnóstica da medida de consultório da pressão arterial, a monitorização ambulatorial da pressão arterial, e o monitoramento da pressão arterial domiciliar. 

A USPSTF também avaliou a acurácia do uso dessas medidas de pressão arterial e métodos para confirmar o diagnóstico de hipertensão. Além disso, a USPSTF revisou dados sobre intervalos de rastreio para o diagnóstico da hipertensão em adultos considerados ótimos. 

Além disso, como em 2007, a USPSTF recomenda o rastreamento para a hipertensão em todos os adultos com idade entre 18 e mais velhos. Mas agora, o grupo também oferece recomendações sobre intervalos de triagem, considerando como de maior risco adultos que tenham pressão arterial de 130-139 / 85-89 mm Hg, adultos com sobrepeso ou obesos, e Afro-americanos
  • Adultos com maior risco de hipertensão e aqueles com 40 anos ou mais devem receber a avaliação anual. 
  • Os adultos mais jovens sem fatores de risco podem ser rastreadas a cada 3 a 5 anos.

O projeto de recomendação é aberto a comentários do público no site da USPSTF, até 26 de janeiro, e o resumo da revisão das evidências foi publicada no Annals of Internal Medicine de dezembro. 

Acesse:


O link para o Projeto de Recomendação da A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) está disponível no link a seguir, em livre acesso:



Além disto, a revisão das evidências foi publicada no Annals of Internal Medicine de Dezembro, na forma de artigo, também disponível em livre acesso em:




Leia ainda:


Qual é o padrão-ouro para o diagnóstico de  hipertensão arterial?


Veja outras recomendações da USPSTF:


USPSTF de novo: NÃO a triagem rotineira do Câncer de Próstata - desta vez PSA

Triar ou não HIV? CDC x USPSTF

Questionaram o AAS para Prevenção Cardíaca Primária

USPSTF - Screening de Sífilis na Gravidez

Triagem de depressão na infância e adolescência

Por fim, eu destaco a seguinte orientação da USPSTF, que define muito bem a aplicação da MBE no mundo da vida:
A USPSTF reconhece que as decisões clínicas envolvem mais considerações do que provas isoladas. Os médicos devem entender a evidência, mas individualizar a tomada de decisões para o paciente ou situação específica. Da mesma forma, a USPSTF observa que a política e cobertura decisões envolvem considerações para além da evidência de benefícios clínicos e danos.

Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Qual é o padrão-ouro para o diagnóstico de hipertensão arterial?

O BMJ de 24 de junho de 2011 publicou uma revisão sistemática de literatura comparando diferentes métodos diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica. Para variar um pouco, em vez de trazer o resumo do artigo, eu traduzi o resumo produzido pelo editor do periódico:

O que já se sabe sobre o assunto:

  • A hipertensão é tradicionalmente diagnosticada após a medida da pressão arterial no consultório, mas a monitorização ambulatorial da pressão arterial de 24 horas (MAPA) e a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA) se correlacionam melhor com os desfechos.

O que este estudo acrescenta:

  • Comparadas à monitorização ambulatorial, nem as medidas no consultório nem em domicílio têm sensibilidade ou especificidade suficientes para serem recomendadas como teste diagnóstico único.
  • Se a prevalência de hipertensão em uma população rastreada for de 30%, então um diagnóstico positivo por medida em consultório teria uma chance de apenas 56% de estar correto quando comparado à MAPA.
  • O uso mais disseminado da MAPA para o diagnóstico de hipertensão pode resultar em tratamento melhor direcionado.

Como os próprios autores destacam, qualquer que fosse o padrão-ouro adotado, as outras duas técnicas teriam sensibilidade e especificidade decepcionantes. Ao contrário das outras técnicas, a MAPA é realizada em um único dia. Como o coeficiente de correlação é de apenas 0,70, isso torna o exame um padrão-ouro menos do que ideal.

Pelo jeito, o diagnóstico de hipertensão arterial não é plenamente confiável, o que deve ser levado em consideração na hora de estabeler as prioridades clínicas junto ao paciente.

Pena que a revisão sistemática não incluiu nenhum estudo com medidas de pressão arterial por auxiliares de enfermagem na antessala, como é tão comum no Brasil.

Publicado originalmente por Leonardo Fontenelle no Blog Medicina de Família

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Qual é o padrão-ouro para o diagnóstico de hipertensão arterial?

O BMJ de 24 de junho de 2011 publicou uma revisão sistemática de literatura comparando diferentes métodos diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica. Para variar um pouco, em vez de trazer o resumo do artigo, eu traduzi o resumo produzido pelo editor do periódico:

O que já se sabe sobre o assunto:

  • A hipertensão é tradicionalmente diagnosticada após a medida da pressão arterial no consultório, mas a monitorização ambulatorial da pressão arterial de 24 horas (MAPA) e a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA) se correlacionam melhor com os desfechos.

O que este estudo acrescenta:

  • Comparadas à monitorização ambulatorial, nem as medidas no consultório nem em domicílio têm sensibilidade ou especificidade suficientes para serem recomendadas como teste diagnóstico único.
  • Se a prevalência de hipertensão em uma população rastreada for de 30%, então um diagnóstico positivo por medida em consultório teria uma chance de apenas 56% de estar correto quando comparado à MAPA.
  • O uso mais disseminado da MAPA para o diagnóstico de hipertensão pode resultar em tratamento melhor direcionado.

Como os próprios autores destacam, qualquer que fosse o padrão-ouro adotado, as outras duas técnicas teriam sensibilidade e especificidade decepcionantes. Ao contrário das outras técnicas, a MAPA é realizada em um único dia. Como o coeficiente de correlação é de apenas 0,70, isso torna o exame um padrão-ouro menos do que ideal.

Pelo jeito, o diagnóstico de hipertensão arterial não é plenamente confiável, o que deve ser levado em consideração na hora de estabeler as prioridades clínicas junto ao paciente.

Pena que a revisão sistemática não incluiu nenhum estudo com medidas de pressão arterial por auxiliares de enfermagem na antessala, como é tão comum no Brasil.

Publicado por Leonardo Fontenelle no Blog Medicina de Família

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Medicamentos disponibilizados gratuitamente em "Farmácias Populares"

Confira, abaixo, os princípios ativos dos medicamentos contra hipertensão e diabetes que passarão a ser oferecidos gratuitamente nos estabelecimentos credenciados ao Aqui Tem Farmácia Popular.

A relação dos nomes (comerciais) dos medicamentos será informada nos pontos de venda.

As medidas anunciadas nesta quinta-feira (3) deverão ser implementadas pelos estabelecimentos até o próximo dia 14, período concedido para adaptação dos sistemas de vendas das farmácias e drogarias conveniadas. Mas, aquelas que se adequarem antes desse prazo já poderão oferecer gratuitamente medicamentos contra hipertensão e diabetes aos usuários do programa.

Hipertensão
Captopril 25 mg, comprimido
Maleato de enalapril 10 mg, comprimido
Cloridrato de propranolol 40 mg, comprimido
Atenolol 25 mg, comprimido
Hidroclorotiazida 25 mg, comprimido
Losartana Potássica 50 mg

Diabetes
Glibenclamida 5 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 500 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 850 mg, comprimido
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 3ml (carpule)
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 1,5ml (carpule)
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 3ml (carpules)
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 1,5ml (carpules)

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12168

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

segunda-feira, 26 de abril de 2010

MFC na Globo News: presidente da AMFAC-RJ fala sobre hábitos de vida saudáveis

O Médico de Família e Comunidade Oscarino dos Santos Barreto Júnior, presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro (AMFAC-RJ), fala ao Portal Globo News sobre hábitos de vida e hipertensão.

Na matéria, o Ministro da Saúde José Gomes Temporão aborda a mudança de hábitos benéfica para o controle da doença e melhora da qualidade de vida. E o MFC Oscarino dá dicas relevantes sobre atividade física, alimentação e outros fatores relacionados.

Confira a matéria:



Fonte:
Portal Globo News

Além disto, o Ministério da Saúde informa o lançamento de mais duas medicações para controle respectivamente da dislipidemia e diabetes, na farmácia popular.

Em maio, programa Aqui Tem Farmácia Popular oferecerá sinvastatina, contra o colesterol, e insulina para o diabetes. A portaria que determina a inclusão dos remédios foi assinada nesta segunda-feira (26/04/2010) pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

A inclusão dos medicamentos, que foi anunciada por ocasião do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, eleva os medicamentos inclusos no programa para14, dentre medicamentos contra diabetes, anti-hipertensivos e anticoncepcionais. Há hoje 11.905 drogarias conveniadas, com uma cobertura populacional de 118 milhões de brasileiros, e o programa já oferece cinco medicamentos para controle da hipertensão: enalapril 10 mg, atenolol 25 mg, captopril 25mg, hidroclorotiazida 25 mg e propranolol 40 mg, conforme matéria do Portal da Saúde:

Bandeira brasileira. Cabeçalho do Governo Federal.Portal Saúde gov - Ministério da Saúde.
Fonte:
Assessoria de Imprensa
(61) 3315 3580

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Níveis pressóricos alvo: abaixo de 140x90 mmHg?

Treatment blood pressure targets for hypertension

Revisão Sistemática da Cochrane de 2009 recuperou artigos que avaliaram o impacto de níveis pressóricos inferiores a 135x85 mmHg na morbidade e mortalidade dos pacientes.

Foram selecionados 7 estudos com qualidade suficientes para a Revisão Sistemática e Meta-análise, com população total estudada de 22.000 pessoas. Os artigos selecionados comparavam o impacto dos dois níveis pressóricos na morbidade e mortalidade.

Foram eleitos como desfechos mortalidade global, Infarto do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral, Insuficiência Cardíaca Congestiva, Eventos cardiovasculares maiores, ou doença renal terminal.

A meta-análise não aponta diferença no Risco Relativo para morbidade ou mortalidade entre os dois grupos, para todos os desfechos. Uma análise de sensibilidade em relação a Diabetes Mellitus e doença renal crônica também não demonstrou diferenças entre os dois grupos, embora este não seja o objetivo desta meta-análise e, sendo assim, os autores estão revendo sistematicamente os níveis pressóricos alvo nestes dois grupos.

Acesse o artigo

terça-feira, 21 de julho de 2009

Estratégias de melhoria da qualidade de gestão para a hipertensão: uma revisão sistemática.

Artigo de julho/06 mostra melhora da pressão arterial através de estratégias da melhoria da qualidade. Confira.

Estratégias de melhoria da qualidade de gestão para a hipertensão: uma revisão sistemática.

Walsh JM, McDonald KM, Shojania KG, Sundaram V, Nayak S, Lewis R, Owens DK, Goldstein MK.
Divisão de Clínica Geral, Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia-São Francisco, San Francisco, CA, E.U.A..

TEMA: Cuidados permanecem subótimos para muitos pacientes com hipertensão arterial. OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da estratégias de melhoria da qualidade (QI) de redução da pressão sanguínea. FONTES DE DADOS: MEDLINE, Cochrane bases de dados, bibliografias e artigos foram pesquisados para este estudo. SELEÇÃO ESTUDO: Ensaios, controlada antes, após estudos e avaliação de séries temporais interrompidas QI intervenções visando hipertensão, controle da pressão arterial e apresentação de relatórios desfechos foram estudados. DADOS DE EXTRAÇÃO: Dois Comentadores captaram dados de estratégias QI e classificaram em categorias: educação do cuidador, lembretes para o cuidador, retorno facilitado de informação clínica, educação do paciente, auto-gestão de lembretes para o paciente, auditoria e feedback, mudançana equipe, ou incentivos financeiros foram extraídos. RESULTADO: Quarenta e quatro artigos gerando em 57 comparações sofreram uma análise quantitativa. Pacientes no grupo da intervenção experimentaram reduções medianas na pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD), que foram 4,5 mm Hg (interquartil [IQR]: 1,5 a 11,0) e 2,1 mm Hg (IIQ: -0,2 a 5,0) superior a observada para pacientes controle. Mediana aumentou na percentagem de indivíduos que alcançaram metas para PAS e PAD foram 16,2% (IIQ: 10,3 a 32,2) e 6,0% (IIQ: 1,5 a 17,5), respectivamente. As intervenções, que incluiram estratégia QI de mudanças equipe foram associados como resultados as maiores reduções na pressão arterial. Todos os estudos que incluíram mudança de equipe houve atribuição de responsabilidades para um profissional de saúde que não seja médico do paciente. LIMITAÇÕES: Nem todas as estratégias QI foram avaliados de forma igual, o que limita o poder de comparar as diferenças de efeitos entre estratégias. CONCLUSÃO: Estratégias QI estão associadas com a melhoria hipertensão controle. Um enfoque sobre a hipertensão arterial por alguém para além de médico do paciente esteve associada com a melhoria substancial. Pesquisas futuras devem examinar as contribuições de QI estratégias individuais e custos relativos.

Confira o artigo original e gratuito em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16799359