segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Update: osteoporose em homens

Osteoporosis in Men

A temática da osteoporose na literatura tem grande magnitude quando se fala do gênero feminino. Entretanto, em homens é um problema que pode passar despercebido em nossos consultórios de MFC. Embora o risco de uma fratura de quadril durante a vida seja menor em homens que em mulheres, eles têm duas vezes mais probabilidade de morrer depois de uma fratura destas.

O periódico American Family Physician publicou em Setembro de 2010 uma revisão clínica sobre o tema.

Em 2003 o mesmo periódico publicou um artigo homônimo que apontava a osteoporose em homens como um problema de saúde pública cada vez mais importante, afirmando que cerca de 30 por cento das fraturas do quadril ocorriam em homens, e um em cada oito deles com mais de 50 anos teria uma fratura osteoporótica.

Devido à sua maior massa óssea de pico, os homens costumam apresentar fraturas de quadril, corpo vertebral, ou pulso distal, cerca de 10 anos depois das mulheres. Fraturas de quadril em homens, no entanto, resultam em uma taxa de mortalidade de 31 por cento um ano após fratura versus uma taxa de 17 por cento nas mulheres.

Os principais fatores de risco para osteoporose em homens são o uso de corticóides por mais de seis meses, osteopenia (nas radiografias), uma história de fratura não-traumática, hipogonadismo, e idade avançada.

Em 2008, uma revisão sistematizada da literatura sobre osteoporose em homens foi publicada na Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, apontando diagnóstico através da densitometria (pela técnica da dual-energy x-ray absorptiometry - DEXA) como a única opção baseada em evidências, o que dificulta seu manejo no sistema público de saúde, embora alguns guidelines defendessem que em casos de fratura de fragilidade um diagnóstico de osteoporose já poderia ser feito independente de qualquer exame complementar.

A revisão clínica de 2010 aponta que o diagnóstico da Osteoporose continua sendo feito através da medida da densidade óssea mineral (densitometria óssea), padrão ouro e até o momento única opção diagnóstica com evidência científica suficiente, onde um T-score de -2,5 ou menos indica osteoporose.

O American College of Physicians recomenda avaliações periódicas de risco para osteoporose em homens antes dos 65 anos de idade e densitomatria para os homens em maior risco de osteoporose, que são candidatos para terapia medicamentosa.

Todos os homens diagnosticados com osteoporose devem ser avaliados para causas secundárias de perda óssea. A decisão sobre o tratamento da osteoporose deve ser baseado numa avaliação clínica, investigação diagnóstica, avaliação de risco de fratura, e a própria densitometria.

A Farmacoterapia é recomendada para homens com osteoporose e ou sob alto risco, com baixa massa óssea (osteopenia), o que significa um escore T de -1 a -2,5. Os bisfosfonatos são os agentes de primeira linha para tratamento da osteoporose neste gênero.

Teriparatida (ie, hormônio da paratireóide recombinante humano) é uma opção para os homens com osteoporose grave. A terapia de testosterona é benéfica para os homens com osteoporose e hipogonadismo (um dos fatores de risco para baixa densidade mineral óssea).

A ingestão adequada de cálcio e vitamina D deve ser incentivada em todos os homens para manter a massa óssea.

Eles devem ser educados sobre as medidas de estilo de vida, que incluem exercício, limite do consumo de álcool e do tabagismo. Estratégias de prevenção de quedas devem ser implantadas em homens mais velhos sob risco de queda.

O aumento da conscientização por parte dos médicos acerca dos fatores de risco para a osteoporose masculina, diagnóstico precoce e tratamento são necessários para diminuir a morbidade e mortalidade resultantes de fraturas osteoporóticas.

Veja ainda:

Aula da Residencia em Medicina de Família e Comunidade do Hospital Regional de Betim sobre a abordagem da osteoporose na APS:


Obesidade não protege contra osteoporose... ao contrário (no MFC-BR)

Dieta rica em cálcio não tem efeito aparente benéfico no risco de fratura (no MFC-BR)

Possível risco aumentado de fraturas ósseas com certos Antiácidos (no MFC-BR)

Uma nova maneira de avaliar o risco de fratura em Osteoporose (no MFC-BR)

Screening de Osteoporose é baixo na Pensilvania (no MFC-BR)

Cálcio e vitamina D só previnem fraturas em idosos no asilo? (no Dr Leonardo)

Suplementos com cálcio parecem causar infarto (no Dr Leonardo)

Prevenção de fratura por osteoporose: bastam 800mg de cálcio por dia (no Dr Leonardo)

Como prevenir a osteoporose (no Dr Leonardo)


Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi