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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Obesos dificilmente alcançarão seu peso corporal normal

Probability of an Obese Person Attaining Normal Body Weight: Cohort Study Using Electronic Health Records

Postagem feita a partir de um estudo de LIVRE ACESSO publicado no American Journal of Public Health de conteúdo não exclusivamente médico.

Entenda

A obesidade é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares, além de potencializar ou cursar com outros fatores de risco, como o Diabetes e a dislipidemia. 

A Atenção Primária (APS)  é o âmbito mais adequado para a promoção da saúde, por se situar na comunidade das pessoas atendidas, e para uma boa prática preventiva, pela maior acessibilidade. Reduzir os danos da obesidade é um desafio fundamental para os Médicos de APS, e o foco na mudança de comportamento deve ser adotada. 

Para explicar se e como as pessoas mudam de comportamento, existem várias teorias do campo da Educação em Saúde, pautadas pelo entendimento dos fatores e das crenças sobre a mudança. Entender se a pessoa está disposta a mudar, e o que a impede de mudar de estilo de vida é fundamental, e para isto posto parte da oficina sobre mudança de comportamento realizada no 13o Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, de Natal, agora em julho de 2015 ao final. 

Agora, um estudo sugere que alguns adultos obesos jamais atingirão um peso normal. Os resultados aparecem na revista American Journal of Public Health.


Obesidade não é uma questão de simples abordagem, mesmo na Atenção Primária



O que o Estudo apresenta:

Usando um banco de dados de medicina geral no Reino Unido, os pesquisadores estudaram mais de 175 mil adultos obesos que tiveram pelo menos três medições do IMC ao longo de um período de 10 anos. Aqueles que foram submetidos à cirurgia bariátrica foram excluídos.

Para os participantes com obesidade simples (IMC, 30,0-34,9) no início do estudo, a probabilidade anual de atingir o peso normal durante o seguimento foi de 1 em 210 para homens e 1 em 124 para mulheres. Entre os que estavam inicialmente com obesidade mórbida (IMC, 40,0-44,9), a probabilidade anual foi de apenas 1 em 1290 para homens e 1 em 677 para mulheres.

O estudo claramente questiona o tratamento de obesidade atuais, baseadas em programas de gestão de peso acessados ​​através de cuidados primários, com dificuldade importante para atingir reduções significativas e sustentadas no IMC para a maioria dos pacientes obesos.


Leia o abstract traduzido:

Objetivos. Foi examinada a probabilidade de uma pessoa obesa alcançar o peso corporal normal.
Métodos. amostra de indivíduos com idade entre 20 anos e mais velhos do United Kingdom’s Clinical Practice Research Datalink de 2004 a 2014. Analisaram-se dados de 76 704 homens obesos e 99 791 mulheres obesas. Foram excluídos os participantes que receberam a cirurgia bariátrica. Nós estimamos a probabilidade de atingir o peso normal ou redução de 5% do peso corporal.
Resultados. Durante um follow-up máximo de 9 anos, 1283 homens e 2245 mulheres atingiram o peso corporal normal. Na obesidade simples (índice de massa corporal = 30,0-34,9 kg / m2), a probabilidade anual de atingir o peso normal foi de 1 em 210 para homens e 1 em 124 para as mulheres, aumentando para 1 em 1290 para homens e 1 em 677 para mulheres com índice de obesidade (massa corporal mórbida = 40,0-44,9 kg / m2). A probabilidade anual de conseguir uma redução de peso de 5% foi de 1 em 8 para homens e 1 em cada 7 para mulheres com obesidade mórbida.
Conclusões. A probabilidade de atingir o peso normal ou a manutenção do peso perda é baixa. Estruturas de tratamento da obesidade baseadas em programas de gestão de peso comunitárias podem ser ineficazes


Leia ainda
Obesidade não protege contra osteoporose... ao contrário.
Medicina de Familia: "The Obesity Paradox"
Medicina de Familia: Mapa da obesidade e sobrepeso


Acesse o artigo em livre acesso:




Veja parte da oficina sobre mudança de comportamento do 13o CBMFC (Natal/2015):


Publicado originalmente por Leonardo C M Savassi em http://medicinadefamiliabr.blogspot.com

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sensibilidade e especificidade do índice de massa corporal no diagnóstico de sobrepeso/obesidade em idosos

O objetivo foi verificar a sensibilidade e especificidade dos pontos de corte do índice de massa corporal (IMC) propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Nutrition Screening Initiative (NSI) no diagnóstico da obesidade em idosos. O estudo foi realizado com 180 idosos de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. O percentual de gordura corporal foi mensurado por absortometria radiológica de dupla energia. O IMC da NSI apresenta melhores valores de sensibilidade e especificidade para homens (73,7% e 72,5% respectivamente). Para os homens o IMC de 25kg/m² apresentou elevada sensibilidade (94,7%) e baixa especificidade (40%), enquanto o IMC de 30kg/m² possui baixa sensibilidade (31,6%) e elevada especificidade (97,5%). Nas mulheres, o IMC de 25kg/m² (sensibilidade de 76,3% e especificidade de 100%) foi o mais acurado. O ponto de corte da OMS mostrou sensibilidade muito baixa (28,9%). Os resultados desta investigação permitem concluir que os pontos de corte propostos pela OMS e NSI não são bons indicadores de sobrepeso/obesidade para idosos de ambos os sexos.
Retirado de: http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2010000800006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt