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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Na opinião dos usuários, a Atenção Básica vai bem. Pórem…

Artigo do diretor do DAB analisa resultados da pesquisa da Ouvidoria Geral do SUS


Em artigo intitulado "Na opinião dos usuários, a Atenção Básica vai bem. Pórem…", Heider Aurélio Pinto - diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde e médico especialista em saúde coletiva - analisou os resultados da Pesquisa de Avaliação dos Usuários sobre a Atenção Básica, feita pela Ouvidoria Geral do SUS (SEGEP/MS).

A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2012 e investigou a satisfação com cidadãos usuários e "não usuários" do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto aos aspectos de acesso e qualidade percebida na atenção à saúde, mediante inquérito amostral.

Heider  começa por discutir o que significa ser ou não usuário do SUS, tendo em vista que, pela amplitude dos serviços realizados no âmbito do SUS, todos são usuários do sistema. A referência a cidadãos usuários e "não usuários" diz respeito aos que tiveram contato com alguma atividade assistencial prestada pelo SUS.

Esse recorte, conforme mostra em seu artigo, permite enxergar que os "não usuários" do SUS tem uma avaliação pior sobre o sistema de saúde em relação àqueles que são efetivamente atendidos pelo SUS. E a diferença é atribuída, segundo o autor, a uma repetição do discurso corrente na grande mídia a respeito do atendimento prestado pelo SUS.

A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Ouvidoria Geral do SUS (DOGES) e ouviu mais de 26 mil cidadãos acima de dezesseis anos em todo o país, que tinham ou não usado o SUS nos últimos 12 meses para vacinação, consultas, exames, atendimento de urgência, internação ou medicamentos. A amostra foi construída com o objetivo de avaliar a situação do país como um todo e de cada uma das capitais do Brasil e das cidades com mais de 500 mil habitantes.Essa avaliação do acesso e da satisfação da atenção básica na visão dos cidadãos brasileiros é a maior já realizada no país.

Essa pesquisa que tem a pretensão de ser periódica, visando  contribuir para o acompanhamento e a evolução do acesso e da qualidade na atenção básica, além de traçar tendências e orientar a tomada de decisões futuras. Essa é a ideia da “ouvidoria ativa”, enfatizada pelo Ministro Alexandre Padilha como fundamental para a formulação e planejamento de políticas públicas.

O artigo foi publicado em três partes: Na primeira,  Heider Aurélio Pinto discute  "Usuários e não usuários do SUS"; a seguir aborda o acesso, discutindo tempo de espera, distância percorrida pelos usuários para acessar uma unidade de saúde, dentre outras; por fim, analisa a satisfação de quem usou e quem não usou o SUS, especificamente abordando a satisfação com os profissionais e com os serviços, além da questão da prescrição de medicamentos e da relação da atenção básica com a rede de serviços.

Outras avaliações de acesso e satisfação já foram feitas, e esta avaliação "contribui para desfazer muitos mitos que de tanto se repetirem parecem ser verdade", afirma o diretor do DAB.

Leia o artigo na íntegra:



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Carta de Gusso, Guerváz e Mercedez ao The Lancet

Brazilian health-service organisation: problems at a glance

A série The Lancet sobre Brasil abrange quase todos os campos importantes para a saúde: a política de saúde, violência, doenças infecciosas, doenças crônicas não-transmissíveis e saúde materna e infantil. Mas no geral dá uma visão parcial de um país pobre com um sistema de saúde com base em programas verticais.

Na série está faltando, pelo menos, um artigo sobre a teoria da atenção primária e como ela está sendo trabalhada no Brasil e um artigo sobre organização dos serviços de saúde em geral. Tais artigos podem cobrir a distribuição geográfica desigual dos médicos (por exemplo, um por 574 habitantes na capital do estado do Amazonas, Manaus, em comparação com um por 9000 no resto do Amazonas), ou a má acessibilidade dos centros de saúde forçando pacientes para visitar a serviços de urgência sem a continuidade dos cuidados.

Perguntas que permanecem sem resposta são: a sociedade brasileira quer um sistema de saúde público universal; os membros das classes média e alta do Brasil sabe a importância de um sistema de saúde público forte; são políticas brasileiras a promoção de um sistema público de saúde para os pobres e um outro privado para o resto da população?

Um obstáculo principal a estas perguntas é a pressão sobre os epidemiologistas, gestores e acadêmicos para coletar dados de forma vertical. No entanto, a violência não pode ser vista como separada da doença infecciosa, da mortalidade materna, da toxicodependência, ou do desemprego. A Estratégia Saúde da Família, citada na maioria dos trabalhos da série, tem sido um veículo através do qual muitas ações verticais já foram integradas, e os resultados têm sido bem estudados. O que os leitores realmente precisam saber são os obstáculos para ir mais longe nesta respeito.

O resultado da série The Lancet é uma coleção de dados de saúde excelente mas vazia de mensagens relevantes para a tomada de decisões em torno da política de organização da saúde . Há a necessidade de entender a saúde no Brasil em termos das melhores respostas para os problemas dos serviços de saúde

Acesse a carta:










Leia também:

Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Entrevista de Bárbara Starfield ao Jornal InterAtivo


(Entrevista concedida ao então diretor de informática da AMMFC e SBMFC, Leonardo C M Savassi no XI Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, no Rio de Janeiro)

Read in English below


Entrevistada por Leonardo Savassi no Hotel Glória (RJ)

InterAtivo - Quais poderiam ser as estratégias para ampliar e / ou totalmente implementar a Atenção Primária no Brasil?
Barbara Starfield - Há a possibilidade para o Brasil se tornar o líder em cuidados primários da América Latina, desde que o interesse que os profissionais na publicação dos temas sejam demonstrados. Houve um upgrade nas publicações da OMS e estamos em um momento muito favorável a esses temas. A comunidade médica está levantando contra a indústria farmacológica, o que mostra a importância das ações de promoção e prevenção em saúde. Considero que algumas estratégias poderiam ser o aumento de publicações e pesquisa, e uma melhor avaliação das ações.

IA - Qual a sua impressão sobre a Medicina de Família nos EUA?
BS - (faz uma cara feia). No meu país os especialistas são poderosos e controlam as escolas de medicina. Não há interesse em ensinar os profissionais sobre Atenção Básica. Os dados existentes nesta edição são pobres e mal conhecido pelos profissionais, apesar de já estarem publicados.

IA - Qual a sua opinião sobre o problema entre os Médicos de Família versus outros especialistas?
BS - Como exemplo, posso citar a Espanha, onde o médico de família primeiro só poderia cuidar de Pacientes acima de 14 anos. Atualmente, ele está Autorizado para atender Pacientes mais de 7 anos (até 7 anos, só o pediatra pode consultar). Mas em áreas com população com menos de 6000 habitantes o médico de família atende todos os membros da comunidade. Uma estratégia poderia ser para convencer o especialista de que é "muito importante", agindo como um consultor para os profissionais de medicina familiar. Em nenhum país ao redor do mundo existe tal abordagem, exceto pelo Reino Unido que iniciou esta metodologia recentemente, e não pode ser avaliado ainda. Se o Brasil poderia fazê-lo, estará na liderança.

IA - No Brasil, as escolas médicas não formam um médico generalista completo. Costumo dizer que estamos formando médicos "pré-residentes" (não está pronto para a prática clínica).
BS - Na União Europeia, os médicos passam por três anos de residência em Medicina da Família. Esses profissionais são aqueles que ensinam os generalistas, como consultores. Considero que o processo de mudança de generalista para especialista - até mesmo em medicina familiar - sem uma formação adicional não é interessante.

IA - Considerando que esta é a 10 ª vez que você vem para o Brasil, como você vê a mudança na Atenção Primária em nosso país?
BS - Embora esta seja a minha visita 10 neste país, eu não posso fazer tal avaliação, pois em visitas anteriores eu estava em cidades diferentes, e considero difícil medir essas diferenças. Eu vejo com bons olhos os esforços do Governo na melhoria da qualidade na Atenção Básica. O Governo Brasileiro comprou da UNESCO 25,000 números do meu livro ("Primary Care") e, recentemente, mais 5000 para ser distribuído aos profissionais que atuam na Atenção Primária. Outro fato que considero relevante é o fato de ser chamada com mais freqüência para vir ao Brasil para discutir Atenção Básica.

Com a diretora Andréa Magalhães e ao fundo o Pão de Açúcar




English Version:

InterAtivo - Whose could be the strategies to amplify and/or fully implemment the Primary Care in Brazil?
Barbara Starfield - There is a possibility to Brazil become the leader in Latin América’s primary care, since the interest that the professionals are showing on the theme’s publication. There was an upgrade in WHO publications and we are in a very favorable moment to these themes. The medical community is raising against the pharmacological industries, what shows the importance of the actions of promotion and prevention in health. I Consider that some strategies could be the increase of publications and research, and a better evaluation of the actions.

IA - What is your impression about the Family Medicine in USA?
BS - (makes an ugly face). In my country the specialists are powerfull and controll the medical schools. There is no interest in teaching professionals about Primary Care. The existent data in this issue are poor and badly known by the professionals, although they are already published.
IA - What is your view about the problem between Family Doctors versus other specialists?
BS - As an example, I can citate Spain, where the family doctor first could only take care of pacients over 14 years. Nowadays, he’s autorized to attend pacients over 7 years (untill 7 yr, only the pediatrician can be consulted). But in areas with population under 6000 inhabitants the family doctor attends all of the community members. An strategie could be to convince the specialist of it’s “great importance”, acting like a consultor to the medicine family professionals. In no country arround the world there is such approach, except by UK that started this metodology recently, and cannot be evaluated yet. If Brazil could do it, will be at lead.

IA - In Brazil, Medical Schools do not graduate a complete General Practioner. I use to say that we are graduating “pre-residence” doctors (not ready for the clinical practice).
BS - In the European Union, physicians pass through 3 years of residence in Family Medicine. These professionals are the ones who teach the generalists, as consultors. I consider that the changing process from generalist to specialist – even in family practice - without a aditional formation is not interesting.

IA - Considering that this is the 10th time you come to Brazil, how do you see the change in Primary Care in our countrie?
BS - Although this is my 10th visit in this countrie, i cannot make such evaluation, because in prior visits I was in different cities, and consider dificult to measure these differences. I see with good eyes the efforts of the governament in improving the quality in Primary Care. Brazillian governament bought from UNESCO 25.000 numbers of my book (“Primary Care”), and recently more 5000 to be distributed to the proffessionals that act in Primary Atention. Other fact that I consider relevant is the fact of being called more frequently to come to Brazil to discuss Primary Care.

Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tirando "o bode da sala" em 53 dias de governo

Realizamos esta postagem a partir do texto em discussão na lista da SBMFC. A Dra. Maria Inez Padula Anderson é Médica de Família e Comunidade, Professora do Departamento de Medicina Integral, Familiar e Comunitária - FCM/UERJ. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e membro da Confederação Iberoamericana de Medicina Familiar.

A todos os parceiros de caminhada rumo a um sistema de saúde do século XXI e não do século XIX.


Esta noite passada, para mim, foi uma das mais angustiantes que passei nos últimos tempos. O motivo da angústia é a preocupação do que pode se descortinar pelas mudanças que foram acenadas para a APS no Brasil, em curtos e iniciais 50 dias de governo.

De fato, avaliar políticas públicas e rever processos requer um "tempo de gestação", um convívio maior com as diferentes interfaces das questões, e, principalmente a capacidade de verificar se tratam-se de propostas de caráter conjuntural ou estrutural. Estas últimas, afetam o coração, a razão de ser, podendo atuar de forma tão desestruturante, que o ponto de (re)equilíbrio só poderá ser alcançado às custas de uma reorganização patológica do sistema.

Quero tentar uma contribuição, que espero seja incrementada pelos demais participantes, de modo que tenhamos todos, argumentos - técnicos e políticos fortes - para lidar com a situação, seja no nível individual/profissional ou de representação social, seja no nível mais local ou mais abrangente, seja agora, seja sempre, pois o caminho pode ser longo. Quem sabe, também, podem auxiliar o próprio MS na reflexão e revisão das questões?

Convido, então, a um desafio. Especialmente aos que acreditamos na APS, não a do paradigma cartesiano anátomo-clínico, mas àquela do paradigma da integralidade biopsicosocial, onde a dissociação e a fragmentação do cuidado na base do sistema é um fator desestruturante da saúde e promotor de adoecimento de pessoas, famílias e comunidades.

O desafio tem por objetivo identificar FORTALEZAS, FRAGILIDADES e estratégias de resolução dos problemas da Estratégia Saúde da Família no Brasil - esta extraordinária forma de ajudar a consolidar o SUS que queremos e que vem, de forma revolucionária, (re)significando atores e ações de saúde com base numa racionalidade menos fantasiosa, e porque não dizer, mais precária e simplista, advinda da ciência cartesiana que, ainda hegemonicamente, domina corações e mentes (e bolsos dos atores e das industrias que se beneficiam com o culto à doença).

Inicio, juntando já algumas reflexões, sujeitas, naturalmente a críticas:


FORTALEZAS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

- Ter modificado, substancialmente e para melhor, em curto espaço de tempo, importantes resultados e indicadores de saúde do Brasil.

- Ter, em curto espaço de tempo, expandido e ampliado a cobertura assistencial de cuidados primários em saúde para mais de 100.000 milhões de brasileiros.

- Ter constituído uma rede forte, articulada e progressivamente qualificada de APS, levando, como nunca antes, acesso universal e sustendado à saúde da população, com base num novo modelo assitencial.

- Ser baseada em uma racionalidade científica distinta daquela geradora da crise da saúde no Brasil e no mundo.

- Não atuar na doença como disfunção de fragmento do corpo, mas junto às pessoas, famílias e comunidades e seus processos de adoecer.

- Ser baseada numa equipe básica - altamente custo-efetiva - que, atuando na perspectiva da integralidade e apoiada por uma rede de apoio matricial, tem elevada capacidade resolutiva, evitando as digressões e a perversidade dos percursos intermináveis e iatrogenicos dos pacientes pelo sistema de saúde.

- Utilizar, simultaneamente e integrativamente, a Abordagem Individual, a Abordagem Familiar e a Comunitária como estratégias para educar, promover e recuperar a saúde, evitando adoecimentos ou agravamentos desnecessários.

- Não é para pobres ou para ricos. Não é para sistema público ou privado. Aonde é implantada com qualidade, aumenta indistintamente a satisfação dos usuários, a qualidade da asssitencia, alcança melhores resultados em saúde, e até aumenta o " lucro" pois é mais eficaz e efetiva, a um menor custo

- Promove um re-equilibrio saudável na proporção e distribuição de especialistas focais, de um lado, dimunindo o acesso de pessoas sem necessidade e, por outro ampliando o acesso de outros com necessidade e que não têm acesso, seja por desorganização, seja pela não identificação dos casos.

- Ter permitido a alforria, a libertação, de uma especialidade médica - MFC - que durante décadas, tem sido afetada pela ação arrogante e preconceituosa de muitos outros especialistas e especialidades, algumas até bem próximas.

- Ter permitido levar à execução de políticas amplas de inserção organizada da APS nos cursos de graduação.

- Ter ampliado, de forma inigualável a formação e os cenários de capacitação pós-graduada no campo da APS no Brasil

- Ser fonte de reconhecimento nacional e internacional de política de saúde.



FRAGILIDADES DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

- É contra-hegemônica, trazendo ameaças reais e outras imaginárias ao status quo.

- Lida com disciplinas, saberes e especialidades médicas e não médicas desvalorizadas pelo sistema da doença (o que, por outro lado, é sua maior fortaleza).

- Tem dificuldade de prover profissionais qualificados para o trabalho equipes (alerta: esta não é uma dificuldade somente da ESF, representa sim, uma das piores crises da saúde pública do Brasil, hoje);

- O trabalho nem sempre é minimamente reconhecido, as condições de trabalho por vezes não é adequada; não há " respiro" para os profissionais (alerta: esta não é uma dificuldade somente da ESF, representa sim, uma das piores crises da saúde pública do Brasil, hoje);

- Dificuldades e incompetências técnicas e politicas de alguns gestores de saúde, em especial municipais, no planejamento e no enfrentamento dos problemas;

- Irresponsabilidade de gestores e políticos no trato da coisa e do bem público;

- Nestes campos, acima, naturalmente e obviamente, a Saúde da Família também sofre resistências.

Resistências de ordem diversa, mas que atuam sinergicamente. Estas resistências não estão localizadas numa esfera de governo, ou em algum lugar especifico do sistema. São mais ou menos capilares, mais ou menos focais, dependendo do grau de desenvolvimento alcançado. Por vezes, estão entre nós mesmos.

Tento exemplificar com algumas possíveis fontes de resistência:

"dos que lucram com a medicina das doenças" (ai incluídos profissionais e indústrias da saúde);

"dos bem intencionados" aqueles que, contra-produtivamente e pragmaticamente, propõem mudanças estruturais, achando que são conjunturais e contribuem para descontruir as soluções já alcançadas;

"dos desavisados" - aqueles que não tiveram a oportunidade de refletir sobre as limitações do paradigma cartesiano, onde o todo é a soma das partes, fazendo com que saúde seja confundida com bem de consumo, quanto mais especialistas e exames, melhor;

"os do contra mesmo" - aqueles, aparentemente mais fortes mas, na realidade, ameaçados e fragilizados, nas suas certezas, com medo de que as mudanças afetem de forma negativa a sua vida (o que, na grande maioria das vezes, é uma premissa falsa;

"os narcisos, que querem ver valer as suas ideias", para além do conhecimento existente e da experiência acumulada.


É preciso manter e aumentar a potencia da tríade CCC (de Cosme Ordonez, MFC cubano, do alto dos seus 85 anos): agir com Coragem, Coração e Cérebro. Vale a querência genuína de contribuir para preservar a Estratégia Saúde da Família tal como constituida na atualidade, pois este modelo tem demonstrado, para o Brasil e para o mundo, e, principalmente para a população que cuidamos: um avanço, sem precedentes, na qualidade, na organização e na ação dos sistemas de saúde.



Maria Inez Padula Anderson

Médica de Família e Comunidade

Departamento de Medicina Integral, Familiar e Comunitária - FCM/UERJ

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Atendimentos em APS "fora de hora" reduzem consultas em PAs no Canadá.

Primary Care Organization and Outcomes of an Emergency Visit among Seniors.

Pesquisadores do Canadá publicaram nas páginas eletrônicas da Healthc Policy de agosto uma avalialçai de dois serviços de atenção primária quanto a atendimentos "out-of-hours" (fora de hora) e seu impacto na procura por serviços de emergência.

Este estudo explorou quais características organizacionais dos serviços de atenção primária fornecidos pela área de residência em duas regiões do Quebec estão relacionados ao desfecho de procura a um departamento da emergência (PA), entre os idosos alta hospitalar.

Através de um banco de dados estadual administrativo e com base numa amostra de idosos que fizeram uma consulta ao PA e os seus resultados de 30 dias foram relacionados, de acordo com a área de residência, com dados de um levantamento de informantes-chave das clínicas de cuidados primários.

As medidas de características organizacionais incluíram três escalas derivadas da análise de componentes principais e, teoricamente, um derivado da pontuação global que mede o grau de conformidade com as características do ideal emergentes modelos de atenção primária. As sete medidas extraídos do questionário foram:
1. disponibilidade de serviços walk-in durante a semana e as noites da semana
2. disponibilidade de serviços noturnos
3. proporção de consultas de clínicas walk-in
4. disponibilidade de assistência médica ou de enfermagem no domicílio
5. Disponibilidade de gestão de casos crônicos
6. disponibilidade de uma enfermeira na clínica
7. se a continuidade ou a acessibilidade é priorizada na clínica

Além deles, o número de médicos trabalhando em tempo integral na clínica de APS (no mínimo 26 horas por semana, como média dos profissionais).

Foi realizada uma análise multivariada, ajustando para as características do paciente. Os pacientes que vivem em áreas no quartil mais baixo para o escore global de organização da APS tiveram maiores taxas de retorno ao PA sem internação.

Modelos organizacionais emergentes da atenção primária ao longo das linhas atualmente praticadas no Quebec podem ajudar a reduzir a carga crescente de cuidados de idosos em PAs. Os autores concluíram que "o desenvolvimento de modelos organizacionais da atenção primária, que oferecem um equilíbrio de atributos desejados (por exemplo, a integralidade, longitudinalidade, acessibilidade) pode ajudar a reduzir o peso crescente dos cuidados de ED dos idosos, enquanto políticas que favorecem os aspectos individuais (por exemplo, acessibilidade em vez de longitudinalidade) não pode ter esse efeito.


Acesso ao artigo:






Artigo: Primary Care Organization and Outcomes of an Emergency Visit among Seniors.
McCusker J, Roberge D, Ciampi A, Lévesque JF, Pineault R, Belzile E, Larouche D.
Healthc Policy. 2009 Aug;5(1):e115-31.
PMID: 20676243 [PubMed - in process] Free PMC Article Free text

sábado, 29 de maio de 2010

Aula: "Atenção Primária: evolução histórica e contexto mundial"

Compartilhamos a aula "Atenção Primária: evolução histórica e contexto mundial".

A Aula foi ministrada no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde do Centro de Pesquisas René Rachou, Mestrado e Doutorado Acadêmicos.

Disciplina Seminários em Saúde Pública. Coordenadora Zélia Profeta



Principios da aps 2010Outras apresentações de Leonardo Savassi no slideshare

Esta postagem (no slideshare) atingiu o status de "Hot on Twitter no dia 29 de maio de 2010):

"Principios da aps 2010" is being tweeted more than any other document on SlideShare right now. So we've put it on the homepage of SlideShare.net (in the "Hot on Twitter" section). (Fonte: SlideShare )

sábado, 16 de janeiro de 2010

Aula da Residência em MFC de Betim: Atividade Física na Atenção Primária

Aula da Preceptora Graziella Antunes Almeida no programa de Residencia em Medicina de Familia e Comunidade do Hospital Regional de Betim, ministrada em 15/01/2010, no Auditorio da Educacao em Saude (DESA), que abriu a programação teórica de 2010.




ALMEIDA, Graziella A. Prescricao de atividade fisica na atencao primaria. [aula] Betim: SMS/ DESA/ PRM MFC Betim, 2010. [disponivel online] [www.slideshare.net/rmmfcbetim] [acesso em ##/##/####]

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Medicina centrada no paciente em Ontário e a história da Saúde da Família Canadense

Patient-Centered Medical Homes in Ontario

Um pouco da história das Equipes de Saúde da Família canadenses neste editorial do NEJM.


The New England Journal of Medicine

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Arthur Kleinman blog antropologia e aps

Mensagem do Colega Leonardo Targa
(Blogs PSF Rural e Antropologia e APS)

Caros colegas
A competência cultural é uma das características da APS e deve ser estudada e aprimorada pelos MFCs.

Comunico que postei (sugestão Francisco A Oliveira) um ótimo texto sobre o assunto no blog de antropologia e aps.
O texto chama-se :

Anthropology in the Clinic: The Problem of Cultural Competency and How to Fix It
Arthur Kleinman, Peter Benson

e está disponível em www.antropologiaaps.blogspot.com

Créditos pelo envio:

Leonardo Vieira Targa
Nova Petrópolis RS
  

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Editorial do NEJM sobre APS

Primary Care and Accountable Care — Two Essential Elements of Delivery-System Reform

Diane R. Rittenhouse, M.D., M.P.H., Stephen M. Shortell, Ph.D., M.P.H., M.B.A., and Elliott S. Fisher, M.D., M.P.H.

O "patient-centered medical home" (PCMH) e o "accountable care organization" (ACO) são dois modelos em discussão para a reforma do sistema de saúde que têm abordagens complementares para atingir estes objetivos. O modelo PCMH enfatiza a criação de uma sólida fundação da atenção primária para o sistema de saúde, e o modelo ACO enfatiza o alinhamento de incentivos e de responsabilização dos prestadores de todos os cuidados continuados.

Os editorialistas discutem estes modelos na reforma estadunidense.

Acesse:

The New England Journal of Medicine

Nota: "Accountable care" pode ser traduzido de maneira simplista como "Responsabilização".

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Divulgando: [SBMFC] blog antropologia e aps

Mensagem do colega Leonardo Targa:

Caros colegas
É com muita felicidade que comunico a criação de um espaço de aproximação entre APS e antropologia, para divulgação, debate e disposição de material (textos e referências). Convido a todos para as duas atividades de antropologia e saúde no congresso em dezembro !!!

Coloquei lá para iniciar 3 postagens:

1 - texto do Francisco Arsego de Olliveira, colega MFC e mestre em antropologia, professor da UFRGS. Revisa conceitos de disease e illness, modelos explicativos para o processo saúde-doença, propõe modelos peritonial de troca entre culturas do médico e paciente entre outras. Enquadra-se dentro de uma perspectiva interpretativista do processo saúde-doença e apresenta idéias de autores importantes como Kleinman, Helman e Geertz.

2 - postagem de referências bibliográficas útil a quem está interessado em se aprofundar na relação entre as áreas, em especial para APS.

3 - texto onde colaborei com colegas sobre patentes de medicações (propriedade intelectual).

Grande abraço e espero que seja útil a vocês. (link abaixo)

Leonardo Vieira Targa
MFC Nova Petrópolis RS
Mestrando em Antropologia Social UFRGS
Estágio Rural em Medicina de Família e Comunidade - Convênio com GHConceição



Antropologia e Atenção Primária à Saúde

Espaço de aproximação entre atenção primária à saúde (APS) e antropologia. Destinado especialmente para profissionais da saúde, estudantes e residentes interessados em enriquecer suas práticas a partir de outras perspectivas.


Visite:

sábado, 12 de setembro de 2009

Uma Revista Inteira de Saúde da Família

Ciência e saúde coletiva: um número inteiro dedicado a Estratégia Saúde da Família

Publicado o Suplemento de Setembro/ Outubro de 2009 inteiramente dedicado a Estratégia Saúde da Família, com artigos de José Gomes Temporão - Ministro da Saúde, Claunara Schilling Mendonça - Diretora de Atenção Básica, além de debates, tribuna e artigos originais. Importante reflexão sobre o que se está discutindo na estratégia sob vários ângulos. Vale a pena conferir.

Acesse:
Ciência & Saúde Coletiva
Ciênc. saúde coletiva vol.14 supl.1 Rio de Janeiro set./out. 2009


Créditos: Elson Romeu Farias na lista da SBMFC

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pesquisa Nacional de Pacientes no uso da Atenção Primária

The GP Patient Survey for use in primary care in the National Health Service in the UK – development and psychometric characteristics


UK National GP Patient Survey: considerada a maior pesquisa em APS voltada para o relato da experiência de usuários em relação ao uso da atenção primária, que levou ao desenvolvimento deste novo instrumento de pesquisa.

O questionário de 66 itens refere-se a uma gama de aspectos da APS britânica, e no piloto 590/1500 (39.3%) responderam ao questionário. A Inglaterra obteve uma impressão geral favorárel relativa ao cuidado, especialmente devido a 3 componentes (cuidado médico, cuidado de enfermagem e acesso ao cuidado) na análise multivariada, respondendo por 68.3% da variância encontrada.

Os autores relatam: "The GP Patient Survey has been carefully developed and pilot-tested. Survey findings, aggregated at practice level, will be used to inform the distribution of £65 million ($107 million) of UK NHS resource in 2008/9 and this offers the opportunity for NHS service planners and providers to take account of users' experiences of health care in planning and delivering primary healthcare in the UK."

Ou seja, um verdadeiro questionário de planejamento. Fica a pergunta: quem vai validá-lo para o português?

Acesso ao artigo:

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sintomas relacionados com Cancer Ovariano

Risk of ovarian cancer in women with symptoms in primary care: population based case-control study

Com o objetivo de identificar e quantificar sintomas de câncer ovariano em pacientes da Atenção Primária, foi feito estudo Caso-controle no âmbito da atenção primária inglesa.

Foram avaliados retrospectivamente sintomas de 212 pacientes acima de 40 anos com diagnóstico de câncer ovariano primário, com 1060 controles ajustados para idade e prática em APS, em 39 centros ingleses.

Realizando regressão logística e análise multivariada, os autores identificaram 7 sintomas relacionados a doença: distenção abdominal (VPP=2,5%, O.R.=240), sangramento pós-menopausa (0,5%, 24), perda de apetite (0,6%, 17), aumento da frequencia urinária (0,2%, 16), dor abdominal (0,3%, 12), sangramento retal (0,2%, 7,6), empachamento abdominal (0,3%, 5,3).

Os autores ainda excluíram os sintomas relatados nos 180 dias que antecederam o diagnóstico para avaliar sintomas mais precoces da doença, e se mantiveram como sintomas independemente associados com o câncer ovariano: distensão abdominal, frequencia urinária e dor abdominal.

Os editorialistas do Wonca Journal Alerts/ Global Family Doctors ponderam que talvez o câncer ovariano não seja um "silent killer" e que a combinação destes sintomas seja importante.

Acesse o artigo no link a seguir (livre acesso):

BMJ (PDF)


BMJ (HTML)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Atenção Domiciliar por Enfermeiras Distritais e Médicos de Família: dificuldades e aproximações

Family physicians’ effort to stay in charge of the medical treatment when patients have home care by district nurses. A grounded theory study

Artigo publicado no BioMed Central (BMC) Family Practice. central de artigos de livre acesso, traz pesquisa qualitativa realizada acerca das dificuldades e aproximações entre Enfermeiras Distritais e Médicos de Família Suecos, no que concerne ao Home Care naquele país.

Através de entrevistas semi-estruturadas com 13 Médicos de Família, e utilizando a Grounded theory methodology (GTM) para análise, o artigo traz importantes considerações acerca da confiança entre estes profissionais, o trabalho em equipe, e como resultado principal, a dificuldade dos Médicos de Família manterem-se responsáveis pelo tratamento

Avaliados sob a ótica da Atenção Primária e suas funções, surgem três grandes dificuldades, a medida que as Enfermeiras Distritais se responsabilizam pelo cuidado e tomam para si as visitas domiciliares, enquanto os Médicos de Família tem menor disponibilidade para este cuidado: conseguir percepção/ conhecimento suficientes, tomar decisões adequadas e manter o tratamento médico apropriado.

Interessante para comparar as condições e relações de trabalho entre eles, em comparação à realidade nacional.

Acesso ao artigo [htm] - [pdf]

BMC Family Practice 2009, 10:45

terça-feira, 31 de março de 2009

Triagem de depressão na infância e adolescência

Screening for Child and Adolescent Depression in Primary Care Settings: A Systematic Evidence Review for the US Preventive Services Task Force

A USPSTF lança na versão eletrônica da Revista Pediatrics as recomendações 2009 para a triagem de depressão em crianças e adolescentes. A última revisão foi feita há sete anos.

As recomendações são de que adolescentes entre 12 e 18 anos sejam triados para depressão maior, porém desde que se possa oferecer acompanhamento, diagnóstico preciso e psicoterapia. Os autores revelam que a prevalência pontual de depressão em adolescentes na atenção primária varia de 9% a 21%.

Para a triagem são indicados tanto o Inventário de Depressão de Beck para atenção primária (Beck Depression Inventory-Primary Care) ou o Patient Health Questionnaire (PHQ) for Adolescents.

O tratamento recomendado e de maior eficácia é a psicoterapia, e os inibidores seletivos de recaptação de serotonina também podem ser utilizados, embora aumentem o risco de suicídios e exijam monitoramento clínico contínuo durante seu uso.

Artigo Livre acesso na Pediatrics

PHQ-9 for CHILDREN & ADOLESCENTS

sábado, 28 de março de 2009

Boas Práticas e cessação do tabagismo

Self-reported smoking cessation activities among Swiss primary care physicians

Disponível no Biomed Central Primary Care (Oppen Access) pesquisa com 3385 médicos de APS suíços demonstrou o uso de nove intervenções para cessaçao do tabagismo. A literatura aponta que apenas Aconselhamento, farmacoterapia e terapia de grupo são intervenções cientificamente embasadas,

Neste estudo, optou-se por pontuar somente as intervenções baseadas em evidências, pontuando-as com 1 ponto, e considerando boas práticas médicas aquelas que, após análise multivariada logística, apresentaram escore superior a 1.

De 55% que responderam aos questionários, a maioria tinham mais de 40 anos (88%), eram homens (79%), e residiam em áreas urbanas (74%). Seventeen percent reported being smokers. A maioria dos médicos prescreveu terapia de reposição nicotínica (84%), bupropiona (65%), ou realizaram aconselhamento (70%). Recomendaram acupuntura 26% , hipnose 8%, relaxamento 7%, e material de autoaujda 24%. Um escore de boa prática clínica foi atingido por 85% dos respondentes.

O único preditor de boas práticas foi ter recebido um programa de treinamento de cessação do tabagismo. (odds ratio: 6.24 , 95% CI 1.95-20.04).

No Brasil, o INCA e a ABRASCO promovem capacitações para que profissionais possam fazer terapia cognitiva e utilizar medicamentos e reposição nicotínica nas Unidades de Saúde.

Acesso ao artigo (BMC Primary Care)

Acesso ao sítio do Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Diagnóstico de Pessoas Vivendo com Problemas de Alcoolismo

Primary Care Validation of a Single-Question Alcohol Screening Test

Recentemente o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) lançou artigo publicado no J Gen Intern Med, publicado em 12/03/2009.

O artigo está em Livre Acesso, e o site do NIAAA tem material interessante sobre o tema. O "single screening question"recomendado identifica com precisão o uso nocivo de alcool em pacientes da Atenção Primária. Os dados são de um estudo cross-seccional.

O screening se compõe de uma pergunta: "How many times in the past year have you had X or more drinks in a day?" (X = 5 para homens e 4 para mulheres). Foi definida como resposta positiva para o screen "mais de uma vez".

Como comparação, foi utilizada uma entrevista diagnóstica que revelava a presença de uso nocivo ou o método do calendário demonstrando o risco de consumo.

O artigo disponível e a seguinte literatura pode ser acessada:

Artigo Oppen Access

Guideline (2005) do NIAAA
Blog da UNIAD (Unidade Pesquisa Alcool e Drogas)/Unifesp (Contém escalas padronizadas)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Médico de Família como Líder de Equipe de APS

Family Physicians as Team Leaders: “Time” to Share the Care

Este interessante artigo de Livre Acesso foi publicado no Preventing Chronic Disease, publicação do Centers for Disease Control (CDC), sob livre acesso.

O artigo discute o papel do MFC sob a ótica do número de pacientes e o tempo do médico. Segundo os autores, o tempo para o cuidado de uma população de 2500 pacientes por MFC seria de 21,7 horas por dia, incluindo o tempo dedicado a atendimento da demanda.

Por isto, são recomendadas equipes de Atenção Primária (como as nossas ESF), contendo enfermeiras, nutricionistas, educadores em saúde, dentre outros (ampliada, então).

Visite o artigo no site do CDC

(Créditos pela divulgação: Eno de Castro Filho, MFC, na lista da SBMFC)