quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Saude da Família = 80,7% de satisfação

Mais e mais evidências da ESF na vida dos brasileiros

Resta saber se continuaremos a luz dos “eu-achismos” e das “apostas”, ao invés de considerarmos as evidências.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) lançou nesta quarta-feira um relatório dos Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) avaliando a percepção da população sobre serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O SIPS apresenta a percepção dos entrevistados sobre cinco serviços do SUS: atendimento em centros ou postos de saúde; atendimento pela Saúde da Família; distribuição de medicamentos; atendimento por médicos especialistas; atendimento na urgência e emergência.

Isto considerando-se que a ESF sequer foi implantada plenamente no país, e chega recentemente aos 50% de cobertura, substituindo um modelo que foi majoritário há quatro décadas.

Os resultados do IPEA apontaram que:

1) Saúde da Família tem alto índice de satisfação: 80,7% dos entrevistados avaliaram o programa como “muito bom” ou “bom”, 14% como “regular” e apenas 5,4% como “ruim” ou “muito ruim"
2) Urgência e emergência é o serviço do SUS com pior avaliação: 31,4% dos usuários considera "ruim ou muito ruim, 48,1% consideraram “bom” ou “muito bom” o serviço, e 20,7% o qualificaram como “regular”.
3) Os centros e postos de saúde têm rejeição próxima a dos atendimentos de urgência e emergência com 31,1% de avaliações negativas e 44,9% de opiniões favoráveis.
4) distribuição de medicamentos foi o segundo item mais aprovado com índices de 69,6% e 11% de avaliações positivas e negativas, respectivamente.
5) médicos especialistas obtiveram aprovação de 60.6% dos usuários entrevistados, sendo reprovados por 18,8%.
6)Quem não utiliza o SUS o avalia pior que quem o utiliza. Entre os que tiveram alguma experiência com os serviços do SUS nos últimos 12 meses, a proporção de opiniões "muito bom" ou bom" foi maior (30,4%) do que entre os que não utilizam (19,2%). A proporção de opiniões de serviços “ruins ou muito ruins” foi maior entre os que não tiveram experiência com os serviços pesquisados (34,3%), em comparação com aqueles que tiveram (27,6%). Nos dois grupos predominam as avaliações dos serviços como “regulares”.
7) 42,6% dos brasileiros em geral consideram o SUS regular. Na opinião de 28,9% dos entrevistados no Brasil, os serviços públicos de saúde prestados pelo SUS são muito bons ou bons. Proporção semelhante dos entrevistados (28,5%) opinou que esses serviços são ruins ou muito ruins .
8) Saúde da Família é o serviço mais bem avaliado do SUS em quatro das cinco regiões do país. Apenas no Centro-oeste e Norte a avaliação da Estratégia fica abaixo de 80%, atingindo 85,2% na região Sul.

Esta não é a primeira evidência que aponta que Saúde da Família é uma estratégia bem avaliada. ZILS et al avaliaram a satisfação do usuário do serviço de atenção primária de Porto Alegre, utilizando escalas de avaliação do tipo Likert. O estudo foi conduzido comparando os desfechos de serviços com baixa e alta orientação para a atenção primária. A avaliação das unidades utilizou o PCA-Tool, demonstrando que pacientes atendidos por serviços com alta orientação para a APS apresentam significativamente maior satisfação com o serviço, o que favorece a adesão ao cuidado. O artigo será publicado na RBMFC número 16.

Para uma análise mais completa acesse:

Análise do relatório do IPEA (Blog Saúde com Dilma)

Savassi, LCM. Editorial: A satisfação do usuário e a auto-percepção da saúde em atenção primária. RBMFC 17, 2010. no prelo. (ainda não disponível)

Kloetzel, K; Bertoni, AM; Irazoqui, MC; Campos, VPG; dos-Santos, RN. Controle de qualidade em atenção primária à saúde. I – A satisfação do usuário. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 14(3):623-628, jul-set, 1998

Zils, AA; Castro, RCL; Oliveira, MMC; Harzheim, E; Duncan, BB. Satisfação dos usuários da rede de Atenção Primária de Porto Alegre. Rev Bras Med Fam e Com 2009; vol. 4, num 16, 270-276.


Acesse os indicadores do IPEA:
IPEA. Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS). Brasília: IPEA, 2011. 21 p.

Publicado originalmente em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com
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