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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Na opinião dos usuários, a Atenção Básica vai bem. Pórem…

Artigo do diretor do DAB analisa resultados da pesquisa da Ouvidoria Geral do SUS


Em artigo intitulado "Na opinião dos usuários, a Atenção Básica vai bem. Pórem…", Heider Aurélio Pinto - diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde e médico especialista em saúde coletiva - analisou os resultados da Pesquisa de Avaliação dos Usuários sobre a Atenção Básica, feita pela Ouvidoria Geral do SUS (SEGEP/MS).

A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2012 e investigou a satisfação com cidadãos usuários e "não usuários" do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto aos aspectos de acesso e qualidade percebida na atenção à saúde, mediante inquérito amostral.

Heider  começa por discutir o que significa ser ou não usuário do SUS, tendo em vista que, pela amplitude dos serviços realizados no âmbito do SUS, todos são usuários do sistema. A referência a cidadãos usuários e "não usuários" diz respeito aos que tiveram contato com alguma atividade assistencial prestada pelo SUS.

Esse recorte, conforme mostra em seu artigo, permite enxergar que os "não usuários" do SUS tem uma avaliação pior sobre o sistema de saúde em relação àqueles que são efetivamente atendidos pelo SUS. E a diferença é atribuída, segundo o autor, a uma repetição do discurso corrente na grande mídia a respeito do atendimento prestado pelo SUS.

A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Ouvidoria Geral do SUS (DOGES) e ouviu mais de 26 mil cidadãos acima de dezesseis anos em todo o país, que tinham ou não usado o SUS nos últimos 12 meses para vacinação, consultas, exames, atendimento de urgência, internação ou medicamentos. A amostra foi construída com o objetivo de avaliar a situação do país como um todo e de cada uma das capitais do Brasil e das cidades com mais de 500 mil habitantes.Essa avaliação do acesso e da satisfação da atenção básica na visão dos cidadãos brasileiros é a maior já realizada no país.

Essa pesquisa que tem a pretensão de ser periódica, visando  contribuir para o acompanhamento e a evolução do acesso e da qualidade na atenção básica, além de traçar tendências e orientar a tomada de decisões futuras. Essa é a ideia da “ouvidoria ativa”, enfatizada pelo Ministro Alexandre Padilha como fundamental para a formulação e planejamento de políticas públicas.

O artigo foi publicado em três partes: Na primeira,  Heider Aurélio Pinto discute  "Usuários e não usuários do SUS"; a seguir aborda o acesso, discutindo tempo de espera, distância percorrida pelos usuários para acessar uma unidade de saúde, dentre outras; por fim, analisa a satisfação de quem usou e quem não usou o SUS, especificamente abordando a satisfação com os profissionais e com os serviços, além da questão da prescrição de medicamentos e da relação da atenção básica com a rede de serviços.

Outras avaliações de acesso e satisfação já foram feitas, e esta avaliação "contribui para desfazer muitos mitos que de tanto se repetirem parecem ser verdade", afirma o diretor do DAB.

Leia o artigo na íntegra:



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Entrevista Juan Gérvas a Rede de Pesquisas APS

Transcrevemos a entrevista do Médico Espanhol Juan Gérvas para o portal da Rede APS (Pesquisa em Atenção Primária):

Juan Gérvas é bacharel e Doutor em Medicina pela Universidade de Valladolid (Espanha).
Atua como Professor de Gestão e Organização de Atenção Primária à Saúde no Mestrado em Administração e Direção de Serviços Sanitários, Fundação Gaspar Casal (Madrid) e Universidade Pompeu Fabra (Barcelona). Também é Professor convidado de Atenção Primária à Saúde no Instituto de Salud Carlos III, Escuela Nacional de Sanidad, Departamento de Salud Internacional, Madrid e Professor honorário do Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública, na Universidade Autônoma de Madrid. Desde 1980 Coordena a Equipe CESCA, grupo científico de pesquisa e análise da organização e atividade da atenção primária e é, desde 1986, Membro do Comitê Internacional de Classificações da Organização Mundial de Médicos de Clínica Geral/de Família (WONCA).

1) Quais aspectos você considera positivos e negativos na saúde do Brasil e quais os maiores avanços da APS brasileira?

A respeito da saúde no Brasil, destaco como positivo o controle das doenças infecciosas e, até certo ponto, das causas externas da morte. O padrão de morbidade e mortalidade brasileiro é de um país desenvolvido, com algumas exceções, como a maior prevalência da tuberculose, hanseníase e dengue. Persiste uma alta taxa de mortalidade por homicídios e também mortalidade consequência de abortos voluntários ilegais. Chama a atenção a alta taxa de cesarianas, com seu impacto negativo na mortalidade materna.O gasto sanitário é alto, em torno de 8,5% do Produto Interno Bruto, e negativamente destaco que seu componente público não chegue a 50%. Por isso é possível dizer que o Brasil, do ponto de vista financeiro, carece de um sistema público de cobertura universal. A Atenção Primária à Saúde (APS) é um componente central na estrutura sanitária brasileira. Como pontos positivos destaco sua maior implantação nas áreas de baixo índice de Desenvolvimento Humano, seu impacto na saúde e nas hospitalizações evitáveis. Também é positivo que a APS tenha desenvolvido a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que inclui um médico generalista especializado (o médico de família) em uma equipe multidisciplinar e conserva os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) como pilar para o trabalho com a comunidade. É relevante o contínuo apoio federal, estadual e municipal à ESF.

2) Em recente levantamento sobre o trabalho das Unidades Básicas de Saúde brasileiras, a que pontos positivos e negativos gostaria de dar destaque?

Nos meses de abril, maio e junho de 2011 visitamos um total de 70 unidades básicas (sete horas em média em cada uma), em 19 estados, entrevistamos mais de 500 profissionais, e observamos diretamente até 150 encontros profissional-paciente-família-comunidade. Obtivemos informação em primeira mão, como forma de comparar a teoria com a realidade. Com base nessa pesquisa elaboramos um amplo relatório, disponível em português e espanhol (e com resumo em inglês):

http://www.sbmfc.org.br/default.asp?site_Acao=MostraPagina&PaginaId=524

Como pontos positivos, deve ser destacada a dedicação dos profissionais, a distribuição das unidades segundo a necessidade das populações, a dotação de odontologia e de medicamentos, o interesse de políticos e gestores pela melhor prestação de serviços, a existência da residência para a formação de médicos e de outros profissionais, e a capacidade de dar resposta a problemas muito variados (desde a mulher gestante às vacinações das crianças, passando pelo combate à dengue e a atenção a hipertensos e diabéticos). É muito positiva a existência de um sistema de informação com definições homogêneas, e em alguns casos com apoio no prontuário (história clínica) eletrônico. Também é importante a presença da atividade de pesquisa, com excelentes publicações nacionais e internacionais. Deve destacar-se a ausência da indústria farmacêuticas nas unidades básicas.

Como pontos negativos temos a escassa dotação tecnológica das unidades básicas (ancoradas em um desenho de predominância das doenças infecciosas, sem elementos tão básicos quanto a morfina e o oftalmoscópio, por exemplo), a preponderância dos programas verticais e, em consequência, da prestação de serviços verticais (uma tarde para grávidas, uma manhã para crianças, uma tarde para hipertensos, uma manhã para domicílios, etc.), a existência de uma "cultura da desconfiança" (com gestores quase sem autonomia), o "horror à incerteza" clínica (existe a intenção de protocolar tudo, do acolhimento ao atendimento de urgências), um "déficit curativo" (em muitos casos a prevenção e a promoção predominam de tal forma que parecem não ser necessárias atividades nem curativas nem de reabilitação), equipes "orgânicas" mas não funcionais, a fragilidade da ESF (em cada município é dado o mesmo nome a realidades muito distintas, com implantação de Unidades de Pronto Atendimento para dar resposta ao "déficit curativo"), e os distintos tipos de contratos de médicos e outros profissionais, que não estimulam a permanência nem o compromisso com a população (a "rotatividade" é "excessiva"). É uma APS rígida, "focada" no paciente com capacidade de adaptação a protocolos e programação, pouco resolutiva tanto para problemas agudos quanto crônicos, e com uma excessiva derivação (encaminhamento). O sistema de informação está centralizado no processo, e não é utilizado para uma competência referencial (benchmarking). Além disso, a coordenação entre os níveis é escassa ou nula, como demonstra a frequente ausência de relatórios (contra-referência) de especialistas e hospitais.


3) Um dos problemas para o fortalecimento da atenção primária está na contratação de profissionais, principalmente médicos. Como solucionar essa questão?

No Brasil não faltam profissionais bem formados, tanto médicos quanto enfermeiras, técnicos e ACS, mas falta uma política de recursos humanos que "mime" os profissionais e que fomente uma distribuição geográfica mais justa. Essa é uma política chave, dado que os serviços sanitários são serviços pessoais, que dependem da qualidade e cordialidade dos profissionais. É necessária mais e melhor pesquisa para conduzir as ações e um sistema de informação que permita a competência referencial.As condições de contratação teriam que melhorar em todos os sentidos, especialmente com uma política de motivação. Por exemplo, com um contrato federal homogêneo, que garantisse um denominador comum e um salário digno. São necessários também incentivos para evitar a "rotatividade" excessiva dos profissionais (por exemplo, um complemento salarial que aumente com a passagem de meses e anos no mesmo posto de trabalho que desapareceria com a transferência). Da mesma forma, é necessária motivação profissional, de maneira que o médico adquira e mantenha continuamente uma grande polivalência, grande capacidade de resolução de problemas, que se sinta formado e informado sobre novidades, que possa desenvolver suas habilidades e atitudes (por exemplo, cirurgia menor, atividades de ginecologia, atenção em domicílio de pacientes terminais, um sistema de inteligência sanitária que lhe permita "estar em dia" na prestação de serviços, etc.). É fator chave conseguir que os serviços sejam oferecidos de acordo com as necessidades, os pacientes e famílias (comunidades) que mais precisam deles, o que exige flexibilidade nos horários de atenção. Para isso são necessárias as 40 horas semanais de trabalho e a dedicação exclusiva à ESF (com forte incentivo para consegui-la).É necessário aprofundar na reforma pró-conteúdo (com melhor formação, capacitação e dotação de tecnologia) e desenvolver uma reforma pró-coordenação (o médico de família e sua equipe como primeiro contato e como filtro para todos os especialistas, inclusive pediatras, ginecologistas e clínicos gerais). O médico de família e sua equipe devem ampliar sua oferta direta de serviços, sem o "intermediário" da "clínica ampliada".Conviria especialmente "mimar" os profissionais do mundo rural, com um plano específico. Trata-se de conseguir sua permanência por anos e, ao mesmo tempo, sua realização pessoal. Por exemplo, com férias maiores, com melhor formação continuada e com mais dotação tecnológica. No programa deveriam ser incluídos benefícios para sua família, como bolsas universitárias para os filhos (e preferência para seu ingresso nas melhores universidades), apoio financeiro e gerencial para atividades do cônjuge, etc. Por último, é básico capacitar as enfermeiras que são líderes de equipes nos quais não há médicos, e os ACS que trabalham em equipes sem médico nem enfermeira. Estes profissionais deveriam contar com um apoio contínuo para capacitá-los e para promover seu trabalho resolutivo, tanto com atualização de conhecimentos como com a melhor e mais nova tecnologia. Bem formados, reconhecidos e com apoio técnico e científico poderiam oferecer cuidados e atenção de primeira qualidade. Seriam aplicados, também, os incentivos citados mais acima.Para eliminar enrijecimentos, e obter equipes funcionais ("não orgânicas"), é necessário evitar ou limitar a legislação e os acordos sobre "atos médicos" e as normas sobre os atos da enfermagem.

4) Como você avalia a parceria da academia e serviços no apoio e fortalecimento da atenção primária e o que deve ser feito para incrementar essa relação?

A atividade acadêmica tem sido vista com frequência como uma "torre de marfim", afastada da realidade e das necessidades sanitárias. Entretanto, uma APS forte precisa de fortes atividades de pesquisa e docência.Existe um abismo entre a eficácia demonstrada e a efetividade prestada, ou seja, sabemos muito mais do que fazemos. Para ultrapassar esse abismo é imprescindível a coordenação entre a academia, a política, a gestão e a prática clínica. O novo conhecimento deve chegar às unidades básicas de forma que seja aplicável diretamente, o que exige um trabalho de "inteligência sanitária", com a capacitação e a tecnologia necessária.O Brasil gasta 1% do seu Produto Interno Bruto em pesquisa e é líder em publicações na América Latina. Esta atividade deve chegar ao gestor e ao clínico para melhorar a atenção aos pacientes, famílias e comunidades.A Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde é um bom exemplo de cooperação entre a pesquisa, a política, a gestão e a clínica e pode melhorar com maior participação e conhecimento mútuo. Por exemplo, com a participação dos pesquisadores no dia a dia das unidades básicas (uma semana por ano seria suficiente) e com a integração dos clínicos na docência e pesquisa (sem deixar a clínica, em tempo parcial, como parte do plano de "motivação", inclusive). Também pode melhorar com a atividade de inteligência sanitária mencionada anteriormente:
http://www.equipocesca.org/wp-content/uploads/2010/04/inteligencia-sanitaria-y-atencion-primaria-brasil-2010.pdf

A cooperação também pode melhorar com o apoio às atividades das sociedades científicas dos profissionais. Por exemplo, há uma APS forte onde as sociedade de médicos de família são fortes também:
http://www.equipocesca.org/organizacion-de-servicios/western-european-best-practice-in-primary-healthcare/

Por isso, o apoio à pesquisa e à docência por parte da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, comprometida com a APS e com a ESF, seria muito conveniente, por ser firme sócia e aliada estratégica para alcançar um moderno sistema sanitário de cobertura universal no Brasil.

Existe o exemplo espanhol dos Seminários de Inovação em Atenção Primária, que conseguem misturar a academia, a clínica, a gestão, os sindicatos, residentes e o mundo urbano e rural. Grande parte do trabalho e do debate é à distância (online), o que favorece a participação segundo a capacidade (meritocracia). Neste Seminários já há participação brasileira, portuguesa e de outros países. A consulta pode ser feita em:

http://www.equipocesca.org/organizacion-de-servicios/perspectivas-internacionais-os-ventos-favoraveis-que-soplan-de-espanha-e-a-experiencia-dos-seminarios-de-innovacao-en-cuidados-de-saude-primarios-sicsp/

http://www.equipocesca.org/uso-apropiado-de-recursos/primary-care-innovation-seminars-an-experience-in-dissemination-of-knowledge-on-network/
http://www.equipocesca.org/organizacion-de-servicios/prevencion-cuaternaria-teoria-y-practica-en-la-consulta-la-ensenanza-y-la-politica-sanitaria-y-su-relacion-con-la-equidad-y-el-coste/

http://www.equipocesca.org/organizacion-de-servicios/what-role-for-primary-health-care-in-modern-health-service-provision-seminar-of-innovation-in-primary-care-madrid-spain-22nd-september-2012/

5) Como você analisa a qualidade da atenção à saúde no Brasil?

Utilizo o Brasil, Costa Rica, Eslovênia, Kerala (Índia) e Tailândia como exemplos positivo nos meus cursos sobre organização de sistemas sanitários. Pode ser visto em:
http://www.youtube.com/user/SBMedFC?feature=mhee#p/u/0/hQOCqQ5u01Q
Não há país sem problemas, mas o Brasil serve de exemplo no sentido de colocar os meios para superar os obstáculos.A qualidade e a segurança são questões centrais em todos os sistemas sanitários do mundo. Considerando 10 como nota máxima, daria nota 6 ao Brasil, porque supera a média mas não há muito a fazer.A APS no Brasil foi revolucionária e avançada nos seus primeiros momentos de implantação, nos 80 e 90 do século passado, mas parou no tempo e precisa de uma enorme injeção de conhecimentos, tecnologia e ilusão. Podemos obter isto potencializando a ESF e a diminuição dos programas verticais. Por exemplo, aumentando a capacitação dos profissionais das unidades básicas para atendimento de pacientes terminais em domicílio (sem precisar desenvolver uma rede paralela de "saúde em domicílio").

6) O que diferencia os estudos sobre atenção à saúde feitos no Brasil ao realizados em outros países?

No Brasil os estudos estão excessivamente concentrados em alguns centros acadêmicos de cidades como Porto Alegre, Campinas, Florianópolis, entre outras. Nos outros países costuma ser feita uma melhor distribuição geográfica.
Também sente-se a falta no Brasil da pesquisa a partir das unidades básicas, de médicos e enfermeiras que sendo clínicos também participam da docência e análises. Estes líderes clínicos são a chave para desenvolver uma ética profissional, um profissionalismo sadio, que exija atualização e trabalho de qualidade. convém o fomento de tais lideranças, mas sem deixar de trabalhar nas unidades básicas.Em todos os países do mundo, também no Brasil, faltam ensaios clínicos aleatórios realizados na APS por profissionais da academia e das unidades básicas.Por último, conviria sair dos caminhos rotineiros, de repetir e repetir estudos que não são de interesse (do estilo "fatores de risco cardiovascular em Porto Alegre") para considerar questões peculiares e próprias, tanto da APS em geral, quanto da ESF no Brasil. Por exemplo: as vantagens da lista de pacientes e da liberdade de escolha da equipe (dentro da área geográfica); o excesso das rotinas (aerossóis, triagem e demais); o impacto da longitudinalidade no uso de serviços e os resultados sanitários; a relação entre a capacitação, o processo e o resultado da atenção; a prestação de serviços segundo a necessidade; a existência e controle das resistências bacterianas; e os danos provocados pela classificação (screening) do câncer, etc.

7) Como você vê o papel da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde?

Acredito que tem um papel chave e que poderia ser um elemento dinamizador para levar o melhor e mais atual na prestação de serviços até o último ACS da região mais remota do Brasil. Talvez precise de maior dinamismo e mais "inteligência sanitária". Por exemplo: colocando em dia as pautas de vacinação (a pauta da vacina contra o tétano, para citar uma, pode ser simplificada, com as doses da infância e adolescência e a seguinte revacinação aos 65 anos, obviando as doses "a cada 10 anos"); o melhor uso dos antibióticos, para a definição do conteúdo tecnológico básico nas unidades e para muitas outras questões nas quais é preciso "traduzir" a pesquisa em ações. Em todo caso, a Rede tem desempenhado e desempenha um papel fundamental e merece receber apoio em todos os sentidos.

Fonte: Rede APS:
http://www.rededepesquisaaps.org.br/redeaps/index.php
Recebido por Email.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Fiocruz apresenta Agenda Estratégica para a Saude no Brasil

Agenda Estratégica para a Saude no Brasil
(adaptado do email da RedeAPS)

Divulgados resultados da reunião de entidades e militantes da Reforma Sanitária, do SUS, do setor saúde e da sociedade brasileira com o Ministro Padilha no dia 05 de agosto de 2011. A reunião ocorreu no Rio, na FIOCRUZ, durante o Seminário Preparatório à Conferência Mundial de Determinantes Sociais da Saúde - que oco rrerá no Rio de Janeiro de 19 a 21 de outubro próximo. À semelhança de outras reuniões, a coincidência com um evento nacional facilitou e ampliou a participação.

O encontro com o Ministro marcou o lançamento público do sítio da AGENDA ESTRATÉGICA PARA A SAÚDE NO BRASIL http://www.saudeigualparatodos.org.br e foi precedido de de uma reunião (dia 04/08/2011) de entidades e militantes na ENSP. As reuniões estão amplamente divulgadas nas páginas da Abrasco, Cebes, Rede Unida, e no sítio na Internet (http://www.saudeigualparatodos.org.br) é possível obter cópia do documento, enviar mensagens, deixar contribuições e participar do debate sobre as propostas para a saúde no país. O evento oportunizou o debate de visões e expectativas, em um clima de diálogo que priorizou o debate sobre compromissos que melhorem o desempenho do Sistema Único de Saúde e as condições de saúde da população.

Segundo Luiz Augusto Facchini (Abrasco):
A AGENDA é um esforço da capacidade de diálogo das entidades e militantes em favor do pleno alcance dos propósitos e fundamentos do SUS e, ainda mais importante, do entendimento de que saúde é desenvolvimento e por isso precisa ocupar posição central nas políticas de desenvolvimento do país. É também o resultado de um movimento solidário, que sem definir chefes e subalternos e sem exigir a renúncia de pontos de vista e princípios de entidades e sujeitos, deseja mobilizar corações e mentes para que se alcance um SUS igual para todos, desde governantes e trabalhadores até a academia e a sociedade brasileira. O documento não tem a cara de apenas uma entidade, é a síntese complexa e possível de múltiplos participantes. O documento olha o SUS de maneira sistêmica, buscando avanços que consolidem a materialização financeira, de gestão, da rede de serviços, da força de trabalho, de ciência, tecnologia e inovação em nosso sistema de saúde.

Faça o Download da "Agenda Estratégica":


Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Domhnall MacAuley [BMJ]: prevenção quaternária e o 11o CBMFC


O editor do BMJ Domhhall MacAuley esteve no XI Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, realizado no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília, entre os dias 23 e 26 de junho.

Em seu Blog editorial do dia 07 de julho, MacAuley inicia trabalhando o conceito de prevenção quaternária - temática central do Congresso. Prevenção quaternária significa proteger os pacientes de interferência médica - um papel em que a prática geral é fundamental.

Tive o prazer de coordenar uma mesa em que Dr. MacAuley palestrou - Pesquisar e Publicar é preciso - que contou com o brilhantismo de Airton Telbot Stein (RS) e Marcelo Demarzo (SP), debatendo a pesquisa e publicação em APS de maneira direta. E com uma platéia composta desde os nomes consagrados da MFC nacional, como os Professores Elis Busnello (RS), Eno Filho (RS), Inez Padula (RJ), Ricardo Donato (RJ), Aldo Ciancio (USA) e Rodrigo Pastor (MG) até grandes expoentes como as preceptoras de Betim (MG) Janaína Miranda, Janaína Le Sann e as residentes Helena Santos e Denise Dutra (MG). Ainda nesta mesa, o Prof. Airton Stein foi homenageado pela SBMFC.

Foto: Janaína Miranda
Airton Stein, Leonardo Savassi, Domhhall MacAuley
e Marcelo Demarzo

MacAuley cita em seu blog alguns dos nomes que figuram em qualquer lista de discussão da MFC brasileira, como a Irmã Monique Bourget (SP), e o fino colega Marcelo Kolling (PR), e aponta que nunca tinha visto algo parecido com um congresso de 4.000 parcitipantes, poucos deles acima de 40 anos de idade, e nenhum envolvimento da indústria farmacêutica. Um "colégio incrivelmente jovem e vibrante", tal eram a energia, entusiasmo e otimismo, e conclui: "Eles poderiam ser os futuros líderes na pesquisa em atenção primária. Mas, eu não acho que eles percebem muito o seu próprio potencial".

Acesse o Blog:

BMJ - helping doctors make better decisions


Leia também:

Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi

sábado, 15 de janeiro de 2011

Entrevista com James Macinko

James Macinko é um investigador dos serviços de saúde com foco na atenção primária à saúde. Desde 2003 ele trabalha como professor assistente de saúde pública de New York Sua pesquisa se concentra na avaliação do impacto das reformas e mudanças na política de saúde, desenvolvendo instrumentos para avaliar o desempenho dos cuidados primários, e explorar o vasto papel dos sistemas de saúde e serviços na produção e potencial redução das disparidades globais de saúde. Sua experiência de campo inclui a avaliação dos programas de atenção primária à saúde e políticas na América Latina e no Caribe; avaliação dos programas de desenvolvimento da micr oempresa na África e na América Latina, a assistência da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional e da Organização Mundial da Saúde para desenvolver indicadores para avaliar a prevenção de doenças infecciosas e programas de controle na África Subsaariana, a monitorização das eleições de coordenação na Etiópia, e trabalhando com as comunidades latinas, em Washington DC, Filadélfia e Nova York, para identificar e eliminar as barreiras aos cuidados de saúde primários.






Quais são os aspectos que você considera positivos e negativos ou que poderiam ser aprimorados no sistema único de saúde brasileiro?

A pergunta é importante e muito abrangente. Para mim, sobretudo alguém que vem dos EUA onde não temos sistema único de saúde, não temos o SUS. Para mim, a existência do SUS é uma coisa que me inspira muito. Todo o processo de desenvolvimento do SUS, todo processo de participação social, na criação e na construção contínua do SUS. Acho que é uma coisa maravilhosa. É uma reflexão da própria sociedade brasileira que busca uma melhora nas condições de vida e também é uma ênfase na responsabilidade do cidadão, na sua participação e do Estado nos serviços necessários pra que todos possam se desenvolver.



O que você acha importante e que poderia ser aprimorado?



Uma coisa que já vimos em várias pesquisas e que necessitam de debates e apresentações. Não é uma coisa que praticamente deva acontecer somente com o Brasil, mas é essa ênfase que continua nos cuidados agudos e nos cuidados hospitalares. Também há uma grande ênfase nos gastos do SUS que vão para os serviços mais especializados. Acho que com uma melhor distribuição de recursos, poderiam ter melhorias mais importantes pra população do Brasil.



Você acha que com os recursos que já dispõe poderia fazer mais?



Acho que poderiam ser melhor distribuídos. Isso não quer dizer que tenha que acabar com os outros, com certeza, precisa de todos os tipos de serviços. Precisa de um balanço equilibrado.



Quais são os avanços que você vê na área de APS no Brasil?



Bom, como já falei várias vezes, a área de APS no Brasil virou referência mundial. Por quê? Porque tem uma parte forte que é técnica. Se você quer que as pessoas usem uma atenção primária tem que atender os planos que eles têm. Começa com os problemas, por que, de fato, as pessoas procuram os serviços porque tem problemas. Uns com problemas mais sérios outros com problemas mais facilmente atendidos. Mas quando você começa trabalhando com os problemas, você vai aprendendo as necessidades do povo, da comunidade. Essa combinação da possibilidade de atender aos problemas da população e começar trabalhar a gradativamente com outros fatores que afetam a saúde da população por meio das ações comunitárias, nesse aspecto de visitas domiciliares, por exemplo . Eu sonho com uma coisa dessas nos EUA. Muitos americanos se quiserem fazer um exame de controle normal com meu médico de família, às vezes tenho que esperar 3, 4 ou 6 meses mesmo pagando quase 150 dólares por mês para o plano de saúde e o meu empregador na cidade paga ainda mais. É sempre interessante quando se compara o que você tem com o que os outros têm. Todo mundo acha que sua situação é pior, mas, às vezes, quando se compara com outro, não é tão ruim. Então, a APS pela construção da SF pela composição das equipes pela possibilidade de tratar nessa área de Atenção Primária, mas ir além da Atenção Primária e trabalhar mais com os comportamentos da saúde. Acho que isso é que é a coisa mais interessante de ter como modelo.



Para você, qual a importância da APS dentro do contexto sistema de saúde?

Precisa de um sistema de saúde que tenha vários componentes, mas acho que têm várias evidencias que mostram que um sistema de saúde que tem como base a Atenção Primária e que o centro do sistema é a Atenção Primária funciona melhor. Isso não quer dizer que não precise de outros, precisa sim, mas é a própria APS que coordena. Existem vários exemplos, sobretudo na Europa, que mostra que tem melhorias na eficiência, na eficácia e na efetividade do sistema. A própria APS pode funcionar, pode jogar seu papel fundamental. Muitos sistemas de saúde no mundo não deixam que a APS jogue esse papel e, por isso, acho que tem muitas opiniões sobre a validade da APS que vem mais deuma falta de experiência com uma boa APS do que uma crítica de um conceito em si.



Qual a importância que você vê nas metodologias de avaliação nos serviços de sistemas de saúde?



Cada vez que tem um sistema complexo como a organização de um município, como a organização de uma rede eficiente de saúde, não existe uma pessoa ou um grupo de pessoas que possa dar conta de tudo o que acontece. Precisa de informação, precisa de dados, dados concretos para saber onde está e para onde quer ir. Qual é a brecha entre as duas coisas? Isso é a chave da gestão. E também é a chave da ciência que, na minha opinião, esse processo de monitoramento, gestão, avaliação.Isso é uma ciência. É uma ciência porque de fato tem teorias, tem que ser testado, tem que coletar dados, tem experimentos e várias outras abordagens que vem da própria ciência. Por isso que ter mecanismos e ferramentas válidas é fundamental. Não se faria astronomia sem as ferramentas apropriadas. E como chegamos lá? É uma história de um cenário de anos de desenvolvimento das ferramentas apropriadas, as técnicas, as ciências, as medidas e tudo isso. E estamos chegando aí com a área de saúde. Claro que tem uma parte médica que tem um pouco mais tempo de desenvolvimento, mas a parte da avaliação a parte da gestão é uma ciência muito nova. Acho que por agora fazemos o melhor possível com o que já temos. Acho que ferramentas como o PCATool é um avanço porque de um lado foram validados e respondem não a opinião das pessoas, mas refletem numa avaliação da experiência das pessoas que trabalham no sistema e também a dos usuários dos serviços foram validados. Eu também achei em vários países (estava no Uruguai no mês passado) e achamos que as pessoas do parlamento, os médicos, o pessoal da escola de medicina, os alunos e todos entenderam intuitivamente o que queria dizer as medidas do PCATool e essa parte da ciência é validada com um entendimento intuitivo. Eu acho que é a magia que vem desse tipo de ferramenta.





Com a criação da rede de pesquisa criou-se um canal de comunicação e articulação entre os pesquisadores, profissionais e usuários. Na sua opinião qual será a maior contribuição para seus participantes?



Eu acho que é partindo de experiências. O que é mais importante? É claro que tem algumas questões macros como financiamento, avaliação de políticas públicas que são fundamentais, mas, de fato, tem menos dessas questões que questões cotidianas, do dia a dia. Como melhorar a prática, como enfrentar vários problemas operacionais. Então, essa continuidade de aprendizagem, essa continuidade de práticas é fundamental para isso. Dentro da REDE, eu imagino que os cadastrados vão valorizar muito esse conhecimento. Mas acho que precisa de um jeito de sistematizar um pouco, de como compartilhar essas experiências. Acho que já existem algumas outras comunidades de práticas que já sistematizaram um mecanismo de compartilhar experiências. Ao invés de só fazer uma conta às vezes precisa de uma coisa mais sistemática. Eu acho importante que essa REDE tenta ir além da REDE. Já foi dito várias vezes durante esses dias que já somos os crentes... Já cremos nesse sistema. Isso é importante, convencer os outros. Como convencê-los? Exatamente com essas experiências. As experiências pessoais falam muito mais que qualquer pesquisa com quaisquer números. O que eu aprendi falando com pessoas que tentam influenciar o sistema é que o que eles querem é uma estória de alguém, uma coisa bem específica de como a APS funcionou, como resolveu um problema, como a experiência de alguém na equipe de saúde família, por exemplo, como foi essa experiência positiva. Eu preciso de uma articulação entre os pesquisadores na REDE e a cultivação de contatos na mídia, com as pessoa s que fazem reportagens para revistas de saúde tampouco, com aqueles que trabalham com os grandes empresários como O Globo e etc. Quantos dessa lista o pessoal da REDE conhece pessoalmente? Quantas vezes eles sentam com eles e compartilham essas experiências? Já sabemos que é muito fácil, pois se alguém tem uma experiência ruim já está na primeira página. Tem essa pesquisa do Romero que apresentou ontem que a APS melhorou o problema de desemprego em alguns lugares enquanto, no meu país, isso seria primeira página. Então, tem um desconect entre o que acontece, o saber e o conhecimento que essa REDE tem e a comunicação dela. Não quero dizer que eles não se comunicam, comunicam muito bem, mas tem outro passo que é tentar garantir que esses resultados fiquem lá na primeira página e isso, provavelmente, precise de uma estrat&eac ute;gia de comunicação de largo prazo, de criação de relações com os jornalistas, os periódicos, os jornais pra cambiar um pouco como é mostrado o SUS e, sobretudo, a APS.





Você teria alguma dica, alguma idéia ou diferencial que caracterize algum pensamento seu sobre a Atenção Primaria em Saúde que você gostaria de mencionar aos que estão se dedicando a essa área?



Como disse, e digo muitas vezes, que a APS é uma área que é instigante, que merece ser melhor estudado e é uma área legítima de estudo. Em muitos países tem pessoas que se especializam em investigação em serviços de saúde. Acho que aqui no Brasil é uma coisa mais nova. Não tem, até eu saber, um doutorado, por exemplo, em investigação em serviços de saúde, mas em outros sistemas, em outros países, tem. Isso pra mim, de fato, é uma área legítima. É uma área que dá muito prazer, satisfação e é um vínculo entre a parte teórica e, eu diria a parte quantitativa e qualitativa porque você tem que traduzir todos os resultados em exemplos que as pessoas possam entender. Então, para qualquer pessoa que queira trabalhar nessa á rea como prestador de serviços, enfermeiro, médico ou agente comunitário de saúde primeiro tem que saber as pessoas que valorizam o trabalho que faz, mas para pessoas que querem estudar isso, eles têm que também saber que existe todo um mundo e que eles vão fazer parte dessa outra comunidade que vai além do Brasil que engloba e que, de fato, faz uma comunidade mundial.


Original da REDE APS, sugestão do nosso colaborador e colega Leonardo Ferreira Fontenelle, confira seu blog http://leonardof.med.br
Publicado em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com/

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pesquisa em APS

Disponibilizamos a aula da oficina de Pesquisa em Atenção Primária, realizada durante o V Congresso Mineiro de Medicina de Família e Comunidade

Durante o Congresso, a Oficina reuniu pesquisadores em Medicina de Família e Comunidade e Atenção Primária e trouxe a tona a discussão sobre a importância de se pesquisar temas clínicos em APS, e quanto à ampliação dos serviços de Pesquisa em APS e em MFC.

Confira o conteúdo da oficina:

domingo, 25 de abril de 2010

Pesquisa em APS

Compartilhamos em livre acesso a Conferência proferida por Leonardo Cançado Monteiro Savassi - coordenador da Residência em Medicina de Família e Comunidade e co-responsável pelo Blog Medicina de Família, durante o I Fórum de Atenção Básica - Medicina de Família e Comunidade: Graduação, Residência Médica e Preceptoria que ocorre nos dias 24 e 25 de abril, em Uberaba, MG.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pesquisa Nacional de Pacientes no uso da Atenção Primária

The GP Patient Survey for use in primary care in the National Health Service in the UK – development and psychometric characteristics


UK National GP Patient Survey: considerada a maior pesquisa em APS voltada para o relato da experiência de usuários em relação ao uso da atenção primária, que levou ao desenvolvimento deste novo instrumento de pesquisa.

O questionário de 66 itens refere-se a uma gama de aspectos da APS britânica, e no piloto 590/1500 (39.3%) responderam ao questionário. A Inglaterra obteve uma impressão geral favorárel relativa ao cuidado, especialmente devido a 3 componentes (cuidado médico, cuidado de enfermagem e acesso ao cuidado) na análise multivariada, respondendo por 68.3% da variância encontrada.

Os autores relatam: "The GP Patient Survey has been carefully developed and pilot-tested. Survey findings, aggregated at practice level, will be used to inform the distribution of £65 million ($107 million) of UK NHS resource in 2008/9 and this offers the opportunity for NHS service planners and providers to take account of users' experiences of health care in planning and delivering primary healthcare in the UK."

Ou seja, um verdadeiro questionário de planejamento. Fica a pergunta: quem vai validá-lo para o português?

Acesso ao artigo:

quarta-feira, 18 de março de 2009

A necessidade de pesquisa na APS

Neste artigo discute-se a necessidade de pesquisa em APS, inclusive comparando com determinadas diferenças entre as diferentes clínicas.

Em 1972 a Cochrane definiu que a NHS deveria se pautar pela ciência. Uma das formas de isso ser feito era a evidência médica, mas quais as limitações e características deste processo?

Se você é pesquisador da área ou trabalhador, não deixe de ler este artigo! De fundamental importância.

Clique aqui, para baixar o artigo.