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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pacientes hiperutilizadores com sintomas médicos inexplicados

In their own words: qualitative study of high-utilising primary care patients with medically unexplained symptoms

Pacientes hiperutilizadores da atenção primária com sintomas inexplicados (MUS), frustram seus prestadores de cuidados primários. Estudos que elucidam as atitudes destes pacientes pode ajudar a aumentar a compreensão e melhorar a confiança dos médicos que cuidam deles. O objetivo deste estudo foi descrever e analisar as percepções e experiências de vida de pacientes com alta utilização de cuidados primários com MUS.

Métodos:A mostra intencional de 19 pacientes hiperutilizadores de cuidados primários para os quais pelo menos 50% (69,6% nesta amostra) de visitas durante dois anos foram medicamente inexplicadas, foram incentivados a falar espontaneamente sobre si e responder a questões semi-estruturadas. Transcrições integrais das entrevistas foram analisados usando um processo interativo de construção de consenso.

Resultados: Pacientes com MUS quase universalmente descreveram disfunção familiar em curso e /ou passada e foram submetidos a testes excessivos e a tratamentos empíricos ineficazes. Três grupos distintos surgiram a partir dos dados: 1) Alguns pacientes, que tinham atingido um grau significativo de introspecção psicológica e tiveram sucesso na vida, primariamente procuraram explicações para seus sintomas. 2) Os pacientes que tiveram uma menor introspecção psicológica foram mais debilitados por seus sintomas e sentiram-se fortemente no direito de ser dispensados das obrigações sociais habituais. Normalmente, esses pacientes procuraram principalmente o alívio dos sintomas, legitimação e apoio. 3) Pacientes que manifestaram a sua preocupação sobre a falta de diagnósticos exigiu cuidados excessivos e queixaram-se de resistência as suas exigências.

Conclusões : pacientes hiperutilizadores de cuidados primários são um grupo heterogêneo com experiências semelhantes e diferentes percepções, comportamentos e necessidades. Reconhecer essas diferenças pode ser fundamental para um tratamento eficaz e redução da utilização.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sintomas mal-definidos: como os MFCs lidam com eles

Explanation and relations. How do general practitioners deal with patients with persistent medically unexplained symptoms: a focus group study.

Artigo publicado no BMC Family Practice, oppen access, que tem dentre seus autores Chris Val Weel, do Conselho executivo da WONCA, discute a postura dos MFCs frente aos sintomas inespecíficos persistentes, sob a ótica das percepção dos mesmos sobre as explicações dadas aos pacientes, e como as relações com estes pacientes evoluem ao longo do tempo.

Metologia: Qualitativa, através de grupos focais, sob a metodologia da análise comparativa contínua.

Resultados:GPs reconhecem a importância de uma explicação adequada embora se sintam incapazes de explicá-las claramente ao pacientes. A explicação da inexistência de doença, o uso de metáforas e "normalização" dos sintomas é comum. Em pacientes hiperutilizadores, relatam a importância da relação médico paciente. Três modelos diferentes são utilizados: aliança-mútua caracterizada pelo ritual do cuidado (consultas regulares, exame físico regular) com o consentimento do médico e do paciente, aliança ambivalente, caracterizada pelo ritual do cuidado sem a aprovação do médico, e não-aliança, caracterizada pelo afastamento de todas as razões para o contato naqueles cujos sintomas não são de origem somática.

Conclusions: GPs tem dificuldade em explicar os sintomas, e quando os pacientes se tornam hiperutilizadores, eles focam o cuidado na manutenção da relação médico-paciente através dos rituais habituais do cuidado, balanceando a necessidade de manter esta boa relação e a prevenção quaternária (prevenção de intervenções iatrogênicas)

Acesso:

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sintomas relacionados com Cancer Ovariano

Risk of ovarian cancer in women with symptoms in primary care: population based case-control study

Com o objetivo de identificar e quantificar sintomas de câncer ovariano em pacientes da Atenção Primária, foi feito estudo Caso-controle no âmbito da atenção primária inglesa.

Foram avaliados retrospectivamente sintomas de 212 pacientes acima de 40 anos com diagnóstico de câncer ovariano primário, com 1060 controles ajustados para idade e prática em APS, em 39 centros ingleses.

Realizando regressão logística e análise multivariada, os autores identificaram 7 sintomas relacionados a doença: distenção abdominal (VPP=2,5%, O.R.=240), sangramento pós-menopausa (0,5%, 24), perda de apetite (0,6%, 17), aumento da frequencia urinária (0,2%, 16), dor abdominal (0,3%, 12), sangramento retal (0,2%, 7,6), empachamento abdominal (0,3%, 5,3).

Os autores ainda excluíram os sintomas relatados nos 180 dias que antecederam o diagnóstico para avaliar sintomas mais precoces da doença, e se mantiveram como sintomas independemente associados com o câncer ovariano: distensão abdominal, frequencia urinária e dor abdominal.

Os editorialistas do Wonca Journal Alerts/ Global Family Doctors ponderam que talvez o câncer ovariano não seja um "silent killer" e que a combinação destes sintomas seja importante.

Acesse o artigo no link a seguir (livre acesso):

BMJ (PDF)


BMJ (HTML)